24.1.10

Planeamento Estratégico: Museus para o séc. XXI

O Plano Estratégico do Instituto dos Museus e da Conservação (IMC): Museus para o séc. XXI foi ontem (20/01/2010) apresentado diante de uma audiência que encheu por completo a sala do Museu de Arte Popular onde se realizou a conferência de imprensa.

A sessão foi inaugurada pelo Secretário de Estado da Cultura, Elísio Summavielle, que introduziu alguns dos tópicos que fazem hoje a actualidade e os problemas dos museus nacionais. Seguiu-se o director do IMC, João Carlos Brigola, que apresentou o plano estratégico, destacando alguns dos aspectos considerados mais relevantes do documento.

João Carlos Brigola começou por sublinhar que este não é um documento fechado, mas sim um conjunto de fundamentos gerais que deverão orientar a acção do IMC.

Este plano tem em linha de conta 31 prioridades de intervenção e estrutura-se em seis eixos de trabalho:

EIXO 1. Reenquadramento do sistema de gestão dos museus tutelados pelo MC/IMC.

EIXO 2. Inovação de modelos de funcionamento nos museus e palácios do MC/IMC.

EIXO 3. Governança de proximidade com os representantes e associações profissionais dos sectores da Cultura, das Universidades, da Museologia e da Conservação e Restauro, e com os municípios, as regiões autónomas, entidades públicas, as dioceses, as misericórdias, as fundações e outros agentes.

EIXO 4. Consolidação e crescimento sustentado da Rede Portuguesa de Museus.

EIXO 5. Política coerente e integrada de preservação, estudo, documentação e comunicação das colecções de bens materiais móveis e imóveis, sob a sua tutela, e do património imaterial.

EIXO 6. Qualificação profissional e formação académica e científica dos recursos humanos do IMC.



Para conhecer o documento em detalhe clique no seguinte endereço:
http://nomundodosmuseus.files.wordpress.com/2010/01/planeamentomuseus1.pdf

21.1.10

Tarde Intercultural no Museu _ Democracia Participativa e Cidadania, com Ruy d`Espiney ___________

clicar na foto para ampliar




Em marcha um congresso nacional sobre Cidadania, em meados de Novembro em Tondela. Vamos dando notícias sobre este movimento que se movimenta nas discussões que vão tendo lugar em diversos pontos do país. Questões pertinentes, muito actuais, sobre conceitos e práticas de Cidadania e da democracia participativa em Portugal. Um tema que se prende também, a nosso ver, com um conceito alargado e pró-activo de património e com o papel dos museus na sociedade. Este ano o tema proposto pelo ICOM é: " Museus e harmonia social ", começámos por aqui a harmonizar as ideias ... e a reflectir sobre o sentido histórico do associativismo nas suas diversas vertentes e vocações, desde o final do sec. XIX (a filantropia, o assistencialismo, as mútuas), os príncipios elementares da inclusão, formas entender o rio e as margens no devir da História e de recentrar o problema da participação à luz da contemporaneidade)

 link para o blog do movimento ...




__________Participem_______________________________

20.1.10

Plano Estratégico para os Museus do Século XXI ?




Albrecht Dürer (1471-1528)




O que vem a lume, são as demissões (nomeadamente a do director do Museu de Arte Antiga), as nomeações e outras re.conduções, assim justificadas em comunicado do gabinete da Ministra da Cultura:


"a opção de não recondução no cargo por Paulo Henriques vem no 'âmbito de uma nova orientação estratégica dos organismos do ministério da Cultura, em consonância com o Programa do XVIII Governo Constitucional, em que se inclui o Plano Estratégico para os Museus do Século XXI'.


Aqui, na Antena 1, pode ouvir:
http://tv1.rtp.pt/noticias/?t=Antonio-Filipe-Pimentel-e-o-novo-director-do-Museu-Nacional-de-Arte-Antiga.rtp&headline=46&visual=9&article=312259&tm=4


Quanto ao plano estratégico terá que ser bem esmiuçado, sobretudo no que respeita à mudança da tutela de alguns museus do IMC para as Câmaras Municipais.

3.1.10

“Temos de fazer um debate sem estrelismos”


José do Nascimento Júnior, diretor do Ibram, defende descentralização de recursos. Em entrevista, afirma que reforma na Lei Rouanet e novo fundo não terão um impacto “catastrófico” e sugere criação de museus



Folha de S.Paulo, Ilustrada, Silas Martí, 24/12/2009


No centro das discussões sobre o futuro dos museus no país está um único homem. José do Nascimento Júnior, antropólogo social, é o diretor do Instituto Brasileiro de Museus. Está nas mãos dele, em grande parte, a missão de contentar grandes e pequenos museus do país. É criticado de um lado por não ser ligado às artes visuais. Mas recebe elogios, de outro, pela tentativa de organizar o setor de museus no país.



Em entrevista à Folha, no dia em que deu posse ao conselho do Ibram, Nascimento Júnior se defende de acusações de uso eleitoreiro da máquina do Ministério da Cultura, esclarece o conflito em torno dos modelos de gestão estaduais e afirma que o novo fundo para o setor de museus, aliado à reforma da Lei Rouanet, não terá efeito “catastrófico”. Leia a seguir alguns trechos da conversa. (SILAS MARTÍ)




MASP. São Paulo



FOLHA - A maioria dos museus depende de recursos incentivados. A reforma na Lei Rouanet não vai gerar patrocínios e travar instituições?



JOSÉ DO NASCIMENTO JÚNIOR - Esse teto de 80% aponta para um campo em que o incentivo não pode ser 100% para todas as áreas. As empresas têm de entrar com dinheiro bom, e eu não vejo a possibilidade de secar a fonte, porque a área de cultura dá uma visibilidade interessante às empresas. E a nova lei também cria uma série de fundos. Sempre há medo, mas o ministério vai estabelecer regras de transição. Não vai ocorrer um impacto catastrófico.



FOLHA - Não é utópica a ideia de descentralizar os recursos e financiar museus em todo o país?



NASCIMENTO JÚNIOR - A concentração de instituições culturais no Brasil não passou da linha do Tratado de Tordesilhas, e o Brasil hoje é a sexta maior rede de museus do mundo. É importante entender que o museu é a unidade básica de memória. Há uma demanda real no país por mais museus. As pessoas também precisam enxergar o Brasil como um todo, não a partir de São Paulo ou do Rio. Tem que entender o país na sua complexidade e na sua profundidade.



FOLHA - Mas, nessa descentralização, grandes museus temem que vão perder recursos na divisão com milhares de instituições minúsculas.



NASCIMENTO JÚNIOR - Os grandes vão ser tratados como grandes. As megaestruturas sempre foram muito bem tratadas em detrimento das pequenas. Nunca foi o contrário, até porque a visibilidade foi sempre em direção aos grandes. Precisamos ampliar o número de recursos, não ficar numa linha do meu pirão primeiro. Temos que tratar em cada âmbito. Governos estaduais e municipais também têm de ter suas políticas.



FOLHA - Essa nova estrutura, no entanto, não pode dar margem ao uso eleitoreiro da máquina estatal?



NASCIMENTO JÚNIOR - Se a gente fosse eleitoreiro, estaria investindo onde tem concentração de voto, mas estamos mostrando que o Brasil é mais complexo do que essas regiões. Quem for ao Brasil profundo dialogar com Estados como o Piauí, Maranhão, Acre, Roraima vai ver que tem necessidades que a estrutura que nós herdamos do Ministério da Cultura não nos permitia atender. Nós refundamos o ministério e hoje ele é uma estrutura garantidora do direito cultural.



FOLHA - Como será resolvido o impasse em nível estadual, com organizações sociais com diretores que não podem ser remunerados, de acordo com o Estatuto de Museus?



NASCIMENTO JÚNIOR - É um equívoco interpretar o estatuto como sendo restritivo a isso. Se você pegar três, quatro juristas, cada um vai dar um parecer diferente sobre isso. São Paulo não necessita fazer disso um cavalo de batalha. Estamos caminhando para regulamentar. Temos de fazer esse debate com tranquilidade, sem estrelismos ou visões apaixonadas.



FOLHA - Mas esse esquema em nível estadual mais a estrutura federal não leva a um possível inchaço da máquina estatal, como no Ibram?



NASCIMENTO JÚNIOR - Não temos uma megaestrutura. São 40 cargos. O restante deles foi criado para reforçar a estrutura dos museus federais. São 470 pessoas, funcionários públicos de carreira. E vamos ter concurso agora para 260 funcionários, parte em Brasília e parte deles nos museus federais.