29.5.10

Cerimoniosamente musealogando







Ali tomámos porto com bom vento.
Por tomarmos de terra mantimento.
Àquela ilha aportámos que tomou
O nome do guerreiro Santiago (10)

Os Lusíadas





Sabores mestiços



Segundo a consagrada tese oficial, a descoberta das primeiras ilhas do arquipélago de Cabo Verde (Santiago, Fogo, Maio, Boavista e Sal) deu-se em 1640, ainda em vida do Infante D.Henrique. As restantes sete achadas, Brava, S.Nicolau, S.Vicente, S.Antão, Santa Luzia e Ilhéus Branco e Raso em 1462. As ilhas foram encontradas desertas.

Os donatários, em especial Noli, com o apoio do Rei, iniciaram o povoamento por Santiago, com alguns genoveses e portugueses oriundos do Alentejo e Algarve e, provavelmente de outras áreas do país, talvez mesmo da região transmontana e dos Açores.

Com o povoamento das duas principais ilhas Santiago e Fogo introduzir-se- ão os elementos essenciais à vida do homem, permitindo minimamente a sua subsistência: numa primeira fase são levadas plantas e animais do continente fronteiro e de Portugal. Da Índia veio o coco que se aclimatou com sucesso nas ilhas e do Brasil a abóbora e a mandioca. O milho que viria a ser o principal meio de subsistência do Arquipélago foi trazido da América e a cana sacarina foi introduzida na Madeira e Cabo Verde e posteriormente levada para o Brasil. Do continente africano fronteiro veio o arroz.



Para os colonizadores, tornava-se difícil o problema da alimentação num arquipélago achado deserto e sem os produtos a que estavam habituados. Mas os portugueses foram-se adaptando às novas espécies que nela se iam introduzindo.

Com a chegada dos escravos, havia que agradar às duas culturas distintas nos seus hábitos alimentares.

É importante o contributo da mulher cabo-verdiana no Arquipélago. Ela revela uma grande capacidade criadora, no domínio da gastronomia cabo-verdiana, inventando e criando com os produtos da terra gostosos sabores mestiços.



A predominância do milho – face à sua boa aclimatação e fácil cultivo - conduz a um sistema culinário que de certo modo, pode parecer rotineiro e monótono. A mulher cabo-verdiana, com base neste cereal inventou uma série de pratos e bolos diversificados; tratando o milho com o “moedor” “ a pedra de rala”ou o “pilão”; Há o rolão, a papa, o xerem, o cuscuz (influência dos colonos algarvios) para se preparar o cuscuz; deita-se de véspera o milho na água, é moído no pilão na hora em que S.Antão é designada com um saboroso arcaísmo, por “manhana”, e com a farinha obtida deita-se no binde que vai a cozer em banho-maria. Assim se obtém o cuscuz, que é o pão dos pobres e também dos ricos e remediados, Há também o cuscuz de talisca (em que apenas varia a matéria prima, que neste caso é a crueira da mandioca; o de potona este só se faz na ilha das Boavista, réplicas cabo-verdianas do cuscuz de milho levado pelos colonizadores.

Há ainda fongo, (tradicional na Páscoa na ilha de S.Antão) fonguinho, gufongo, brinhola e batanca - espécie de broa. Em S.Vicente, na Ribeira de Julião, nas festas dos Santos populares Santo António e S.João, confecciona-se o tradicional milho em grão;

moreia de escabeche na Festa de Santa Cruz na Salamansa e guisado de capóde na Praia do Norte no dia de S.Manuel; a djagacida é um prato típico da Brava e do Fogo; ainda na ilha do Fogo prepara-se o gigoti para a Festa da Bandeira no dia do Santo padroeiro -S.Filipe; trutchida (comida para o dia de cinzas na ilha de Santiago). O milho aliado ou prentem tão útil nos momentos em que o pobre não dispõe de dinheiro para comprar combustível, gordura e os outros ingredientes para os restantes quitutes de milho; a camoca que se pode comer com leite ou mel de cana sacarina.



Mas entre os pratos preparados com milho, erigiu-se como soberana e incontestada no gosto do cabo-verdiano, a cachupa”.



Para casamentos temos o xerem de boda que não se prepara como o simples rolão de milho e é servido com guisado de capado ou de galinha.

Na ilha de S. Nicolau é tradicional o molho (modje) de capado ou com galinha, acompanhado com batata-doce, banana verde cozida, mandioca, inhame e abóbora tudo temperado com cebola, alho, tomate, malagueta, sal e azeite doce.

Quando há dificuldade na obtenção de carne o molho (modje) é confeccionado, só com legumes, tomando nesta altura o nome de modje de Manel Anton.

Outro prato bastante tradicional é o caldo de peixe que é apreciado por todas as classes sociais.

Na sua confecção entram várias espécies de peixe acompanhadas com batata-doce, mandioca, banana verde e num refogado bastante picante à base de malagueta. É tradição, depois de uma noite bem passada, a mesma ser rematada com caldo de peixe malaguetado para ajudar a “curtir” a ressaca.



A doçaria é bastante diversificada: com a papaia verde e madura fazem-se doces e compotas deliciosas.

Com o coco, mancarra, goiaba, mel ou açúcar a variedade de guloseimas é imensa. Encontram-se vendedeiras ambulantes que, como diz o escritor Gabriel Mariano enfeitam os tabuleiros de bolos de Santiago com papel de seda de várias cores, e embrulham os doces não só com requintes de gosto artístico mas ainda talvez inconsciente sentido de harmonia entre a cor e o paladar. O branco vivo e aberto para os rebuçados de hortelã-pimenta, cujo travo picante e frio obriga a abrir a boca e a distender os olhos; a cor-de-rosa suave e branda para o açucrinha de cacau ou leite, o verde-escuro ou grenat para as cocadas.

Não nos podemos esquecer dos saborosos licores de laranja, café, tamarindo e outros frutos do Arquipélago.

E para terminar sirvo-me do que escreveu o poeta e escritor Nuno de Miranda:



“Por mim, vos juro, à fé de quem quer: nada vou mudar! Estarei fiel, aos fins de semana, aos elementos da nossa cultura material, de volta do pilão de batida a dois paus, da mó de rebolo, grãos, sementes, café e frutos tropicais, valores constantes do meu lastro cultural, que vamos vivendo na distância da terra longe.

















Receitas



Milho em grão





5 Espigas de milho verde

100 Grs de linguiça da terra

¼ kg de abóbora

¼ kg de fava verde ou seca (neste caso tem de ficar de molho para se lhe tirar a pele)

2 tomates madur

Duas colheres de sopa de azeite doce

2 grãos de malagueta

1 ramo de coentros

1 “cabeça de cebola”



Raspam-se as espigas de milho para dentro de uma caldeira. Entretanto, corta-se a cebola às rodas, acrescenta-se o azeite doce, a linguiça cortada às rodelinhas, a malagueta e deixa-se fritar ligeiramente. Juntam-se os restantes ingredientes e acrescenta-se água suficiente para cozer.

Deixa-se apurar e depois de pronto, rectifica-se o sal e deitam-se os coentros picados.






Maria de Lourdes Chantre
autora do livro " Cozinha de Cabo Verde", Editorial Presença, 4ª ed., Lisboa, 2001














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O Museu do Trabalho e a Associação Caboverdiana de setúbal



Mais informações sobre a Asoociação caboverdiana de Setúbal http://www.acvsetubal.org/

4.5.10

TheElf Chant”, in the Labour Museum Michel Giacometti


Setubal, April 24th to July 3rd of 2010





















The Elf’s are shy, sensitive and innocent beings with a noble spirit…
They can sing, dance, do theater, dress gracefully
And create wonderful works of art made of spider web,
Dew and the shine of moonlight…

Hans Christian Andersen,



The “Elf Chant” in the Labour Museum Michel Giacometti in Setúbal, is a date request. The Museum wears a new kind of clothing to seduce and enchant. The “Elf Chant” is a call, a party that celebrates the joy of Life and the strength of Love expressed in Art. To this Celebration thirty three adults carriers of mental disability from APPACDM – CAO 1 of Setubal that are fully aware of the importance of the museum’s search for the Beauty and social harmony, got together, because themselves cheer a Pole of the Work Museum, an old Locksmith workshop, constituted in Museum.



Thinking about the comfort of these people, in their great generosity and in the practical conditions of realization, we talked with the board of the APPACDM about the necessary conditions of work. During the months of February, March and April they came to the Work Museum Michel Giacometti, accompanied by the respective monitors, to build one creeper that will unit all of the expositive spaces of the Museum. One great green creeper, with more than one hundred and fifty feet long, which the trunk is made from plastic empty bottles.



The “Elf Chant”, is an temporary exhibition, an elegy to the joy of living and an elegant celebration, drawn for the space of the museum, with the people and the institutions, that therefore got involved, threw several months, in the creative process. AT FIRST THERE WAS ONLY ONE IDEA, one title, one quote of H.C Andersen and the condition to make something happen that didn’t imply buying anything. All Imagination, all ability, all creation and no tricks involved. The result was quiet surprising. The exhibition can be seen in the Labour Museum Michel Giacometti, from April 24th, at three pm, integrates more than twenty works of great originality, made by simple creators, shy sensitive innocent beings with noble spirits, “touched” by the magic of Elfs.


This is, also, an exhibition with a didactic and reflection purpose. An watching exercise, an interrogation about the process of the artistic creation and the liberty of expression.

Correspond to the strong Will of breaking the bounds of all preconceptions.

Exalts the gift of creation and of their creators as the only act of supreme sincerity.

This project also takes as an museum exercise opened in a more wide participation and to the more bold questions.



The “Elf Chant”, is an idea from Nils Fisher, a citizen from the hometown of H.C Andersen, designer, friend of the Labour Museum, believer of the Magic from the Elfs and of his playful way. The idea grew, to it attached the creeper, and other “creepers” followed the steps, and the impossible happened. The result was surprising. Nobody can be indifferent.



Until the moment, are associated to the “Elf Chant” the following people and institutions:

APPACDM-CAO 1 from Setubal, Regional Prison Establishment from Setubal, Dom Manuel Martins High School in Setubal, Bela Vista Basic 2,3 High School in Setubal, S. Sebastian Community Center in Setubal, Childs Coral in Setubal, Basic School and Kinder garden of the Angels Farm, as well as a lot of plastic artists and people from the own Labour Museum Michel Giacometti, that under the supervision of Luís Valente, are building a Giant red Heart, in the middle of the center of the Museum.















Labour Museum Michel Giacometti

Museu.trabalho@mun-setubal.pt

Telephone number 00351265537880



Setubal’s City Council