22.6.10

Centro de Memórias: trabalho em progresso



( O Caso do Museu do Trabalho Michel Giacometti )

Sessão de trabalho com voluntários, a uma terça-feira, no Centro de Memórias, com Edite Barreira. socióloga que colaborou na fase inicial do projecto
Visionamento de fotografias do Arquivo fotográfico Américo Ribeiro








Os trabalhos da Memória Social, centrados no método biográfico e os caminhos do Património imaterial, são a trama que escolhemos para substantivar a ideia de museu. As dimensões sociais da memória, sua construção e representação, são a espessura do tecido expositivo. A especificidade do fazer museológico na contemporaneidade assemelha-se a uma renda fina, a um entrelaçar meticuloso de  fios que escorrem do tempo, a uma admirável renda de muitas agulhas, trabalhosa e complexa, feita de abertos e fechados (de memórias e esquecimentos). As repetições e as simetrias são a cadência que a perpetua, a gramática ritmíca que lhe dá corpo. Um corpo fluído, uma peça única, circunstancial. É sempre possível, com os mesmos fios, criar novos padrões, novas composições. Feita com preceito, feita como deve ser, esta renda de memórias e esquecimentos é sempre uma admirável criação,  uma teia de espantos que expande o imaginário, gera valor e alimenta a inesgotável reserva de saberes, valores e crenças da comunidade.

Abandonamos aqui a metáfora em que nos fomos enleando para, de forma pragmática, falar dos exemplos práticos. O Centro de Memórias do Museu do trabalho Michel Giacometti, imbuído da forte convicção de que tudo nasce do trabalho de terreno, desenvolveu ao longo de duas décadas, formas de registo e transmissão de memórias, especialmente memórias ligadas ao trabalho e às cadeias operatórias de fabrico em meio industrial e oficinal, mas este projecto só começou a "ganhar corpo" há cerca de quatro anos, no momento em que começámos a estar apetrechados com as ferramentas práticas e teóricas para o efectivar. Quando pudemos sistematizar conceitos, nomear as distintas fases, identificar os processos e reunir os meios necessários para rotinar e articular entre si. projectos - âncora que foram emergindo das dinâmicas criadas entre o museu, as comunidades locais, as Universidades, Institutos e Centros de Estudo.

Passemos então à descrição de alguns desses projectos- âncora e das metodologias que ensaiámos:

"Varinos, nós ?" , foi o primeiro desses ensaios, realizado em parceria com o departamento de Antropologia da Universidade Nova de Lisboa. Neste caso reinventou-se uma ferramenta clássica da Antropologia, o parentesco, enquanto rede nuclear de transmissão de memórias  no seio de cinco famílias de origem murtoseira, que engrossaram o lastro migratório de Setúbal nos primórdios da industria conserveira.  Este aturado trabalho de campo resultou numa exposição com o mesmo nome e na edição dos documentos visuais que lhe serviram de suporte, meio privilegiado de interlocução, com os diversos públicos e os membros das famílias que integraram a rede de informantes. Os objectos expostos, escolhidos criteriosamente, resultaram de uma negociação e representam o que dentro de cada família simboliza o legado murtoseiro dos varinos que, no final do séc XIX, vieram para Setúbal, em demanda de trabalho. São ícones de uma cultura, objectos "falantes", que se constituem  patrimónios pela acção das pessoas da comunidade e dos processos museológicos e/ ou expositivos que lhe conferem discurso, numa dinâmica relacional de redescoberta de sentidos. Este trabalho revela-se primordial para a compreensão da missão do museu e das ferramentas com que este opera. As pessoas da comunidade são implicadas nos processos de identificação e patrimonialização dos bens materiais e materiais que compõem o caldo cultural.  Mais do que "recurso",tornam-se "agentes" da acção museológica. O museu ganha novas dimensões de comunicação/ acção, expande-se. O colector é assim, colectivo e a decisão de patrimonializar é partilhada, discutida desde a sua génese. Os objectos, quando voltam para casa das pessoas, para as famílias, já não são os mesmos. Voltam, porque o objectivo do museu não é acumular objectos "mudos" em reserva, mas antes conferir-lhes uma nova vida, novos usos culturais  no seio da própria comunidade, criando redes e cumplicidades em torno da ideia de património e do valor estruturante da memória.





Rosa Almeida, anciã de uma das famílias de " varinos ", na visita à exposição, onde ela própria nos mostra a fotografia da mãe que segura cerimoniosamente na ponta dos dedos.




 Varinos, nós ?
Como musealizar um sentimento ...


“O objecto só tem existência no gesto que o torna tecnicamente eficaz
( A . Leroi – Gourhan)


Mas então que objectos eram esses "oferecidos" em exposição ? Que gestos ou, mais precisamente, que gestualidades, os tornam significativos?  Para que narrativas nos remetem ? Que subtilezas lhes conferem emoção? Como musealizar um sentimento... eis a questão.

O desafio era gerar conhecimento e suscitar inquietação relativamente a uma categoria identitária – " varinos", marca indelével na paisagem humana de Setúbal, aparentemente cristalizada num beco histórico. Ora, tendo como lastro o aturado trabalho de campo realizado por Marta Ferreira e Ricardo Lousa, finalistas de Antropologia da Universidade Nova de Lisboa, em estágio académico no Museu do Trabalho Michel Giacometti, procurámos transpor para uma linguagem museográfica, um dos aspectos mais interessante deste estudo: “ um sentimento varino “, algo difuso, de difícil definição, desgastado pelo tempo, de que nos falam algumas pessoas, de várias gerações, ligados a famílias de origem murtoseira que migraram para Setúbal desde meados do século XIX, em demanda de trabalho nas pescas e nas conservas de peixe.
Esta categoria identitária, tantas vezes patenteada num pitoresco “ bilhete-postal” carece de redefinição. Carece de perguntas para as quais raramente encontramos respostas nas palavras ditas. Hoje, quando perguntamos aos nossos informantes, o que é e como se distingue um varino, reportam-se a coordenadas de espaço/tempo – alguém que habita algures entre as Fontainhas e o Bairro Santos, que tem ascendentes na Murtosa, que vivia de certa maneira, segundo certos princípios... hoje, muito difíceis de identificar, quase impossíveis de materializar expograficamente.
A questão está em que os tempos mudaram e a ideia idealizada do pescador “bilhete postal” de camisa de xadrez e de boné, também se alterou. Sem estes sinais exteriores, urge questionar que auto-representação têm os mais jovens desta suposta identidade varina, que imagem têm os setubalenses, em geral, do tão aclamado pescador de Setúbal de origem murtoseira.
Pergunta-se mesmo à laia de provocação – constituiria motivo de interesse etnográfico, pretexto fotográfico, bandeira turística ou tema patrimonial, um jovem pescador que de manhã navega no rio e à tarde na internet? Alguém aparentemente indistinto, que usa calças “ Lois”, polos “ Lacoste “ e óculos “ Ray Ban ” cabe no nosso imaginário de pescador? Em que cartografia da memória se inscreve este homem? Em que paisagem humana o fantasiamos? Que futuro lhe vaticinamos? E ele, como se sentirá neste tempo ambíguo?
Esta personagem, paradigma de muitas outras, não é uma ficção, tem uma existência real na comunidade marítima local, sintetizada na história de vida do elo mais jovem de uma das cinco famílias de varinos por nós estudadas.
Por imposição dos tempos, por mimetismo social, em resposta a novas necessidades e funcionalidades da vida moderna, este pescador de novo tipo, cortou as amarras com os estereótipos, perdeu definitivamente os sinais exteriores de exotismo, ditados pelo vestir, pelo falar e pelo estar. Habita um outro espaço na cidade e no imaginário, portanto é dentro de si próprio que temos que ir descobrir o tal “ sentimento varino “que vem à baila, quando nos fala da infância no bairro, dos magotes de rapazes que percorriam a pé a cidade, dos tempos passados com o pai na pesca, da ritualização dos costumes, do bater das cartas nas tabernas. É alguém que se sente filho do mundo contemporâneo, membro da comunidade global, mas ciente e seguro de uma origem determinada que o engrandece e âncora a um passado marcante. Falou-nos do alto dos seus trinta e cinco anos de idade, da enorme vontade de deixar tudo (actualmente é mestre de rebocadores), e seguir as pegadas do pai, investir na velha embarcação da família, uma barca chamada “ Alice dos Santos “ (nome da avó), vezeira nas Festas da Tróia e zarpar, mar dentro, a capturar chocos, lulas, linguados, etc., seguindo a tradição da família, sem abdicar da companhia do moderno PC portátil que o atira para as velozes ondas do mundo, quando as águas do rio estão mais paradas e o peixe teima em não aparecer.
Assim, voltando à inquietação: como musealizar um sentimento ..., neste caso “um sentimento varino “, optámos por pedir a cada família que escolhesse um objecto significativo da herança varina, com o intuito de apresentar cinco objectos com “ estória “. Surgiu um problema – homens e mulheres não convergem nessa escolha. Então mudámos as regras e combinámos expor dois objectos por cada família, um escolhido pelos homens e outro pelas mulheres. Também cada família retirou do álbum as fotografias mais significativas para expormos no museu. Tudo foi legendado com a participação dos nossos interlocutores e na sua forma de contar. Mas alguns, sobretudo os mais velhos, não sabem ler... assim filmámos, para acesso visual, o que nos disseram sobre os respectivos objectos, as significações e gestualidades associadas. Então, foi muito interessante descobrir o que, nem sempre, as palavras explicam. A exemplificação gestual do uso de um simples xaile preto de merino, com franjas de seda, guardado há cerca de noventa anos, no seio de uma das mais antigas famílias, mostra-nos que este assume distintas formas de se fazer ao corpo, consoante a ocasião e a disposição. Uma linguagem simbólica subtil, provavelmente um traço da identidade varina (a confirmar em estudos comparados), reconhecido entre as mulheres da comunidade, passado de geração em geração, num vendo/fazendo quase mudo, que se vai entranhando. Uma memória singular, sedimentada nos gestos : - “o xaile para o dia-a-dia”, caído pelo corpo sem artifícios ; “o xaile para festa”, alegre, descaído sobre os ombros; “o xaile para a missa” e o “xaile para sentimento “ que, em sinal de respeito ou de luto, tapa a cabeça e aconchega a dor.

Os objectos nesta exposição foram apresentados como fragmentos de um "relicário"de família, mote para desfiar estórias, contornos de um “sentimento varino “ que se vai transformando.




Outro ensaio, outro caso que aqui trouxemos como exemplo de um projecto nesta área, é o da exposição "13" , que constituiu o acto público de apresentação e discussão dos objectivos e metodologias do Centro de Memórias, neste caso tendo por base fotografias do Arquivo Municipal Américo Ribeiro que, tal como o museu do Trabalho Michel Giacometti, integra a Divisão de Museus da Câmara Municipal de Setúbal.









"13 Fotografias, 13 Estórias, 13 Filmes"



"Ninguém é igual a ninguém. Todo o ser humano é um estranho ímpar."

Carlos Drummond de Andrade



As fotografias foram o rastilho que incendiou a memória. Poderiam ter sido cem ou meia dúzia, mas como tudo tem um princípio, decidimos apostar no 13, esconjurar a crença no infortúnio, provocar o estremecimento, registar o encontro entre o instante aprisionado na imagem e as imagens instáveis, conflituantes, que a memória vai construindo e reconstruindo dentro de um certo tempo, referenciado a um certo espaço; ouvir falar de desencontros (que são pontos negros na História), descerrar o sofrimento, criar cumplicidades, reconhecer o trabalho e as lutas que traçam a diferença, sorrir às hesitações, aos lapsos e “esquecimentos” que a memória tece; jogar na metáfora do número a ambiguidade de sentidos que atravessam a imagem (também as alegrias e as suas celebrações), captar na singularidade de cada ponto.de.vista, o estranho ímpar que é todo o ser humano. Este projecto, catalisa o espanto, individual e colectivo, que assenta na descoberta de uma cidade nunca vista, sobre certos pontos.de.vista. Trata-se de criar com os parceiros e voluntários, uma nova e sofisticada cartografia do património, subjectiva, plural e diversa, reconstituída a partir das pessoas e dos seus mundos. O que aqui se apresenta é uma infinitésima parte do que temos recolhido, mas fica o exemplo, a síntese, o mote para a criação de um centro de memórias que registe metodicamente o que está para além das evidências. O que nos torna ímpares, estranhamente diferentes, entre iguais.

Este projecto está em progresso. A exposição tornou-se itinerante, circulando por espaços formais e informais de exposição, como bares, escolas, espaços municipais, colectividades, entre outros.

Os materiais resultantes da recolha em curso, vão engrossando a base de dados sobre património imaterial e Memória Social e constituem um forte incentivo para estudos nesta área. As parcerias e protocolos que temos vindo a realizar com universidades publicas e privadas, como a Faculdade de Belas Artes de Lisboa e o IADE-Instituto de Artes Visuais, DesignMarketing, permitem articular, teoria e prática, criando redes intergeracionais muito activas de prospecção e inventariação do património. Juntam-se à mesma mesa, pessoas com diferentes competências, diferentes vivências, diferentes perspectivas sobre os "usos" sociais destes bens da comunidade.



Acervo documental acessível

Este projecto de recolha e registo de memórias orais teve como ponto de partida as fotografias de Américo Ribeiro, arquivo municipal que faz parte do património cultural e artístico de Setúbal.

Para conseguirmos chegar a esta síntese, apresentada sob a forma de exposição e filme, foi necessário um longo e intenso trabalho de retaguarda, que teve início em Outubro de 2007 e que continua a decorrer. Até ao momento, foram trabalhadas 398 imagens, das quais 94 versam o Vitória Futebol Clube; 196, a cidade e as pessoas; 27, as fábricas de conservas e 81, a Batalha das Flores, entre outras festas e ritos. Neste percurso, recolheram-se histórias de vida, memórias, criaram-se afectos e gerou-se conhecimento. Constituíram-se redes interpessoais envolvendo os museus e os diferentes grupos na comunidade, contribuindo para atenuar as barreiras sociais e intelectuais que ainda hoje inibem algumas pessoas de entrar nos museus e aceder a bens culturais e patrimoniais, que são pertença de todos. Com este trabalho buscamos a aproximação entre a comunidade, os museus, os patrimónios e aproveitamos a irrepetível oportunidade de recorrer a informantes que foram contemporâneos de acontecimentos fotografados por Américo Ribeiro, tornando-os narradores da sua própria história.

A valorização dos saberes e experiências de vida dos membros da comunidade, sistematizados em forma de documentos acessíveis aos públicos e investigadores, permite-nos acrescentar aos espaços museológicos uma outra dimensão de pesquisa, baseada na escuta e no compromisso com os cidadãos, humanizando o leque de serviços dos museus e os conteúdos do património imaterial.
Este tipo de trabalho agencia (traz para a ribalta), os mais velhos, facto que constitui uma enorme mais-valia para toda a comunidade e para eles próprios. Estas pessoas, na sua maioria reformadas, podem dar um tempo precioso à pesquisa. A questão está em identificar interesses e necessidades, discutir os objectivos e as respectivas metodologias de trabalho. É um trabalho que comporta uma rotina, no caso concreto sessões semanais, à terça-feira de manhã.  Os voluntários acompanhados por técnicos do Arquivo fotográfico Américo Ribeiro e do museu, vão visualizando e comentando fotografias antigas, previamente seleccionadas, a partir de temáticas que têm a ver com a cidade, as alterações na paisagem urbana, os ofícios, as festas, as casas, as ruas, entre outras, que permitam reconstituir modos de vida, sistemas de valores e representações que configuram episódios e acontecimentos que marcaram a vida das pessoas e da cidade. Este precioso (meticuloso) trabalho tem-nos permitido constituir uma extensa base de dados, com centenas de entradas, legendas alargadas das fotos que são também uma expressiva galeria de narrativas visuais situadas. Lugares mentais que ficam registados (fichados) em módulo de escrita e imagem, para memória futura, com o regozijo dos seus coautores. A vontade de rigor e o prazer em corresponder é tal que estes pesquisadores da comunidade, organizam-se em pequenos encontros de esplanada de café, ou em colectividades, para tirar dúvidas e rever matéria, nem que para tal tenham que passar horas a fio na Biblioteca Municipal e/ou nos Arquivos, a confirmar datas e a confrontar conclusões. è também um trabalho terapêutico, é como voltar a estudar, é estar vivo.




Tratamento das fotografias realizado por Bruno Ferro, técnico de fotografia e por Maria José Madureira, voluntária no Arquivo Américo Ribeiro.



Uma outra área que reportamos de primordial importância tem a ver com as memórias da resistência, caminhos e des.caminhos que muitas famílias locais foram obrigados a traçar para enfrentar a ditadura. Trata-se de um trabalho sensível, de intenso recorte político, que carece de exaustiva pesquisa e respeitosa escuta. Parte destas memórias, já afloradas na exposição "13", antes citada, estão a ser recolhidas e sistematizadas para memória futura. São uma espécie de exorcismo sobre uma parte da nossa História que teima em manter-se recolhida num ilusório apaziguamento. São memórias difíceis, mas também heróicas que merecem ser contadas e re.contadas, sobre vários pontos de vista. Os relatos recolhidos são sínteses individualizadas da História deste país, amargamente vividas por famílias da comunidade, que desaguam no mar imenso da luta dos povos pela liberdade e pelos direitos humanos que não podem, não devem, ficar suspensos numa espécie de limbo de silêncio, cativos do medo.








Cartografias da Memória, deu nome a uma Tarde Intercultural, realizada em Novembro de 2009, no Museu do Trabalho, em Setúbal, com o objectivo de discutir alguns projectos - âncora, em Portugal, Espanha e Brasil, que se ocupam do Património Imaterial e da Memória Social, como eixo estruturante de acção museológica. Esta designação remete para a necessidade imperiosa de mapear os lugares, as instituições e as imagens que ancoram as memórias e lhes conferem lastro. Também serviu para discutir metodologias de recolha, tratamento e divulgação de estórias de vida que constituem exemplos vivos de resistência. Este evento, em que participaram museólogos e técnicos de Património, portugueses e estrangeiros, foi realizado em parceria com a Associação Abril e contou com a presença de " Memória Média ", uma exemplar plataforma virtual de projectos e estudos sobre oralidade, cultura, memória e identidades, disponível em http://www.memoriamedia.net/
Este projecto é avalizado pelo IELT, Instituto de Línguas e Literaturas Tradicionais, da Universidade Nova de Lisboa.


Nª Srª do Rosário de Troia
Uma festa de devoção




Para memória futura. Festa de Nª Srª do Rosário de Troia, círio marítimo, Agosto de 2007



A imagem de Nª Sª do Rosário de Troia a ser colocado no barco que a transportará à outra margem, em Agosto de 2007, ano em o Museu recebeu recebeu o equipamento de registo de imagem e som



Outro projecto que estamos a desenvolver há cerca de seis anos é o estudo sobre a Festa de Nª Srª do Rosário de Tróia, um dos únicos círios marítimos em Portugal. Esta festa de Verão, em pleno Agosto, marca o ciclo anual das pescas.  A Festa de Tróia, constitui a celebração de referência da comunidade varina de Setúbal, ligada umbilicalmente ao Museu e ao bairro que o circunda.  O edifício, sede do museu, ele próprio uma antiga fábrica de conservas de peixe, simboliza o que fisicamente resta desta industria. As memórias e testemunhos recolhidos ao longo destes anos, remetem para o sistema de representações, ritos e crenças que formam a matriz identitária da comunidade e a base do trabalho museológico, o seu " Caderno de campo virtual ".

Ao longo destes anos de trabalho de campo, fomos progredindo nos meios de registo e no âmbito da própria investigação. No primeiro ano, partimos para o terreno como observadores, livres de qualquer forma de registo, o objectivo era apenas estar com as pessoas, participar nas tarefas mais elementares da festa, acompanhando para tal a comissão organizadora e seguindo os passos. Foi um ano de entrosamento e escuta silenciosa (cerimoniosa). Nos anos subsequentes, de 2006 a 2009, após várias sessões de trabalho e encontros realizados no museu, entre famílias de maritimos, de Setúbal e Murtosa, começámos a recolher histórias de vida e filmámos, em diferentes fases, cerca de 17 horas de sequências e episódios que têm a ver com os processos de implantação da festa, as sucessivas adaptações, as reacções e negociações com os promotores do complexo turístico Troia Resort. Para além de corresponder à imperiosa necessidade documentar e discutir estes processos, procuramos incluir os actores na acção, implicando a comunidade na realização de exposições, na recolha de informação e nos projectos de cooperação entre famílias que estavam separadas, em alguns dos casos há quase um século. Existem muitos tios, avós , primos, cunhados, entre outros, que tinham perdido o rasto. Este caminho de reencontro é muito forte. A festa está rejuvenescida, no Verão, em Agosto, é na festa que se encontram muitas das famílias que têm parentes nos Estados Unidos, nomeadamente em New Bedford. A relação espaço tempo, os usos sociais desta celebração a sua continuidade e/ou adaptação aos novos modelos é um dos desafios deste estudo. Com os materiais de filmagem captados, foram realizados dois filmes (dois documentos visuais) de referência deste trabalho, que passam várias vezes no museu, em contextos pré-definidos e também em reuniões familiares, na medida em que a comissão de festas tem cópias que usa nestas circunstâncias.

Este trabalho, está em progresso, longe de estar finalizado, embora tenha sido pontuado, ao longo destes anos com vários momentos de exibição e reflexão, sempre com a participação de membros da comunidade, estudantes, fotógrafos (nomeadamente Sérgio Jacques), jornalistas, investigadores sobre a temática das festas de marítimos ao longo da Costa portuguesa e dos círios.

A festa de Nª Srª do Rosário de Tróia é um dos projectos-ancora do Centro de Memórias e um extraordinário reservatório de estudo.


Vitoria Futebol Clube 100 anos _ o primeiro da República



Maria Miguel Cardoso, antropóloga da equipa do Museu do Trabalho Michel Giacometti, pivot neste projecto do Centro de Memórias, na sede do Vitória Futebol Clube, confrontando in loco elementos observados com os testemunhos dos voluntários Rogério Carvalho (à direita na imagem) e Raúl Gamito, antigos dirigentes do Clube centenário



Actualmente o Centro de Memórias está a trabalhar no projecto de investigação sobre o Vitória Futebol Clube, instituição icónica na cidade que comemora este ano um século. Um clube que nasceu em 1910, a 20 de Novembro, no esteio republicano. Neste caso concreto,  voltámos a trabalhar o riquíssimo manancial de fotografias do Arquivo Municipal Américo Ribeiro, em cooperação com o grupo de voluntários, eles próprios antigos dirigentes do VFC.
"100 anos, 100 fotos", foi o lema para este trabalho que começou há cerca de meio ano, num desafio contínuo e persistente de olhares sobre os diversos ângulos das imagens e os lances que a memória registou muito para além do tempo fotográfico e do limite visual aparente das quatro linhas da fotografia. O reportório de estórias meticulosamente registadas, sob orientação da antropóloga Maria Miguel Cardoso,  constitui a matéria prima, da exposição " Vitória de Setúbal 100 - O Primeiro da República", patente na feira de Sant`Iago em Setúbal, em pleno verão.


A equipa: redes, cumplicidades e articulações





A equipa do Centro de Memórias do Museu do Trabalho Michel Giacometti, articula-se transversalmente com outras áreas do museu, nomeadamente com o Centro de Documentação, que trata e disponibiliza os documentos visuais; a área de exposições e publicações e o serviço educativo.

Deste trabalho no terreno têm resultado parcerias informais com associações locais, centro social, paróquia, assim como protocolos com universidades, institutos e outros museus, em Portugal e no estrangeiro, sendo disto exemplo o protocolo que acabámos de firmar com o Museu de Sibiu na Roménia, igualmente interessado no estudo das memórias e das identidades, trabalho referenciado, de recorte antropológico, em alguns aspectos convergente com o do Museu do Trabalho Michel Giacometti.






A dimensão Social e política da Memória e do Património


A mudança de paradigma relativamente à noção de memória e aos usos sociais do património, dá-se nem tanto por via da distinção, em nosso entender meramente operatória, entre património material e imaterial, mas sobretudo através da consciência crescente de que cabe à sociedade tomar como referência patrimonial as pessoas e suas vinculações à memória e identidade. As decisões sobre
Ulpiano Toledo Bezerra de Meneses, uma das vozes mais respeitadas no campo da historia social e património cultural, convidado para a conferência de abertura do VI Seminário Nacional do Centro de Memória da Unicamp, em 2009, Campinas (Universidade Estadual), afirmou que o campo dos valores culturais não pode ser tratado como um mapa com fronteiras demarcadas, rotas seguras e pontos de chegada precisos, lembrou que “Estamos perante uma arena de confronto, um campo eminentemente político, no sentido da gestão compartilhada, onde há o debate, o consenso, o dissenso e o conflito."
referido em http://www.unicamp.br/unicamp/divulgacao/2009/10/15/ulpiano-meneses-atenta-para-mudanca-do-papel-do-estado-na-preservacao-do-patri


Na verdade, não existem patrimónios inócuos nem "estórias" de um só sentido, todo este campo da memória social e do Património Imaterial é fluído e assumidamente polissémico,  na maior parte das vezes conflituante, daí que só faça sentido trabalhar a noção de património em rede e a várias vozes, na lógica de uma construção permanente, onde o contraditório ressalte, pois é aí que reside a vitalidade do sistema e o seu fulcro criador.
Quantas "cidades" há na cidade ?





Resumo

O Centro de Memórias, formalmente apresentado no início de 2009, aquando a exposição "13 fotos, 13 estórias, 13 filmes", é hoje uma área-chave do Museu do Trabalho Michel Giacometti. Os projectos fortemente alicerçados no trabalho de terreno, são a base deste Centro de Memórias e as parcerias que dele emergem, a rede que o sustém. Neste artigo abordam-se projectos iniciados há quatro anos, como é o caso de "Varinos, nós?", uma inquietante deriva sobre a construção de categorias identitárias, com recurso ao parentesco e ás genealogias familiares. Outro projecto designado "Cartografias da memória" remete para lugares e imagens que são âncora de memórias da resistência. A "Festa de Nª srª do Rosário de Tróia", o círio marítimo, que o museu acompanha há cinco anos nas suas múltiplas transformações e adaptações, constitui outra das áreas de estudo e observação, amplamente registadas no "Caderno de campo virtual" que temos vindo a criar e a partilhar através do "Memória Média", em cooperação com o IELT, Instituto de línguas e Literaturas Tradicionais, da Universidade Nova de Lisboa. Finalmente, refere-se o projecto "100 anos, 100 fotografias", revisitação  dos 100 anos do clube mais emblemático de Setúbal: o Vitória Futebol Clube.

Em suma

O Centro de Memórias visa ampliar o campo audiovisual do espaço e da memória e a produção social da subjectividade, criando um acervo documental acessível, ancorado em dinâmicas activas de inventário.   



Palavras-Chave

Memórias, Identidades, narrativas, diásporas, territórios, lugares, cartografias, inventário, participação





Bibliografia, artigos de referência e plataformas online




Memória e cultura material: documentos pessoais no espaço público, Ulpiano Toledo Bezerra de Menezes, Revista Estudos Históricos, Vol. 11, No 21 (1998), (p. 89-103), consulta online em:




CONNERTON, Paul. Como as sociedades recordam. Oeiras, Celta Editora, 1993.



LE GOFF, Jacques. História e Memória. Campinas, Editora Unicamp, 2006.


MENESES, Ulpiano T. Bezerra de. Do teatro da memória ao laboratório da História: a exposição museológica e o conhecimento histórico. Anais do Museu Paulista. Nova Série, São Paulo, v. 2, jan./dez. 1994.

MAYRAND, Pierre, Parole de Jonas: essais de terminologie de la Muséologie Sociale. Cadernos de Sociomuseologia, ULHT- Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, nº31. Lisboa, 2009

NORA, Pierre. Entre memória e história. A problemática dos lugares. Projeto História, São Paulo, n. 10, dez. 1993.

PAIS, José Machado, Sociologia da vida Quotidiana. Teorias, Métodos e Estudos de Caso. Imprensa de Ciências Sociais, Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, 2002




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Equipamentos usados na captação e tratamento de imagem:

1 Máquina de Filmar Sony DCR-VX 2100 Semi-professional
1 Máquina Fotográfica Pentax K10D

2 IMAC 1TB / MacOSX 10.5.8.        




Este projecto, tutelado pela Câmara Municipal de Setúbal,  foi apoiado pela Rede Portuguesa de Museus na aquisição de equipamento de filmagem e de fotografia e pela empresa " Engel &Võlkers " que ofereceu o equipamento informático e o softweare adequado (final cut)



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21.6.10

Instantes ...

    " A minha mãe ! "




  Museu do Trabalho Michel Giacometti
   (antiga fábrica de conservas de peixe "Perienes")





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15.6.10

29.5.10

Cerimoniosamente musealogando







Ali tomámos porto com bom vento.
Por tomarmos de terra mantimento.
Àquela ilha aportámos que tomou
O nome do guerreiro Santiago (10)

Os Lusíadas





Sabores mestiços



Segundo a consagrada tese oficial, a descoberta das primeiras ilhas do arquipélago de Cabo Verde (Santiago, Fogo, Maio, Boavista e Sal) deu-se em 1640, ainda em vida do Infante D.Henrique. As restantes sete achadas, Brava, S.Nicolau, S.Vicente, S.Antão, Santa Luzia e Ilhéus Branco e Raso em 1462. As ilhas foram encontradas desertas.

Os donatários, em especial Noli, com o apoio do Rei, iniciaram o povoamento por Santiago, com alguns genoveses e portugueses oriundos do Alentejo e Algarve e, provavelmente de outras áreas do país, talvez mesmo da região transmontana e dos Açores.

Com o povoamento das duas principais ilhas Santiago e Fogo introduzir-se- ão os elementos essenciais à vida do homem, permitindo minimamente a sua subsistência: numa primeira fase são levadas plantas e animais do continente fronteiro e de Portugal. Da Índia veio o coco que se aclimatou com sucesso nas ilhas e do Brasil a abóbora e a mandioca. O milho que viria a ser o principal meio de subsistência do Arquipélago foi trazido da América e a cana sacarina foi introduzida na Madeira e Cabo Verde e posteriormente levada para o Brasil. Do continente africano fronteiro veio o arroz.



Para os colonizadores, tornava-se difícil o problema da alimentação num arquipélago achado deserto e sem os produtos a que estavam habituados. Mas os portugueses foram-se adaptando às novas espécies que nela se iam introduzindo.

Com a chegada dos escravos, havia que agradar às duas culturas distintas nos seus hábitos alimentares.

É importante o contributo da mulher cabo-verdiana no Arquipélago. Ela revela uma grande capacidade criadora, no domínio da gastronomia cabo-verdiana, inventando e criando com os produtos da terra gostosos sabores mestiços.



A predominância do milho – face à sua boa aclimatação e fácil cultivo - conduz a um sistema culinário que de certo modo, pode parecer rotineiro e monótono. A mulher cabo-verdiana, com base neste cereal inventou uma série de pratos e bolos diversificados; tratando o milho com o “moedor” “ a pedra de rala”ou o “pilão”; Há o rolão, a papa, o xerem, o cuscuz (influência dos colonos algarvios) para se preparar o cuscuz; deita-se de véspera o milho na água, é moído no pilão na hora em que S.Antão é designada com um saboroso arcaísmo, por “manhana”, e com a farinha obtida deita-se no binde que vai a cozer em banho-maria. Assim se obtém o cuscuz, que é o pão dos pobres e também dos ricos e remediados, Há também o cuscuz de talisca (em que apenas varia a matéria prima, que neste caso é a crueira da mandioca; o de potona este só se faz na ilha das Boavista, réplicas cabo-verdianas do cuscuz de milho levado pelos colonizadores.

Há ainda fongo, (tradicional na Páscoa na ilha de S.Antão) fonguinho, gufongo, brinhola e batanca - espécie de broa. Em S.Vicente, na Ribeira de Julião, nas festas dos Santos populares Santo António e S.João, confecciona-se o tradicional milho em grão;

moreia de escabeche na Festa de Santa Cruz na Salamansa e guisado de capóde na Praia do Norte no dia de S.Manuel; a djagacida é um prato típico da Brava e do Fogo; ainda na ilha do Fogo prepara-se o gigoti para a Festa da Bandeira no dia do Santo padroeiro -S.Filipe; trutchida (comida para o dia de cinzas na ilha de Santiago). O milho aliado ou prentem tão útil nos momentos em que o pobre não dispõe de dinheiro para comprar combustível, gordura e os outros ingredientes para os restantes quitutes de milho; a camoca que se pode comer com leite ou mel de cana sacarina.



Mas entre os pratos preparados com milho, erigiu-se como soberana e incontestada no gosto do cabo-verdiano, a cachupa”.



Para casamentos temos o xerem de boda que não se prepara como o simples rolão de milho e é servido com guisado de capado ou de galinha.

Na ilha de S. Nicolau é tradicional o molho (modje) de capado ou com galinha, acompanhado com batata-doce, banana verde cozida, mandioca, inhame e abóbora tudo temperado com cebola, alho, tomate, malagueta, sal e azeite doce.

Quando há dificuldade na obtenção de carne o molho (modje) é confeccionado, só com legumes, tomando nesta altura o nome de modje de Manel Anton.

Outro prato bastante tradicional é o caldo de peixe que é apreciado por todas as classes sociais.

Na sua confecção entram várias espécies de peixe acompanhadas com batata-doce, mandioca, banana verde e num refogado bastante picante à base de malagueta. É tradição, depois de uma noite bem passada, a mesma ser rematada com caldo de peixe malaguetado para ajudar a “curtir” a ressaca.



A doçaria é bastante diversificada: com a papaia verde e madura fazem-se doces e compotas deliciosas.

Com o coco, mancarra, goiaba, mel ou açúcar a variedade de guloseimas é imensa. Encontram-se vendedeiras ambulantes que, como diz o escritor Gabriel Mariano enfeitam os tabuleiros de bolos de Santiago com papel de seda de várias cores, e embrulham os doces não só com requintes de gosto artístico mas ainda talvez inconsciente sentido de harmonia entre a cor e o paladar. O branco vivo e aberto para os rebuçados de hortelã-pimenta, cujo travo picante e frio obriga a abrir a boca e a distender os olhos; a cor-de-rosa suave e branda para o açucrinha de cacau ou leite, o verde-escuro ou grenat para as cocadas.

Não nos podemos esquecer dos saborosos licores de laranja, café, tamarindo e outros frutos do Arquipélago.

E para terminar sirvo-me do que escreveu o poeta e escritor Nuno de Miranda:



“Por mim, vos juro, à fé de quem quer: nada vou mudar! Estarei fiel, aos fins de semana, aos elementos da nossa cultura material, de volta do pilão de batida a dois paus, da mó de rebolo, grãos, sementes, café e frutos tropicais, valores constantes do meu lastro cultural, que vamos vivendo na distância da terra longe.

















Receitas



Milho em grão





5 Espigas de milho verde

100 Grs de linguiça da terra

¼ kg de abóbora

¼ kg de fava verde ou seca (neste caso tem de ficar de molho para se lhe tirar a pele)

2 tomates madur

Duas colheres de sopa de azeite doce

2 grãos de malagueta

1 ramo de coentros

1 “cabeça de cebola”



Raspam-se as espigas de milho para dentro de uma caldeira. Entretanto, corta-se a cebola às rodas, acrescenta-se o azeite doce, a linguiça cortada às rodelinhas, a malagueta e deixa-se fritar ligeiramente. Juntam-se os restantes ingredientes e acrescenta-se água suficiente para cozer.

Deixa-se apurar e depois de pronto, rectifica-se o sal e deitam-se os coentros picados.






Maria de Lourdes Chantre
autora do livro " Cozinha de Cabo Verde", Editorial Presença, 4ª ed., Lisboa, 2001














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O Museu do Trabalho e a Associação Caboverdiana de setúbal



Mais informações sobre a Asoociação caboverdiana de Setúbal http://www.acvsetubal.org/

4.5.10

TheElf Chant”, in the Labour Museum Michel Giacometti


Setubal, April 24th to July 3rd of 2010





















The Elf’s are shy, sensitive and innocent beings with a noble spirit…
They can sing, dance, do theater, dress gracefully
And create wonderful works of art made of spider web,
Dew and the shine of moonlight…

Hans Christian Andersen,



The “Elf Chant” in the Labour Museum Michel Giacometti in Setúbal, is a date request. The Museum wears a new kind of clothing to seduce and enchant. The “Elf Chant” is a call, a party that celebrates the joy of Life and the strength of Love expressed in Art. To this Celebration thirty three adults carriers of mental disability from APPACDM – CAO 1 of Setubal that are fully aware of the importance of the museum’s search for the Beauty and social harmony, got together, because themselves cheer a Pole of the Work Museum, an old Locksmith workshop, constituted in Museum.



Thinking about the comfort of these people, in their great generosity and in the practical conditions of realization, we talked with the board of the APPACDM about the necessary conditions of work. During the months of February, March and April they came to the Work Museum Michel Giacometti, accompanied by the respective monitors, to build one creeper that will unit all of the expositive spaces of the Museum. One great green creeper, with more than one hundred and fifty feet long, which the trunk is made from plastic empty bottles.



The “Elf Chant”, is an temporary exhibition, an elegy to the joy of living and an elegant celebration, drawn for the space of the museum, with the people and the institutions, that therefore got involved, threw several months, in the creative process. AT FIRST THERE WAS ONLY ONE IDEA, one title, one quote of H.C Andersen and the condition to make something happen that didn’t imply buying anything. All Imagination, all ability, all creation and no tricks involved. The result was quiet surprising. The exhibition can be seen in the Labour Museum Michel Giacometti, from April 24th, at three pm, integrates more than twenty works of great originality, made by simple creators, shy sensitive innocent beings with noble spirits, “touched” by the magic of Elfs.


This is, also, an exhibition with a didactic and reflection purpose. An watching exercise, an interrogation about the process of the artistic creation and the liberty of expression.

Correspond to the strong Will of breaking the bounds of all preconceptions.

Exalts the gift of creation and of their creators as the only act of supreme sincerity.

This project also takes as an museum exercise opened in a more wide participation and to the more bold questions.



The “Elf Chant”, is an idea from Nils Fisher, a citizen from the hometown of H.C Andersen, designer, friend of the Labour Museum, believer of the Magic from the Elfs and of his playful way. The idea grew, to it attached the creeper, and other “creepers” followed the steps, and the impossible happened. The result was surprising. Nobody can be indifferent.



Until the moment, are associated to the “Elf Chant” the following people and institutions:

APPACDM-CAO 1 from Setubal, Regional Prison Establishment from Setubal, Dom Manuel Martins High School in Setubal, Bela Vista Basic 2,3 High School in Setubal, S. Sebastian Community Center in Setubal, Childs Coral in Setubal, Basic School and Kinder garden of the Angels Farm, as well as a lot of plastic artists and people from the own Labour Museum Michel Giacometti, that under the supervision of Luís Valente, are building a Giant red Heart, in the middle of the center of the Museum.















Labour Museum Michel Giacometti

Museu.trabalho@mun-setubal.pt

Telephone number 00351265537880



Setubal’s City Council





11.4.10

Uma reflexão muito pertinente (também para a Museologia ) , por José Gabriel Pereira Bastos - Prof UNL/ FCSH



No caso vertente e para o que eu chamo ciência antropológica integrada (há quem lhe chame 'transdisciplinaridade'), há que reflectir que as estratégias de (1) estilhaçamento da questão por uma dezena de disciplinas (2) de proposta de redução de todas à biologia, (3) ou de criação de uma hegemonia de um das 'disciplinas' sobre todas as outras (a economia, o 'interesse', em Marx; a nova sociologia, em Giddens; a língua, em Lévi-Strauss e Lacan; o cérebro, na nova neurologia; a lógica binária, em Jakobsen; a ciência política, o 'poder', em Foucault, etc.) se esgotaram.


Esgotaram-se ao ponto de que, na minha visão, estamos a assistir à morte das ciências antropológicas 'modernas' (a começar pela Psicanálise, pela Antropologia, pela Sociologia e pela Ciência Política), á substituição da Política pela Filosofia Política e pela 'Ética' (Direitos do Homem, os cientistas sociais postos ao serviço da Governância, da Difusão de 'boas prácticas', etc.) e ao concomitante retorno da religião, da filosofia, do cognitivismo do século XVIII (Lpcke, Hume, etc.) e do ensaísmo 'pós-modernos' como forças sociais, bem como a uma regressão a perspectivas dos séculos XVIII- XIX, nomeadamente na vossa área (museologia, etc.), com o retorno do projecto 'universal' de 'descrição fenomenológica', de enciclopedização fragmentária, temática e categorial, bem como de museologização de todos os 'outros' (exteriores ou 'ultrapassados'), com completa cegueira para a acção do 'nós' WASP (White, Anglo-saxon, Protestant), agente organizado da Frente Anglo-Americana (suas ex-colónias brancas, do Canadá à Índia e à Austrália). que vem a conduzir desde os anos 40 a estratégia Imperial USA, isto é, a história da descolonização e da substituição da 'guerra fria' e, mais tarde, pelo 'choque das civilizações', que já nos deu duas Guerras Bush.

O que indicia que reentrámos numa nova fase de euforia celebratória do 'Ocidente' (um retorno do desacreditado 'evolucionismo'), a que chamámos 'globalização' + pós-modernidade (uma fase cheia de contradições que exigirão novas mudanças, fase esta de 'orgulho branco' que pode originar a emergência de um novo Nazismo, como a evolução da demografia política mostra).

Integrar implica questionar a estratégia 'burguesa' ('racional', temática) de estilhaçamento disciplinar, o que Marx, no século XIX e Freud, no século XX, fizeram. Partindo de um 'organizador' (a 'alienação', tanto em Marx como em Freud( atravessaram todas as didsciplinas relevantes. Quando morreu, Marx estava a integrar a antropologia e a biologia darwiniana no seu modelo, depois de cruzar a filosofia, a economia, a história, a ciência política e a teoria das artes. Quem leu a autobiografia de Freud (1925) e o texto anexo (A questão da análise leiga) percebe que esse era o projecto de Freud (não era um projecto clínico-terapêutico era um projecto de integração da teoria antropológica, compatível com o de Marx mas mais avançado, dada a integração de novas variáveis (inconsciente, narcisismo, processos identitários) que resolviam alguns dos impasses de Marx e levavam à revisão da ciência política. No seu modelo tridimensional, Marx articula a biologia com a economia (nível 1), a sociologia com a sua sociopatia política (nível 2), e a política com a alienação ideológica (nível 3), usando como Laboratório História politica. No seu modelo tridimensional, Freud articula a biologia com o desejo e com a acção delirante (fantasmática) (nível 1), a ambivalência face à razão e às relações estruturantes (microfamiliares e políticas) com os mecanismos de defesa do eu e com os delírios narcísicos (nível 2) e a repressão superegóica dos sujeitos com a criação de 'culturas' perspectivadas como delírios organizados de longa duração, capazes de criar esse equivalente colectivo dos Egos que são os Estados-Nações, os 'grandes homens' da Humanidade (nível 3), usando como Laboratório a articulação entre as histórias de vida e a história cultural.

Não remete para a 'vida que flui' dos pós-modernos (Deleuze, fluxos, rizoma; Appadurai, 'paisagens', etc.) mas para um modelo científico do drama antropológico que se questiona sobre o modo de contornar a alienação dos modelos transcendentais (a 'Razão', dos Iluministas; a 'Idéia', dos Românticos; a 'Sociedade', dos secularistas sociológicos, a 'Cultura', dos Hegelianistas, a 'posição de classe', de Marx; a 'Lingua' dos põs-saussurianos, o 'olhar do Outro', de G. H. Mead e de Goffman; o 'Simbólico', de Lacan, etc.) e ultrapassar o enorme desvio sistemático entre os Ideais e as Prácticas, nos indivíduos, nas relações mas sobretudo na política.

É uma questão muito simples mas também muito complexa, que os pós-modernos visam destruir com os seus fluxos celebratórios, lúdicos, artísticos e imateriais... alimentando a velha compensação da 'emancipação' individualista de alguma categoria conveniente... para deixar tudo na mesma, no campo das grandes questões antropológicas (a começar pela Fome, pela Pobreza, pela Marginalização, pelo Racismo e Xenofobia, pela ameaça do Retorno dos Nazismos e pela invizibilização dos extermínios sociopáticos em curso de inúmeros 'povos primitivos', etc.).

Tento ser sintético mas a questão é simples mas altamente complexa, como é de esperar se o projecto for a integração estrural-dinâmica da Antropologia Geral, o que vai contra a corrente da alienação pós-moderna.







Fonte: http://www.facebook.com/event.php?eid=110256195664485&ref=mf#!/profile.php?v=wall&story_fbid=1257444675716&id=1217606982

9.4.10

Le 1er Mai, sera inaugurée, au Musée territoire de Carrapateira, l' exposition RIRES, le résultat d' une formation populaire assistée dont il existe un cahier de méthodologie et des compte rendus d' étape, soulement diverses problématiques dans Midi-express ( 2009 ). Le 12 avril sera inaugurée , à l' Écomusée du Fier Monde. l' exposition participative rálisée dans le cadre du cous ( Techniques et pratiques d' exposion, Programme d' animation culturelle, UQAM ) encadré par René: Deux formes de participation et d' appartenance à la muséologie sociale. Pour plus d' informations, vous adresser à Luisa et à René. Mentionons également la forte implication de la population dans un projet d´écomusée, aux Iles de la Madeleine ( Source d' information, René Rivard, Cultura ).




Pierre



À noter que le 13ème Atelier international du MINOM se tiendra à Amsterdam, fin juin. Pour informations: Ana Mercedes.

6.3.10

As Mulheres e a República






As Mulheres e a República” é o tema de uma conferência, a realizar HOJE, dia 6, pelas 16h00, no Museu do Trabalho Michel Giacometti, que aborda as perspectivas femininas no âmbito na República.

Um olhar pelos antecedentes da revolução, no período de transição entre a Monarquia e a República, sob o ponto de vista feminino, é uma das vertentes a abordar no encontro, que conta ainda com uma retrospectiva histórica dos percursos e caminhos retratados pelas e para as mulheres na República.

Isabel Lousada, investigadora em "Faces de Eva" – CesNova – Centro de Estudos de Sociologia da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova, dinamiza a sessão, que procura ampliar o conhecimento em torno das faces femininas nesta época.



A iniciativa cultural é acompanhada por uma sessão de pintura ao vivo pela pintora Pólvora d’ Cruz.



http://www.mun-setubal.pt/MuseuTrabalho/
A iniciativa é da BIG - Bobliotecas para a Igualdade de Género e a UMAR. Aconferência, integra o programa "Março Mulher", promovido, há vários anos, pela SEIES, em parceria com a CMS, entidades e associações de Setúbal que versam as mulheres e as problemáticas de género.

4.3.10

Património e museus nos modelos de desenvolvimento urbano. Os casos de Coimbra e de Salamanca

Autor: Tiago de Sousa e Vasconcelos Matos Boavida

Orientação: Pedro Casaleiro (Museu da Ciência da Universidade de Coimbra) e Fernanda Cravidão (Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)

Dissertação apresentada à Universidade de Coimbra para obtenção do Grau de Mestre em Museologia e Património Cultural

Ano: 2010. Tese defendida a 21 de Janeiro de 2010



Nota: Presidiu ao júri a directora do Mestrado, Doutora Irene Vaquinhas. Participaram os doutores Pedro Casaleiro (Museu da Ciência da UC) e Fernanda Cravidão (Departamento de Geografia da FLUC), na sua qualidade de co-orientadores. Arguiu a Doutora Alice Semedo (Departamento de Património

da FLUP).



Resumo:
Nesta dissertação de mestrado pretendi avaliar qual a importância do turismo, da cultura, dos museus e do património para as cidades, dos pontos de vista económico e social, assim como quais as imagens que, através desses meios, as cidades projectam para o exterior. Pretendi, baseado nos exemplos de Bilbau, Barcelona e Liverpool, entre outros, aferir até que ponto estes aspectos referidos podem ser centrais na estratégia de desenvolvimento das cidades, e da real possibilidade de serem âncoras de modelos de desenvolvimento urbano.


Elaborei um estudo comparativo entre Coimbra e Salamanca, avaliando até que ponto estas duas cidades ibéricas, tão próximas na sua história e evolução económica, podem estabelecer um modelo de desenvolvimento urbano com base no turismo, na cultura, nos museus e no património. Por via da observação directa, da administração de um inquérito e do estudo das duas cidades, tentei perceber se elas têm sabido, ou não, aproveitar as suas potencialidades nessas áreas e o que se projecta, nesse sentido, para o futuro.

in  http://nomundodosmuseus.wordpress.com

25.2.10

Tarde Intercultural no Museu do Trabalho
Sábado, dia 27 de Fevereiro, Das 15 às 18, em Setúbal










A inauguração da exposição de desenhos da pintora Pólvora da Cruz é o tempo de partida para a Tarde Intercultural que vai decorrer este sábado, no Museu do Trabalho Michel Giacometti.

A abertura da mostra “Hoje senti a tua falta…”, da artista setubalense que aos 17 anos foi para a Venezuela e aí viveu durante três décadas, dá inicio a mais esta ritmada Tarde Intercultural no Museu, genericamente designada "Em três tempos".

O segundo tempo da tarde é composto pela apresentação do audiolivro “Memórias de um Craque”, da autoria de Fernando Assis Pacheco. Esta edição da BOCA é apresentada por Oriana Alves, responsável editorial, e por Nuno Moura, poeta e recitador.

A colecção de DVD “Povo que Cantas”, realizada por Ivan Dias e Manuel Rocha e produzida pela RTP, é dada a conhecer no terceiro e último tempo do evento, que termina às 18 horas.

A música tradicional portuguesa integra, ainda, a Tarde Intercultural, com os convidados Catarina Moura, da Brigada Vítor Jara, e Amadeu Magalhães, do grupo Realejo.




Museu do Trabalho Michel Giacometti

Largo Defensores da República
2910-470 Setúbal

Tel+351 265 537 880
Fax +351 265 537 889



museu.trabalho@mun.setubal.pt
www.mun-setubal.pt/MuseuTrabalho

GPS Google Earth: 38º31'23.84''N 8º53'11.30ºW



Notícias sobre o audiolivro "Memórias de um craque" de Assis Pacheco. Leitura no Museu do Trabalho



in http://www.boca.pt/site.html

7.2.10

Museu Ibérico da Máscara e do Traje

Inaugurado em Fevereiro de 2007, este museu resulta de um projecto de cooperação transfronteiriça entre as regiões de Bragança e Zamora com o objectivo de perpetuar a tradição dos rituais. Instalado numa casa antiga da cidadela de Bragança, conta com um espólio de quarenta e seis trajes e sessenta máscaras representativos de vinte e nove localidades, dezoito do lado português, e onze espanholas, sob a responsabilidade de cerca de quarenta e seis artesãos. As peças estão expostas e à venda.

O Museu Ibérico da Máscara e Traje, situa-se num edifício da Câmara Municipal de Bragança, recuperado.

Situa na rua principal da cidade (D. Fernão o Bravo) que dá acesso ao Museu Militar de Bragança (2º mais visitado a nível nacional).

Por outro lado e a nível de Bragança, integra a rota cultural da cidade, constituída fundamentalmente por duas propostas: A via dos equipamentos culturais / Teatro Municipal Centro Cultural futuro Museu de Arte Moderna Museu Abade de Baçal Museu Ibérico da Máscara e do Traje Museu Militar. Dada a sua situação estratégica, perspectiva-se portanto, para o Museu Ibérico da Máscara e do Traje um êxito ao nível de visitantes. No entanto, por ser um projecto pedagógico, não estará certamente limitado aos meses quentes da Primavera e Verão.



O Museu Ibérico da Máscara e do Traje distribui-se por dois edifícios, separados cerca de 50 metros entre si, que têm a seguinte designação:



1. Museu Ibérico da Máscara e do Traje: com 3 andares

- Piso 0: Dedica-se às Festas de Inverno de Trás-os-Montes (Zona do Douro e Montesinho), incluindo a recepção.
- Piso 1: Mascaradas de Inverno da Província de Zamora.
- Piso 2: Festas de Carnaval (Bragança, Lazarim / Zamora) e a Sala do Artesão.



2. Oficina da Máscara e Traje.


O Museu Ibérico da Máscara e do Traje, não é concorrente de qualquer museu nacional. Será intencionalmente e sempre complementar, já que pretende atingir todos os públicos através de uma leitura simples, rigorosa, autêntica e imediata. Poderão alguns pensar que então, não será mais do que um espaço decorado, com objectos temáticos dentro duma filosofia inerente a um mero “folclore carnavalesco”. Evidentemente que não!

Na organização dos espaços, como se poderá observar, existem fundamentalmente quatro planos dirigidos especificamente aos públicos:

- Geral – Inteligível para turistas estrangeiros e portugueses com apenas cultura média. A temática da máscara e do traje será divulgada através de uma leitura simples, objectiva, imediata e rápida, complementada com prospectos em bilingue (português / espanhol e inglês / alemão), que posteriormente publicitarão o espaço, nas comunidades dos visitantes.
- Erudito – Espaço de estudo e investigação sobre a temática da máscara e do traje, constituído por uma mini-biblioteca, arquivo de fotos e filmes e consulta da web através do criado “PORTAL DA MÁSCARA”.
- Escolar – Espaço pedagógico e artístico para docentes e alunos dos diferentes níveis de ensino.

Grupos de mascarados – Espaço permanente de todos os grupos de mascarados, para reuniões e organização de eventos comuns, certificação e venda de produtos ligados à máscara e reuniões da Mascararte, etc.




http://www.mascaraiberica.com/accesible/POR_actuaciones.htm

2.2.10

Associativismo, Cidadania, Participação _ Dar corpo a um Movimento Social

Museu do Trabalho Michel Giacometti
_____________Ruy d`Espiney e Mirna Montenegro - Tarde Intercultural sobre Associativismo e Cidadania - Museu do Trabalho Michel Giacometti,  Sábado, 30 de Janeiro



Texto de Rui D'Espiney



1.A Constituição da Republica Portuguesa contempla, quase diríamos com igual dignidade, a Democracia Representativa e a Democracia Participativa. Dela ressalta com clareza que uma e outra são estruturantes do funcionamento da nossa sociedade.

O Tratamento que lhe é dado, na prática, a cada uma destas formas de democracia é, no entanto, bem distinto:

- À Democracia Representativa são concedidas todas as condições de sustentabilidade suportadas que são, pelo orçamento de Estado, as várias despesas com o seu funcionamento (inclusive as efectuadas em ordem à competição entre concorrentes).

- À Democracia Participativa nenhum meio material é facultado. O Estado não contribui com um cêntimo para a sua viabilização.

Dito de outra forma garante-se a Representação mas não se investe na Participação e porque a Democracia Plena só existe quando uma e outra funcionam pode, de facto, dizer-se que a nossa Democracia está coxa.



2. Promover a Democracia passa, na verdade, por viabilizar as condições de exercício da Democracia Participativa, isto é, passa por proporcionar a sustentabilidade material das iniciativas e estruturas que promovem a participação de entre as quais se destacam as formas organizadas de DP que são as Associações. Não é, no entanto, isso que acontece: longe de serem encaradas como focos de promoção e produção de participação as Associações são tratadas enquanto meras empresas prestadoras de Serviços: apenas pelo que fazem e não pelo que são.

Em boa verdade acabam por ser tratadas pior que as empresas pois, ao contrário do que sucede com estas, o valor dos bens produzidas pelas associações não incorpora as despesas de funcionamento nem tão pouco, com frequência, de trabalho (o calculo do valor da hora do mecânico que nos arranja o automóvel inclui as amortizações e as despesas de logística da oficina; o funcionamento dos projectos desenvolvidos pelas associações não só não as inclui, na maioria das vezes, como exige, quase sempre, uma comparticipação nos gastos).



3. É tendo por propósito possibilitar que a Democracia Participativa se afirme como dimensão estruturante da vivência politica económica da nossa sociedade …

É tendo por propósito impor que o associativismo seja tratado e encarado como forma organizada (promotora e produtora) de Democracia Participativa…

É, enfim, tendo por propósito contribuir para que as associações se conscientizem quanto ao seu papel na promoção e produção de cidadania e na construção de uma sociedade democrática e solidária,

… que nos parece fazer todo o sentido dar vida a um movimento social que chame a si:



- A clarificação e promoção dos princípios que o devem enformar e informar e que se podem traduzir em algumas palavras-chave como: autonomia, participação sociabilidades, solidariedade, rebeldia e politicidade;

- A requalificação da Democracia Representativa que, nascida de movimentos sociais tende hoje a dissociar o político do social, a incompatibilizar o nacional com o local e a contrapor representação e participação;

- A assumpção do carácter de alternativa social, cultural e económica que caracteriza grande parte das associações e iniciativas congéneres;

- A defesa da sustentabilidade económica do associativismo, enquanto condição necessária ao funcionamento da democracia como um todo.



A realização de um congresso programático do Associativismo e da Democracia Participativa coroará o desenvolvimento deste movimento, se funcionar como espaço de interpelação, de questionamento do poder político, de auto-questionamento dos comportamentos e de revindicação.



4. Naturalmente, quer-se que este movimento não pense apenas para fora mas também para dentro. Um conjunto de questões endógenas a ele terão de ser, com efeito e necessariamente, objecto de reflexão no congresso e no próprio processo da preparação. Por exemplo:

- O que se entende ao certo por democracia participativa? O que faz dela um projecto e uma prática política e reivindicativa?

- O que é o Associativismo Cidadão? Quando é que este é ou não é componente da democracia participativa (isto, tendo-se presente que grande número de associações tende a mover-se por uma lógica empresarial e que há associações actuando em diferentes domínios que podem, ou não, ser pertinentes para a Democracia Participativa)?

- Como podem as associações aprofundar o exercício da cidadania? Como ultrapassar fenómenos de caciquismo e burocratização?



5. Mas se estas são questões, digamos comportamentais, que importa definir, espera-se que naturalmente do movimento nasçam ideias sobre os aspectos do relacionamento do associativismo com o Estado e a DR, tais como:

- A forma justa de ressarcimento pelos bens de interesse publico que produzem;

- As diferenças que apresentam face ao mundo das empresas e as implicações que daí resultam em termos de financiamento e fiscalidade;

- O lugar que devem ocupar (e não apenas as associações mas também as populações) nas audições politicas, nas concertações sociais e nas políticas orçamentais.



6. O lançamento deste movimento, que agora se inicia, fez-se numa reunião para a qual foi convidada cerca de uma dezena de associações escolhidas por meras razões de proximidade e conhecimento mútuo e tendo por leitmotiv imediato a situação de precariedade em que grande parte delas vive.

O objectivo desta reunião vai, no entanto, muito para além do seu âmbito e das intenções que a motivaram.

Em primeiro lugar, quer-se que ela seja o despoletar de um Movimento amplo e abrangente, procurando-se, nomeadamente, implicar, na promoção, mais regiões e domínios de acção. Nesse sentido as Associações, presentes na reunião havida, são chamadas a animar encontros a nível local/regional em que se impliquem todos os possíveis potenciais interessados.

Em Segundo lugar, quer-se que o movimento funcione como um processo de consciencialização, de definição de linhas de acção e de princípios orientadores: o Congresso deverá surgir como a consagração de uma caminhada.

Em terceiro lugar, quer-se assegurar que o Movimento e as suas propostas ganhem visibilidade, o que passa pela participação activa de associações identificadas com princípios e práticas de cidadania.
 
 
 
 
 
http://movimentodoassociativismo.blogspot.com/2009/11/dar-corpo-um-movimento-social.html#comment-form

24.1.10

Planeamento Estratégico: Museus para o séc. XXI

O Plano Estratégico do Instituto dos Museus e da Conservação (IMC): Museus para o séc. XXI foi ontem (20/01/2010) apresentado diante de uma audiência que encheu por completo a sala do Museu de Arte Popular onde se realizou a conferência de imprensa.

A sessão foi inaugurada pelo Secretário de Estado da Cultura, Elísio Summavielle, que introduziu alguns dos tópicos que fazem hoje a actualidade e os problemas dos museus nacionais. Seguiu-se o director do IMC, João Carlos Brigola, que apresentou o plano estratégico, destacando alguns dos aspectos considerados mais relevantes do documento.

João Carlos Brigola começou por sublinhar que este não é um documento fechado, mas sim um conjunto de fundamentos gerais que deverão orientar a acção do IMC.

Este plano tem em linha de conta 31 prioridades de intervenção e estrutura-se em seis eixos de trabalho:

EIXO 1. Reenquadramento do sistema de gestão dos museus tutelados pelo MC/IMC.

EIXO 2. Inovação de modelos de funcionamento nos museus e palácios do MC/IMC.

EIXO 3. Governança de proximidade com os representantes e associações profissionais dos sectores da Cultura, das Universidades, da Museologia e da Conservação e Restauro, e com os municípios, as regiões autónomas, entidades públicas, as dioceses, as misericórdias, as fundações e outros agentes.

EIXO 4. Consolidação e crescimento sustentado da Rede Portuguesa de Museus.

EIXO 5. Política coerente e integrada de preservação, estudo, documentação e comunicação das colecções de bens materiais móveis e imóveis, sob a sua tutela, e do património imaterial.

EIXO 6. Qualificação profissional e formação académica e científica dos recursos humanos do IMC.



Para conhecer o documento em detalhe clique no seguinte endereço:
http://nomundodosmuseus.files.wordpress.com/2010/01/planeamentomuseus1.pdf

21.1.10

Tarde Intercultural no Museu _ Democracia Participativa e Cidadania, com Ruy d`Espiney ___________

clicar na foto para ampliar




Em marcha um congresso nacional sobre Cidadania, em meados de Novembro em Tondela. Vamos dando notícias sobre este movimento que se movimenta nas discussões que vão tendo lugar em diversos pontos do país. Questões pertinentes, muito actuais, sobre conceitos e práticas de Cidadania e da democracia participativa em Portugal. Um tema que se prende também, a nosso ver, com um conceito alargado e pró-activo de património e com o papel dos museus na sociedade. Este ano o tema proposto pelo ICOM é: " Museus e harmonia social ", começámos por aqui a harmonizar as ideias ... e a reflectir sobre o sentido histórico do associativismo nas suas diversas vertentes e vocações, desde o final do sec. XIX (a filantropia, o assistencialismo, as mútuas), os príncipios elementares da inclusão, formas entender o rio e as margens no devir da História e de recentrar o problema da participação à luz da contemporaneidade)

 link para o blog do movimento ...




__________Participem_______________________________

20.1.10

Plano Estratégico para os Museus do Século XXI ?




Albrecht Dürer (1471-1528)




O que vem a lume, são as demissões (nomeadamente a do director do Museu de Arte Antiga), as nomeações e outras re.conduções, assim justificadas em comunicado do gabinete da Ministra da Cultura:


"a opção de não recondução no cargo por Paulo Henriques vem no 'âmbito de uma nova orientação estratégica dos organismos do ministério da Cultura, em consonância com o Programa do XVIII Governo Constitucional, em que se inclui o Plano Estratégico para os Museus do Século XXI'.


Aqui, na Antena 1, pode ouvir:
http://tv1.rtp.pt/noticias/?t=Antonio-Filipe-Pimentel-e-o-novo-director-do-Museu-Nacional-de-Arte-Antiga.rtp&headline=46&visual=9&article=312259&tm=4


Quanto ao plano estratégico terá que ser bem esmiuçado, sobretudo no que respeita à mudança da tutela de alguns museus do IMC para as Câmaras Municipais.

3.1.10

“Temos de fazer um debate sem estrelismos”


José do Nascimento Júnior, diretor do Ibram, defende descentralização de recursos. Em entrevista, afirma que reforma na Lei Rouanet e novo fundo não terão um impacto “catastrófico” e sugere criação de museus



Folha de S.Paulo, Ilustrada, Silas Martí, 24/12/2009


No centro das discussões sobre o futuro dos museus no país está um único homem. José do Nascimento Júnior, antropólogo social, é o diretor do Instituto Brasileiro de Museus. Está nas mãos dele, em grande parte, a missão de contentar grandes e pequenos museus do país. É criticado de um lado por não ser ligado às artes visuais. Mas recebe elogios, de outro, pela tentativa de organizar o setor de museus no país.



Em entrevista à Folha, no dia em que deu posse ao conselho do Ibram, Nascimento Júnior se defende de acusações de uso eleitoreiro da máquina do Ministério da Cultura, esclarece o conflito em torno dos modelos de gestão estaduais e afirma que o novo fundo para o setor de museus, aliado à reforma da Lei Rouanet, não terá efeito “catastrófico”. Leia a seguir alguns trechos da conversa. (SILAS MARTÍ)




MASP. São Paulo



FOLHA - A maioria dos museus depende de recursos incentivados. A reforma na Lei Rouanet não vai gerar patrocínios e travar instituições?



JOSÉ DO NASCIMENTO JÚNIOR - Esse teto de 80% aponta para um campo em que o incentivo não pode ser 100% para todas as áreas. As empresas têm de entrar com dinheiro bom, e eu não vejo a possibilidade de secar a fonte, porque a área de cultura dá uma visibilidade interessante às empresas. E a nova lei também cria uma série de fundos. Sempre há medo, mas o ministério vai estabelecer regras de transição. Não vai ocorrer um impacto catastrófico.



FOLHA - Não é utópica a ideia de descentralizar os recursos e financiar museus em todo o país?



NASCIMENTO JÚNIOR - A concentração de instituições culturais no Brasil não passou da linha do Tratado de Tordesilhas, e o Brasil hoje é a sexta maior rede de museus do mundo. É importante entender que o museu é a unidade básica de memória. Há uma demanda real no país por mais museus. As pessoas também precisam enxergar o Brasil como um todo, não a partir de São Paulo ou do Rio. Tem que entender o país na sua complexidade e na sua profundidade.



FOLHA - Mas, nessa descentralização, grandes museus temem que vão perder recursos na divisão com milhares de instituições minúsculas.



NASCIMENTO JÚNIOR - Os grandes vão ser tratados como grandes. As megaestruturas sempre foram muito bem tratadas em detrimento das pequenas. Nunca foi o contrário, até porque a visibilidade foi sempre em direção aos grandes. Precisamos ampliar o número de recursos, não ficar numa linha do meu pirão primeiro. Temos que tratar em cada âmbito. Governos estaduais e municipais também têm de ter suas políticas.



FOLHA - Essa nova estrutura, no entanto, não pode dar margem ao uso eleitoreiro da máquina estatal?



NASCIMENTO JÚNIOR - Se a gente fosse eleitoreiro, estaria investindo onde tem concentração de voto, mas estamos mostrando que o Brasil é mais complexo do que essas regiões. Quem for ao Brasil profundo dialogar com Estados como o Piauí, Maranhão, Acre, Roraima vai ver que tem necessidades que a estrutura que nós herdamos do Ministério da Cultura não nos permitia atender. Nós refundamos o ministério e hoje ele é uma estrutura garantidora do direito cultural.



FOLHA - Como será resolvido o impasse em nível estadual, com organizações sociais com diretores que não podem ser remunerados, de acordo com o Estatuto de Museus?



NASCIMENTO JÚNIOR - É um equívoco interpretar o estatuto como sendo restritivo a isso. Se você pegar três, quatro juristas, cada um vai dar um parecer diferente sobre isso. São Paulo não necessita fazer disso um cavalo de batalha. Estamos caminhando para regulamentar. Temos de fazer esse debate com tranquilidade, sem estrelismos ou visões apaixonadas.



FOLHA - Mas esse esquema em nível estadual mais a estrutura federal não leva a um possível inchaço da máquina estatal, como no Ibram?



NASCIMENTO JÚNIOR - Não temos uma megaestrutura. São 40 cargos. O restante deles foi criado para reforçar a estrutura dos museus federais. São 470 pessoas, funcionários públicos de carreira. E vamos ter concurso agora para 260 funcionários, parte em Brasília e parte deles nos museus federais.

15.12.09

PIERRE MAYRAND














LA MUSÉOLOGIE SANS DESSUS

DESSOUS

Regards sur la muséologie actuelle


Pamphlet d’ un altermuséologue, 2009



INTRODUCTION

On aura compare le musée à un mastodonte (Balerdi), à une marre à grenouilles (Santiago), la muséologie à un animal qui tente de se mordre la queue et à un immense marécage ( Mayrand ). Après la période des innovations qui introduira le concept des nouvelles muséologies ( 1970-1990 ) suivra une période, précédant la récession financière et la crise morale engendrée par un capitalisme déréglé, où chacun, petit ou grand, tentera d’ explorer des voies nouvelles, chacune de ces périodes produira une abondante littérature cherchant à justifier le choix de société des uns et des autres ( le consevatisme en opposition avec le communitarisme et la massification ). Le musée lui-même ( Le Louvre ) devenant objet de marchandages ou de développements urbains ( Bilbao ), s’ aventurera dans la voie de l’ intermédialité ( SAT, Montreal, 2009 ) et des études théoriques pour elles-mêmes sur la médiation (Davallon). La mise au jeux: L’ apport des arts médiatiques conduisant à une quasi virtualisation de l’ institution muséale dans l’ approche de l’ objet-mémoire, Ces formes extrêmes de conceptualisation s’ accompagnent d’ un coup d’ oeil vers les expériences proches des populations cherchant à faire la synthèse de leur identité et à dégager une nouvelle formulation de la tradition communautaire dont l’ écomusée, malgré ses aléas actuels, demeure le plus réputé.



L’ introduction pléthorique de néologismes pour tenter de se situer dans une évolution accélérée, les essais de définition du Musée ( Mairesse, Desvallées, Mayrand ) et des fonctions qui s’ y rattachent, sont symptomatiques du malaise que connait cette industrie culturelle ( boîte à mémoire, miroir de représentations du monde et de phénomènes paticuliers ), nous ayant amené à titrer ce pamphlet : L’ absence de politiques cohérentes, de terrains concensuels, emportés par la vague déferlante du néo-libéralisme. Nostalgique de la grande période de rénovations d’ aprés guerre, d’ un futur que l’ on voudrait comme l’ entrée dans la magie de l’ univers cybernétique, la machine continue néanmoins à tourner, tellement le musée est enraciné dans les mentalités comme l’ espace privilégié des mémoires porteuses de valeurs patrimoniales, sans lesquelles il n’ y aurait plus de dessus ( vision cohérente ) et de dessous ( action cohérente ).



Et si le hasard voulait que l’ institution se dissolve, entraînant dans sa chute l’ ICOM au bénéfice d’ une action culturelle d’ une toute autre nature faisant une césure entre la conservation des oeuvres jugées représentatives par l’ humanité ( pourquoi pas par référendums ? ) ou de communautés particulières, et la fonction culturelle proprement dite ( subversive, insitative ), soit des espaces devenus des lieux de convergence autour de thèmes de la mémoire interculturelle en construction, comme on le trouve déjà dans le musée agora, plaque tournante de l’ émergence de citoyennetés ? L’ altermuséologie, ce nouveau rameau de la nouvelle muséologie s’ y attache déjà ( Musée à l’ attaque, 2009, Manifeste, 2007 )



AUTREFOIS

Musée standard ……….. Conservatoire,

Musée collection

Mémorial

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Cumulatif



Musée communautaire….Biens usagers jugés

Représentatifs par un

Milieu.



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Lien affectif



ACTUELLEMENT



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5.12.09

“Artes de Cura e Espanta-Males” - Museu do Trabalho Michel Giacometti

O livro “Artes de Cura e Espanta-Males”, coordenado por Ana Gomes de Almeida, Ana Paula Guimarães e Miguel Guimarães, com base no espólio de medicina popular recolhido por Michel Giacometti, é lançado em Setúbal no sábado à tarde.

A sessão, a realizar no Museu do Trabalho Michel Giacometti, às 15h00, numa organização da Câmara Municipal de Setúbal, é apresentada por António Vecino e conta com a exibição de um filme de Tiago Pereira.

O espólio retratado na obra encontra-se no Museu da Música Portuguesa, resultando de uma recolha feita pelo etnógrafo corso Michel Giacometti, com mais de 5500 fichas sobre doenças.

Miguel Magalhães, Ana Paula Guimarães e Ana Gomes de Almeida prepararam o material, classificaram-no e expuseram-no aos olhares de médicos especialistas, poetas, artistas, investigadores e professores. Estes responsáveis comentaram os textos de rezas, ladainhas, provérbios e orações (frequentemente com ervas, às vezes através de pedras ou animais) para tratar males como hipertensão, hemorróidas, gangrena, brotoeja, raquitismo, halitose, anorexia, leucorreia, anemia, coqueluche, nefrite, ciática, apoplexia, doenças dos olhos, tumores, epistaxis, fracturas, fogagem, bronquite, insónias, cãibras, blenorragia, picadas de abelhas, hemorragias, piolhos, afrontas e espigas das unhas.

Com a obra a apresentar no sábado em Setúbal, os leitores podem tomar um contacto com essas receitas desaconselhadas hoje, concebidas, nalguns casos, há milhares de anos e transmitidas de geração em geração, manifestando crenças secretas relativas ao corpo e à doença.

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Museu do Trabalho Michel Giacometti (junto ao Miradouro das Fontaínhas, em Setúbal)
Telef 265537880




1.12.09

NOTES DE LECTURE


Musée et muséologie,
Dominique Poulot (2009)

Par Pierre Mayrand, réseau de correspondance.



LA PHRASE UNIQUE,





Si je passe en coup de vent aux conclusions de l’ auteur, j’ y trouve, esquissées plusieurs de mes propres considérations, comme celles de presque tous lesauteurs de la nouvelle vague,: Un sur le renversement spectaculaire du musée: Un espace public flexible, multifonctionnel, pouvant abriter des pans de collections (Branly) comme donner l’ impression qu’elles s’ y trouvent toutes exposées aux regards du public (Branly) dansd une perspective renouvelée, provoquée par la multiplicité sans borne des approches ( le sentiment d’ immersion, coeur de l’ expression muséale , à l’ exception de l’ art actuel qui persiste à se cantonner dans l’ unicité ), aborder les faits de mémoire comme mausolées des traumas ou de momments exceptionnels d’ expériences de vie ( Setúbal ) … en d’ autres termes, faire le choix d’entrer dans l’ intériorité collective, ou dans les manifestations humaines, restituées dans leur environnement social et physique, leur servant de décor psychophylanthropique, ramenant ainsi l’ espace public réservé institutionnellement au MUSEE, à sa fonction première d espace meuble, selon les circonstances, par les choix thématiques, didactiques ou sensationnels, à láide de dispositifs plus ou moins denses, les salles d’ exposition servant d’ avant scènes à une machine organisationelle manipulée tant par les professionnels que par des volontaires, les distinctions encore recentes s’effaçant au profit de l’ hôte, orienté ou désorienté, au coeur de cette logique.



Un ouvrage modeste, sans prétentions, où l’ auteur admet qu’il faudrait ( nous sommes en 2009 ) qu’il faudrait élargir le contexte presque exclsusivement français à une mise en situation internationale, du moins dans le monde occidental.