29.5.10

Cerimoniosamente musealogando







Ali tomámos porto com bom vento.
Por tomarmos de terra mantimento.
Àquela ilha aportámos que tomou
O nome do guerreiro Santiago (10)

Os Lusíadas





Sabores mestiços



Segundo a consagrada tese oficial, a descoberta das primeiras ilhas do arquipélago de Cabo Verde (Santiago, Fogo, Maio, Boavista e Sal) deu-se em 1640, ainda em vida do Infante D.Henrique. As restantes sete achadas, Brava, S.Nicolau, S.Vicente, S.Antão, Santa Luzia e Ilhéus Branco e Raso em 1462. As ilhas foram encontradas desertas.

Os donatários, em especial Noli, com o apoio do Rei, iniciaram o povoamento por Santiago, com alguns genoveses e portugueses oriundos do Alentejo e Algarve e, provavelmente de outras áreas do país, talvez mesmo da região transmontana e dos Açores.

Com o povoamento das duas principais ilhas Santiago e Fogo introduzir-se- ão os elementos essenciais à vida do homem, permitindo minimamente a sua subsistência: numa primeira fase são levadas plantas e animais do continente fronteiro e de Portugal. Da Índia veio o coco que se aclimatou com sucesso nas ilhas e do Brasil a abóbora e a mandioca. O milho que viria a ser o principal meio de subsistência do Arquipélago foi trazido da América e a cana sacarina foi introduzida na Madeira e Cabo Verde e posteriormente levada para o Brasil. Do continente africano fronteiro veio o arroz.



Para os colonizadores, tornava-se difícil o problema da alimentação num arquipélago achado deserto e sem os produtos a que estavam habituados. Mas os portugueses foram-se adaptando às novas espécies que nela se iam introduzindo.

Com a chegada dos escravos, havia que agradar às duas culturas distintas nos seus hábitos alimentares.

É importante o contributo da mulher cabo-verdiana no Arquipélago. Ela revela uma grande capacidade criadora, no domínio da gastronomia cabo-verdiana, inventando e criando com os produtos da terra gostosos sabores mestiços.



A predominância do milho – face à sua boa aclimatação e fácil cultivo - conduz a um sistema culinário que de certo modo, pode parecer rotineiro e monótono. A mulher cabo-verdiana, com base neste cereal inventou uma série de pratos e bolos diversificados; tratando o milho com o “moedor” “ a pedra de rala”ou o “pilão”; Há o rolão, a papa, o xerem, o cuscuz (influência dos colonos algarvios) para se preparar o cuscuz; deita-se de véspera o milho na água, é moído no pilão na hora em que S.Antão é designada com um saboroso arcaísmo, por “manhana”, e com a farinha obtida deita-se no binde que vai a cozer em banho-maria. Assim se obtém o cuscuz, que é o pão dos pobres e também dos ricos e remediados, Há também o cuscuz de talisca (em que apenas varia a matéria prima, que neste caso é a crueira da mandioca; o de potona este só se faz na ilha das Boavista, réplicas cabo-verdianas do cuscuz de milho levado pelos colonizadores.

Há ainda fongo, (tradicional na Páscoa na ilha de S.Antão) fonguinho, gufongo, brinhola e batanca - espécie de broa. Em S.Vicente, na Ribeira de Julião, nas festas dos Santos populares Santo António e S.João, confecciona-se o tradicional milho em grão;

moreia de escabeche na Festa de Santa Cruz na Salamansa e guisado de capóde na Praia do Norte no dia de S.Manuel; a djagacida é um prato típico da Brava e do Fogo; ainda na ilha do Fogo prepara-se o gigoti para a Festa da Bandeira no dia do Santo padroeiro -S.Filipe; trutchida (comida para o dia de cinzas na ilha de Santiago). O milho aliado ou prentem tão útil nos momentos em que o pobre não dispõe de dinheiro para comprar combustível, gordura e os outros ingredientes para os restantes quitutes de milho; a camoca que se pode comer com leite ou mel de cana sacarina.



Mas entre os pratos preparados com milho, erigiu-se como soberana e incontestada no gosto do cabo-verdiano, a cachupa”.



Para casamentos temos o xerem de boda que não se prepara como o simples rolão de milho e é servido com guisado de capado ou de galinha.

Na ilha de S. Nicolau é tradicional o molho (modje) de capado ou com galinha, acompanhado com batata-doce, banana verde cozida, mandioca, inhame e abóbora tudo temperado com cebola, alho, tomate, malagueta, sal e azeite doce.

Quando há dificuldade na obtenção de carne o molho (modje) é confeccionado, só com legumes, tomando nesta altura o nome de modje de Manel Anton.

Outro prato bastante tradicional é o caldo de peixe que é apreciado por todas as classes sociais.

Na sua confecção entram várias espécies de peixe acompanhadas com batata-doce, mandioca, banana verde e num refogado bastante picante à base de malagueta. É tradição, depois de uma noite bem passada, a mesma ser rematada com caldo de peixe malaguetado para ajudar a “curtir” a ressaca.



A doçaria é bastante diversificada: com a papaia verde e madura fazem-se doces e compotas deliciosas.

Com o coco, mancarra, goiaba, mel ou açúcar a variedade de guloseimas é imensa. Encontram-se vendedeiras ambulantes que, como diz o escritor Gabriel Mariano enfeitam os tabuleiros de bolos de Santiago com papel de seda de várias cores, e embrulham os doces não só com requintes de gosto artístico mas ainda talvez inconsciente sentido de harmonia entre a cor e o paladar. O branco vivo e aberto para os rebuçados de hortelã-pimenta, cujo travo picante e frio obriga a abrir a boca e a distender os olhos; a cor-de-rosa suave e branda para o açucrinha de cacau ou leite, o verde-escuro ou grenat para as cocadas.

Não nos podemos esquecer dos saborosos licores de laranja, café, tamarindo e outros frutos do Arquipélago.

E para terminar sirvo-me do que escreveu o poeta e escritor Nuno de Miranda:



“Por mim, vos juro, à fé de quem quer: nada vou mudar! Estarei fiel, aos fins de semana, aos elementos da nossa cultura material, de volta do pilão de batida a dois paus, da mó de rebolo, grãos, sementes, café e frutos tropicais, valores constantes do meu lastro cultural, que vamos vivendo na distância da terra longe.

















Receitas



Milho em grão





5 Espigas de milho verde

100 Grs de linguiça da terra

¼ kg de abóbora

¼ kg de fava verde ou seca (neste caso tem de ficar de molho para se lhe tirar a pele)

2 tomates madur

Duas colheres de sopa de azeite doce

2 grãos de malagueta

1 ramo de coentros

1 “cabeça de cebola”



Raspam-se as espigas de milho para dentro de uma caldeira. Entretanto, corta-se a cebola às rodas, acrescenta-se o azeite doce, a linguiça cortada às rodelinhas, a malagueta e deixa-se fritar ligeiramente. Juntam-se os restantes ingredientes e acrescenta-se água suficiente para cozer.

Deixa-se apurar e depois de pronto, rectifica-se o sal e deitam-se os coentros picados.






Maria de Lourdes Chantre
autora do livro " Cozinha de Cabo Verde", Editorial Presença, 4ª ed., Lisboa, 2001














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O Museu do Trabalho e a Associação Caboverdiana de setúbal



Mais informações sobre a Asoociação caboverdiana de Setúbal http://www.acvsetubal.org/

4.5.10

TheElf Chant”, in the Labour Museum Michel Giacometti


Setubal, April 24th to July 3rd of 2010





















The Elf’s are shy, sensitive and innocent beings with a noble spirit…
They can sing, dance, do theater, dress gracefully
And create wonderful works of art made of spider web,
Dew and the shine of moonlight…

Hans Christian Andersen,



The “Elf Chant” in the Labour Museum Michel Giacometti in Setúbal, is a date request. The Museum wears a new kind of clothing to seduce and enchant. The “Elf Chant” is a call, a party that celebrates the joy of Life and the strength of Love expressed in Art. To this Celebration thirty three adults carriers of mental disability from APPACDM – CAO 1 of Setubal that are fully aware of the importance of the museum’s search for the Beauty and social harmony, got together, because themselves cheer a Pole of the Work Museum, an old Locksmith workshop, constituted in Museum.



Thinking about the comfort of these people, in their great generosity and in the practical conditions of realization, we talked with the board of the APPACDM about the necessary conditions of work. During the months of February, March and April they came to the Work Museum Michel Giacometti, accompanied by the respective monitors, to build one creeper that will unit all of the expositive spaces of the Museum. One great green creeper, with more than one hundred and fifty feet long, which the trunk is made from plastic empty bottles.



The “Elf Chant”, is an temporary exhibition, an elegy to the joy of living and an elegant celebration, drawn for the space of the museum, with the people and the institutions, that therefore got involved, threw several months, in the creative process. AT FIRST THERE WAS ONLY ONE IDEA, one title, one quote of H.C Andersen and the condition to make something happen that didn’t imply buying anything. All Imagination, all ability, all creation and no tricks involved. The result was quiet surprising. The exhibition can be seen in the Labour Museum Michel Giacometti, from April 24th, at three pm, integrates more than twenty works of great originality, made by simple creators, shy sensitive innocent beings with noble spirits, “touched” by the magic of Elfs.


This is, also, an exhibition with a didactic and reflection purpose. An watching exercise, an interrogation about the process of the artistic creation and the liberty of expression.

Correspond to the strong Will of breaking the bounds of all preconceptions.

Exalts the gift of creation and of their creators as the only act of supreme sincerity.

This project also takes as an museum exercise opened in a more wide participation and to the more bold questions.



The “Elf Chant”, is an idea from Nils Fisher, a citizen from the hometown of H.C Andersen, designer, friend of the Labour Museum, believer of the Magic from the Elfs and of his playful way. The idea grew, to it attached the creeper, and other “creepers” followed the steps, and the impossible happened. The result was surprising. Nobody can be indifferent.



Until the moment, are associated to the “Elf Chant” the following people and institutions:

APPACDM-CAO 1 from Setubal, Regional Prison Establishment from Setubal, Dom Manuel Martins High School in Setubal, Bela Vista Basic 2,3 High School in Setubal, S. Sebastian Community Center in Setubal, Childs Coral in Setubal, Basic School and Kinder garden of the Angels Farm, as well as a lot of plastic artists and people from the own Labour Museum Michel Giacometti, that under the supervision of Luís Valente, are building a Giant red Heart, in the middle of the center of the Museum.















Labour Museum Michel Giacometti

Museu.trabalho@mun-setubal.pt

Telephone number 00351265537880



Setubal’s City Council





11.4.10

Uma reflexão muito pertinente (também para a Museologia ) , por José Gabriel Pereira Bastos - Prof UNL/ FCSH



No caso vertente e para o que eu chamo ciência antropológica integrada (há quem lhe chame 'transdisciplinaridade'), há que reflectir que as estratégias de (1) estilhaçamento da questão por uma dezena de disciplinas (2) de proposta de redução de todas à biologia, (3) ou de criação de uma hegemonia de um das 'disciplinas' sobre todas as outras (a economia, o 'interesse', em Marx; a nova sociologia, em Giddens; a língua, em Lévi-Strauss e Lacan; o cérebro, na nova neurologia; a lógica binária, em Jakobsen; a ciência política, o 'poder', em Foucault, etc.) se esgotaram.


Esgotaram-se ao ponto de que, na minha visão, estamos a assistir à morte das ciências antropológicas 'modernas' (a começar pela Psicanálise, pela Antropologia, pela Sociologia e pela Ciência Política), á substituição da Política pela Filosofia Política e pela 'Ética' (Direitos do Homem, os cientistas sociais postos ao serviço da Governância, da Difusão de 'boas prácticas', etc.) e ao concomitante retorno da religião, da filosofia, do cognitivismo do século XVIII (Lpcke, Hume, etc.) e do ensaísmo 'pós-modernos' como forças sociais, bem como a uma regressão a perspectivas dos séculos XVIII- XIX, nomeadamente na vossa área (museologia, etc.), com o retorno do projecto 'universal' de 'descrição fenomenológica', de enciclopedização fragmentária, temática e categorial, bem como de museologização de todos os 'outros' (exteriores ou 'ultrapassados'), com completa cegueira para a acção do 'nós' WASP (White, Anglo-saxon, Protestant), agente organizado da Frente Anglo-Americana (suas ex-colónias brancas, do Canadá à Índia e à Austrália). que vem a conduzir desde os anos 40 a estratégia Imperial USA, isto é, a história da descolonização e da substituição da 'guerra fria' e, mais tarde, pelo 'choque das civilizações', que já nos deu duas Guerras Bush.

O que indicia que reentrámos numa nova fase de euforia celebratória do 'Ocidente' (um retorno do desacreditado 'evolucionismo'), a que chamámos 'globalização' + pós-modernidade (uma fase cheia de contradições que exigirão novas mudanças, fase esta de 'orgulho branco' que pode originar a emergência de um novo Nazismo, como a evolução da demografia política mostra).

Integrar implica questionar a estratégia 'burguesa' ('racional', temática) de estilhaçamento disciplinar, o que Marx, no século XIX e Freud, no século XX, fizeram. Partindo de um 'organizador' (a 'alienação', tanto em Marx como em Freud( atravessaram todas as didsciplinas relevantes. Quando morreu, Marx estava a integrar a antropologia e a biologia darwiniana no seu modelo, depois de cruzar a filosofia, a economia, a história, a ciência política e a teoria das artes. Quem leu a autobiografia de Freud (1925) e o texto anexo (A questão da análise leiga) percebe que esse era o projecto de Freud (não era um projecto clínico-terapêutico era um projecto de integração da teoria antropológica, compatível com o de Marx mas mais avançado, dada a integração de novas variáveis (inconsciente, narcisismo, processos identitários) que resolviam alguns dos impasses de Marx e levavam à revisão da ciência política. No seu modelo tridimensional, Marx articula a biologia com a economia (nível 1), a sociologia com a sua sociopatia política (nível 2), e a política com a alienação ideológica (nível 3), usando como Laboratório História politica. No seu modelo tridimensional, Freud articula a biologia com o desejo e com a acção delirante (fantasmática) (nível 1), a ambivalência face à razão e às relações estruturantes (microfamiliares e políticas) com os mecanismos de defesa do eu e com os delírios narcísicos (nível 2) e a repressão superegóica dos sujeitos com a criação de 'culturas' perspectivadas como delírios organizados de longa duração, capazes de criar esse equivalente colectivo dos Egos que são os Estados-Nações, os 'grandes homens' da Humanidade (nível 3), usando como Laboratório a articulação entre as histórias de vida e a história cultural.

Não remete para a 'vida que flui' dos pós-modernos (Deleuze, fluxos, rizoma; Appadurai, 'paisagens', etc.) mas para um modelo científico do drama antropológico que se questiona sobre o modo de contornar a alienação dos modelos transcendentais (a 'Razão', dos Iluministas; a 'Idéia', dos Românticos; a 'Sociedade', dos secularistas sociológicos, a 'Cultura', dos Hegelianistas, a 'posição de classe', de Marx; a 'Lingua' dos põs-saussurianos, o 'olhar do Outro', de G. H. Mead e de Goffman; o 'Simbólico', de Lacan, etc.) e ultrapassar o enorme desvio sistemático entre os Ideais e as Prácticas, nos indivíduos, nas relações mas sobretudo na política.

É uma questão muito simples mas também muito complexa, que os pós-modernos visam destruir com os seus fluxos celebratórios, lúdicos, artísticos e imateriais... alimentando a velha compensação da 'emancipação' individualista de alguma categoria conveniente... para deixar tudo na mesma, no campo das grandes questões antropológicas (a começar pela Fome, pela Pobreza, pela Marginalização, pelo Racismo e Xenofobia, pela ameaça do Retorno dos Nazismos e pela invizibilização dos extermínios sociopáticos em curso de inúmeros 'povos primitivos', etc.).

Tento ser sintético mas a questão é simples mas altamente complexa, como é de esperar se o projecto for a integração estrural-dinâmica da Antropologia Geral, o que vai contra a corrente da alienação pós-moderna.







Fonte: http://www.facebook.com/event.php?eid=110256195664485&ref=mf#!/profile.php?v=wall&story_fbid=1257444675716&id=1217606982

9.4.10

Le 1er Mai, sera inaugurée, au Musée territoire de Carrapateira, l' exposition RIRES, le résultat d' une formation populaire assistée dont il existe un cahier de méthodologie et des compte rendus d' étape, soulement diverses problématiques dans Midi-express ( 2009 ). Le 12 avril sera inaugurée , à l' Écomusée du Fier Monde. l' exposition participative rálisée dans le cadre du cous ( Techniques et pratiques d' exposion, Programme d' animation culturelle, UQAM ) encadré par René: Deux formes de participation et d' appartenance à la muséologie sociale. Pour plus d' informations, vous adresser à Luisa et à René. Mentionons également la forte implication de la population dans un projet d´écomusée, aux Iles de la Madeleine ( Source d' information, René Rivard, Cultura ).




Pierre



À noter que le 13ème Atelier international du MINOM se tiendra à Amsterdam, fin juin. Pour informations: Ana Mercedes.

6.3.10

As Mulheres e a República






As Mulheres e a República” é o tema de uma conferência, a realizar HOJE, dia 6, pelas 16h00, no Museu do Trabalho Michel Giacometti, que aborda as perspectivas femininas no âmbito na República.

Um olhar pelos antecedentes da revolução, no período de transição entre a Monarquia e a República, sob o ponto de vista feminino, é uma das vertentes a abordar no encontro, que conta ainda com uma retrospectiva histórica dos percursos e caminhos retratados pelas e para as mulheres na República.

Isabel Lousada, investigadora em "Faces de Eva" – CesNova – Centro de Estudos de Sociologia da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova, dinamiza a sessão, que procura ampliar o conhecimento em torno das faces femininas nesta época.



A iniciativa cultural é acompanhada por uma sessão de pintura ao vivo pela pintora Pólvora d’ Cruz.



http://www.mun-setubal.pt/MuseuTrabalho/
A iniciativa é da BIG - Bobliotecas para a Igualdade de Género e a UMAR. Aconferência, integra o programa "Março Mulher", promovido, há vários anos, pela SEIES, em parceria com a CMS, entidades e associações de Setúbal que versam as mulheres e as problemáticas de género.

4.3.10

Património e museus nos modelos de desenvolvimento urbano. Os casos de Coimbra e de Salamanca

Autor: Tiago de Sousa e Vasconcelos Matos Boavida

Orientação: Pedro Casaleiro (Museu da Ciência da Universidade de Coimbra) e Fernanda Cravidão (Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)

Dissertação apresentada à Universidade de Coimbra para obtenção do Grau de Mestre em Museologia e Património Cultural

Ano: 2010. Tese defendida a 21 de Janeiro de 2010



Nota: Presidiu ao júri a directora do Mestrado, Doutora Irene Vaquinhas. Participaram os doutores Pedro Casaleiro (Museu da Ciência da UC) e Fernanda Cravidão (Departamento de Geografia da FLUC), na sua qualidade de co-orientadores. Arguiu a Doutora Alice Semedo (Departamento de Património

da FLUP).



Resumo:
Nesta dissertação de mestrado pretendi avaliar qual a importância do turismo, da cultura, dos museus e do património para as cidades, dos pontos de vista económico e social, assim como quais as imagens que, através desses meios, as cidades projectam para o exterior. Pretendi, baseado nos exemplos de Bilbau, Barcelona e Liverpool, entre outros, aferir até que ponto estes aspectos referidos podem ser centrais na estratégia de desenvolvimento das cidades, e da real possibilidade de serem âncoras de modelos de desenvolvimento urbano.


Elaborei um estudo comparativo entre Coimbra e Salamanca, avaliando até que ponto estas duas cidades ibéricas, tão próximas na sua história e evolução económica, podem estabelecer um modelo de desenvolvimento urbano com base no turismo, na cultura, nos museus e no património. Por via da observação directa, da administração de um inquérito e do estudo das duas cidades, tentei perceber se elas têm sabido, ou não, aproveitar as suas potencialidades nessas áreas e o que se projecta, nesse sentido, para o futuro.

in  http://nomundodosmuseus.wordpress.com

25.2.10

Tarde Intercultural no Museu do Trabalho
Sábado, dia 27 de Fevereiro, Das 15 às 18, em Setúbal










A inauguração da exposição de desenhos da pintora Pólvora da Cruz é o tempo de partida para a Tarde Intercultural que vai decorrer este sábado, no Museu do Trabalho Michel Giacometti.

A abertura da mostra “Hoje senti a tua falta…”, da artista setubalense que aos 17 anos foi para a Venezuela e aí viveu durante três décadas, dá inicio a mais esta ritmada Tarde Intercultural no Museu, genericamente designada "Em três tempos".

O segundo tempo da tarde é composto pela apresentação do audiolivro “Memórias de um Craque”, da autoria de Fernando Assis Pacheco. Esta edição da BOCA é apresentada por Oriana Alves, responsável editorial, e por Nuno Moura, poeta e recitador.

A colecção de DVD “Povo que Cantas”, realizada por Ivan Dias e Manuel Rocha e produzida pela RTP, é dada a conhecer no terceiro e último tempo do evento, que termina às 18 horas.

A música tradicional portuguesa integra, ainda, a Tarde Intercultural, com os convidados Catarina Moura, da Brigada Vítor Jara, e Amadeu Magalhães, do grupo Realejo.




Museu do Trabalho Michel Giacometti

Largo Defensores da República
2910-470 Setúbal

Tel+351 265 537 880
Fax +351 265 537 889



museu.trabalho@mun.setubal.pt
www.mun-setubal.pt/MuseuTrabalho

GPS Google Earth: 38º31'23.84''N 8º53'11.30ºW



Notícias sobre o audiolivro "Memórias de um craque" de Assis Pacheco. Leitura no Museu do Trabalho



in http://www.boca.pt/site.html

7.2.10

Museu Ibérico da Máscara e do Traje

Inaugurado em Fevereiro de 2007, este museu resulta de um projecto de cooperação transfronteiriça entre as regiões de Bragança e Zamora com o objectivo de perpetuar a tradição dos rituais. Instalado numa casa antiga da cidadela de Bragança, conta com um espólio de quarenta e seis trajes e sessenta máscaras representativos de vinte e nove localidades, dezoito do lado português, e onze espanholas, sob a responsabilidade de cerca de quarenta e seis artesãos. As peças estão expostas e à venda.

O Museu Ibérico da Máscara e Traje, situa-se num edifício da Câmara Municipal de Bragança, recuperado.

Situa na rua principal da cidade (D. Fernão o Bravo) que dá acesso ao Museu Militar de Bragança (2º mais visitado a nível nacional).

Por outro lado e a nível de Bragança, integra a rota cultural da cidade, constituída fundamentalmente por duas propostas: A via dos equipamentos culturais / Teatro Municipal Centro Cultural futuro Museu de Arte Moderna Museu Abade de Baçal Museu Ibérico da Máscara e do Traje Museu Militar. Dada a sua situação estratégica, perspectiva-se portanto, para o Museu Ibérico da Máscara e do Traje um êxito ao nível de visitantes. No entanto, por ser um projecto pedagógico, não estará certamente limitado aos meses quentes da Primavera e Verão.



O Museu Ibérico da Máscara e do Traje distribui-se por dois edifícios, separados cerca de 50 metros entre si, que têm a seguinte designação:



1. Museu Ibérico da Máscara e do Traje: com 3 andares

- Piso 0: Dedica-se às Festas de Inverno de Trás-os-Montes (Zona do Douro e Montesinho), incluindo a recepção.
- Piso 1: Mascaradas de Inverno da Província de Zamora.
- Piso 2: Festas de Carnaval (Bragança, Lazarim / Zamora) e a Sala do Artesão.



2. Oficina da Máscara e Traje.


O Museu Ibérico da Máscara e do Traje, não é concorrente de qualquer museu nacional. Será intencionalmente e sempre complementar, já que pretende atingir todos os públicos através de uma leitura simples, rigorosa, autêntica e imediata. Poderão alguns pensar que então, não será mais do que um espaço decorado, com objectos temáticos dentro duma filosofia inerente a um mero “folclore carnavalesco”. Evidentemente que não!

Na organização dos espaços, como se poderá observar, existem fundamentalmente quatro planos dirigidos especificamente aos públicos:

- Geral – Inteligível para turistas estrangeiros e portugueses com apenas cultura média. A temática da máscara e do traje será divulgada através de uma leitura simples, objectiva, imediata e rápida, complementada com prospectos em bilingue (português / espanhol e inglês / alemão), que posteriormente publicitarão o espaço, nas comunidades dos visitantes.
- Erudito – Espaço de estudo e investigação sobre a temática da máscara e do traje, constituído por uma mini-biblioteca, arquivo de fotos e filmes e consulta da web através do criado “PORTAL DA MÁSCARA”.
- Escolar – Espaço pedagógico e artístico para docentes e alunos dos diferentes níveis de ensino.

Grupos de mascarados – Espaço permanente de todos os grupos de mascarados, para reuniões e organização de eventos comuns, certificação e venda de produtos ligados à máscara e reuniões da Mascararte, etc.




http://www.mascaraiberica.com/accesible/POR_actuaciones.htm

2.2.10

Associativismo, Cidadania, Participação _ Dar corpo a um Movimento Social

Museu do Trabalho Michel Giacometti
_____________Ruy d`Espiney e Mirna Montenegro - Tarde Intercultural sobre Associativismo e Cidadania - Museu do Trabalho Michel Giacometti,  Sábado, 30 de Janeiro



Texto de Rui D'Espiney



1.A Constituição da Republica Portuguesa contempla, quase diríamos com igual dignidade, a Democracia Representativa e a Democracia Participativa. Dela ressalta com clareza que uma e outra são estruturantes do funcionamento da nossa sociedade.

O Tratamento que lhe é dado, na prática, a cada uma destas formas de democracia é, no entanto, bem distinto:

- À Democracia Representativa são concedidas todas as condições de sustentabilidade suportadas que são, pelo orçamento de Estado, as várias despesas com o seu funcionamento (inclusive as efectuadas em ordem à competição entre concorrentes).

- À Democracia Participativa nenhum meio material é facultado. O Estado não contribui com um cêntimo para a sua viabilização.

Dito de outra forma garante-se a Representação mas não se investe na Participação e porque a Democracia Plena só existe quando uma e outra funcionam pode, de facto, dizer-se que a nossa Democracia está coxa.



2. Promover a Democracia passa, na verdade, por viabilizar as condições de exercício da Democracia Participativa, isto é, passa por proporcionar a sustentabilidade material das iniciativas e estruturas que promovem a participação de entre as quais se destacam as formas organizadas de DP que são as Associações. Não é, no entanto, isso que acontece: longe de serem encaradas como focos de promoção e produção de participação as Associações são tratadas enquanto meras empresas prestadoras de Serviços: apenas pelo que fazem e não pelo que são.

Em boa verdade acabam por ser tratadas pior que as empresas pois, ao contrário do que sucede com estas, o valor dos bens produzidas pelas associações não incorpora as despesas de funcionamento nem tão pouco, com frequência, de trabalho (o calculo do valor da hora do mecânico que nos arranja o automóvel inclui as amortizações e as despesas de logística da oficina; o funcionamento dos projectos desenvolvidos pelas associações não só não as inclui, na maioria das vezes, como exige, quase sempre, uma comparticipação nos gastos).



3. É tendo por propósito possibilitar que a Democracia Participativa se afirme como dimensão estruturante da vivência politica económica da nossa sociedade …

É tendo por propósito impor que o associativismo seja tratado e encarado como forma organizada (promotora e produtora) de Democracia Participativa…

É, enfim, tendo por propósito contribuir para que as associações se conscientizem quanto ao seu papel na promoção e produção de cidadania e na construção de uma sociedade democrática e solidária,

… que nos parece fazer todo o sentido dar vida a um movimento social que chame a si:



- A clarificação e promoção dos princípios que o devem enformar e informar e que se podem traduzir em algumas palavras-chave como: autonomia, participação sociabilidades, solidariedade, rebeldia e politicidade;

- A requalificação da Democracia Representativa que, nascida de movimentos sociais tende hoje a dissociar o político do social, a incompatibilizar o nacional com o local e a contrapor representação e participação;

- A assumpção do carácter de alternativa social, cultural e económica que caracteriza grande parte das associações e iniciativas congéneres;

- A defesa da sustentabilidade económica do associativismo, enquanto condição necessária ao funcionamento da democracia como um todo.



A realização de um congresso programático do Associativismo e da Democracia Participativa coroará o desenvolvimento deste movimento, se funcionar como espaço de interpelação, de questionamento do poder político, de auto-questionamento dos comportamentos e de revindicação.



4. Naturalmente, quer-se que este movimento não pense apenas para fora mas também para dentro. Um conjunto de questões endógenas a ele terão de ser, com efeito e necessariamente, objecto de reflexão no congresso e no próprio processo da preparação. Por exemplo:

- O que se entende ao certo por democracia participativa? O que faz dela um projecto e uma prática política e reivindicativa?

- O que é o Associativismo Cidadão? Quando é que este é ou não é componente da democracia participativa (isto, tendo-se presente que grande número de associações tende a mover-se por uma lógica empresarial e que há associações actuando em diferentes domínios que podem, ou não, ser pertinentes para a Democracia Participativa)?

- Como podem as associações aprofundar o exercício da cidadania? Como ultrapassar fenómenos de caciquismo e burocratização?



5. Mas se estas são questões, digamos comportamentais, que importa definir, espera-se que naturalmente do movimento nasçam ideias sobre os aspectos do relacionamento do associativismo com o Estado e a DR, tais como:

- A forma justa de ressarcimento pelos bens de interesse publico que produzem;

- As diferenças que apresentam face ao mundo das empresas e as implicações que daí resultam em termos de financiamento e fiscalidade;

- O lugar que devem ocupar (e não apenas as associações mas também as populações) nas audições politicas, nas concertações sociais e nas políticas orçamentais.



6. O lançamento deste movimento, que agora se inicia, fez-se numa reunião para a qual foi convidada cerca de uma dezena de associações escolhidas por meras razões de proximidade e conhecimento mútuo e tendo por leitmotiv imediato a situação de precariedade em que grande parte delas vive.

O objectivo desta reunião vai, no entanto, muito para além do seu âmbito e das intenções que a motivaram.

Em primeiro lugar, quer-se que ela seja o despoletar de um Movimento amplo e abrangente, procurando-se, nomeadamente, implicar, na promoção, mais regiões e domínios de acção. Nesse sentido as Associações, presentes na reunião havida, são chamadas a animar encontros a nível local/regional em que se impliquem todos os possíveis potenciais interessados.

Em Segundo lugar, quer-se que o movimento funcione como um processo de consciencialização, de definição de linhas de acção e de princípios orientadores: o Congresso deverá surgir como a consagração de uma caminhada.

Em terceiro lugar, quer-se assegurar que o Movimento e as suas propostas ganhem visibilidade, o que passa pela participação activa de associações identificadas com princípios e práticas de cidadania.
 
 
 
 
 
http://movimentodoassociativismo.blogspot.com/2009/11/dar-corpo-um-movimento-social.html#comment-form

24.1.10

Planeamento Estratégico: Museus para o séc. XXI

O Plano Estratégico do Instituto dos Museus e da Conservação (IMC): Museus para o séc. XXI foi ontem (20/01/2010) apresentado diante de uma audiência que encheu por completo a sala do Museu de Arte Popular onde se realizou a conferência de imprensa.

A sessão foi inaugurada pelo Secretário de Estado da Cultura, Elísio Summavielle, que introduziu alguns dos tópicos que fazem hoje a actualidade e os problemas dos museus nacionais. Seguiu-se o director do IMC, João Carlos Brigola, que apresentou o plano estratégico, destacando alguns dos aspectos considerados mais relevantes do documento.

João Carlos Brigola começou por sublinhar que este não é um documento fechado, mas sim um conjunto de fundamentos gerais que deverão orientar a acção do IMC.

Este plano tem em linha de conta 31 prioridades de intervenção e estrutura-se em seis eixos de trabalho:

EIXO 1. Reenquadramento do sistema de gestão dos museus tutelados pelo MC/IMC.

EIXO 2. Inovação de modelos de funcionamento nos museus e palácios do MC/IMC.

EIXO 3. Governança de proximidade com os representantes e associações profissionais dos sectores da Cultura, das Universidades, da Museologia e da Conservação e Restauro, e com os municípios, as regiões autónomas, entidades públicas, as dioceses, as misericórdias, as fundações e outros agentes.

EIXO 4. Consolidação e crescimento sustentado da Rede Portuguesa de Museus.

EIXO 5. Política coerente e integrada de preservação, estudo, documentação e comunicação das colecções de bens materiais móveis e imóveis, sob a sua tutela, e do património imaterial.

EIXO 6. Qualificação profissional e formação académica e científica dos recursos humanos do IMC.



Para conhecer o documento em detalhe clique no seguinte endereço:
http://nomundodosmuseus.files.wordpress.com/2010/01/planeamentomuseus1.pdf

21.1.10

Tarde Intercultural no Museu _ Democracia Participativa e Cidadania, com Ruy d`Espiney ___________

clicar na foto para ampliar




Em marcha um congresso nacional sobre Cidadania, em meados de Novembro em Tondela. Vamos dando notícias sobre este movimento que se movimenta nas discussões que vão tendo lugar em diversos pontos do país. Questões pertinentes, muito actuais, sobre conceitos e práticas de Cidadania e da democracia participativa em Portugal. Um tema que se prende também, a nosso ver, com um conceito alargado e pró-activo de património e com o papel dos museus na sociedade. Este ano o tema proposto pelo ICOM é: " Museus e harmonia social ", começámos por aqui a harmonizar as ideias ... e a reflectir sobre o sentido histórico do associativismo nas suas diversas vertentes e vocações, desde o final do sec. XIX (a filantropia, o assistencialismo, as mútuas), os príncipios elementares da inclusão, formas entender o rio e as margens no devir da História e de recentrar o problema da participação à luz da contemporaneidade)

 link para o blog do movimento ...




__________Participem_______________________________

20.1.10

Plano Estratégico para os Museus do Século XXI ?




Albrecht Dürer (1471-1528)




O que vem a lume, são as demissões (nomeadamente a do director do Museu de Arte Antiga), as nomeações e outras re.conduções, assim justificadas em comunicado do gabinete da Ministra da Cultura:


"a opção de não recondução no cargo por Paulo Henriques vem no 'âmbito de uma nova orientação estratégica dos organismos do ministério da Cultura, em consonância com o Programa do XVIII Governo Constitucional, em que se inclui o Plano Estratégico para os Museus do Século XXI'.


Aqui, na Antena 1, pode ouvir:
http://tv1.rtp.pt/noticias/?t=Antonio-Filipe-Pimentel-e-o-novo-director-do-Museu-Nacional-de-Arte-Antiga.rtp&headline=46&visual=9&article=312259&tm=4


Quanto ao plano estratégico terá que ser bem esmiuçado, sobretudo no que respeita à mudança da tutela de alguns museus do IMC para as Câmaras Municipais.

3.1.10

“Temos de fazer um debate sem estrelismos”


José do Nascimento Júnior, diretor do Ibram, defende descentralização de recursos. Em entrevista, afirma que reforma na Lei Rouanet e novo fundo não terão um impacto “catastrófico” e sugere criação de museus



Folha de S.Paulo, Ilustrada, Silas Martí, 24/12/2009


No centro das discussões sobre o futuro dos museus no país está um único homem. José do Nascimento Júnior, antropólogo social, é o diretor do Instituto Brasileiro de Museus. Está nas mãos dele, em grande parte, a missão de contentar grandes e pequenos museus do país. É criticado de um lado por não ser ligado às artes visuais. Mas recebe elogios, de outro, pela tentativa de organizar o setor de museus no país.



Em entrevista à Folha, no dia em que deu posse ao conselho do Ibram, Nascimento Júnior se defende de acusações de uso eleitoreiro da máquina do Ministério da Cultura, esclarece o conflito em torno dos modelos de gestão estaduais e afirma que o novo fundo para o setor de museus, aliado à reforma da Lei Rouanet, não terá efeito “catastrófico”. Leia a seguir alguns trechos da conversa. (SILAS MARTÍ)




MASP. São Paulo



FOLHA - A maioria dos museus depende de recursos incentivados. A reforma na Lei Rouanet não vai gerar patrocínios e travar instituições?



JOSÉ DO NASCIMENTO JÚNIOR - Esse teto de 80% aponta para um campo em que o incentivo não pode ser 100% para todas as áreas. As empresas têm de entrar com dinheiro bom, e eu não vejo a possibilidade de secar a fonte, porque a área de cultura dá uma visibilidade interessante às empresas. E a nova lei também cria uma série de fundos. Sempre há medo, mas o ministério vai estabelecer regras de transição. Não vai ocorrer um impacto catastrófico.



FOLHA - Não é utópica a ideia de descentralizar os recursos e financiar museus em todo o país?



NASCIMENTO JÚNIOR - A concentração de instituições culturais no Brasil não passou da linha do Tratado de Tordesilhas, e o Brasil hoje é a sexta maior rede de museus do mundo. É importante entender que o museu é a unidade básica de memória. Há uma demanda real no país por mais museus. As pessoas também precisam enxergar o Brasil como um todo, não a partir de São Paulo ou do Rio. Tem que entender o país na sua complexidade e na sua profundidade.



FOLHA - Mas, nessa descentralização, grandes museus temem que vão perder recursos na divisão com milhares de instituições minúsculas.



NASCIMENTO JÚNIOR - Os grandes vão ser tratados como grandes. As megaestruturas sempre foram muito bem tratadas em detrimento das pequenas. Nunca foi o contrário, até porque a visibilidade foi sempre em direção aos grandes. Precisamos ampliar o número de recursos, não ficar numa linha do meu pirão primeiro. Temos que tratar em cada âmbito. Governos estaduais e municipais também têm de ter suas políticas.



FOLHA - Essa nova estrutura, no entanto, não pode dar margem ao uso eleitoreiro da máquina estatal?



NASCIMENTO JÚNIOR - Se a gente fosse eleitoreiro, estaria investindo onde tem concentração de voto, mas estamos mostrando que o Brasil é mais complexo do que essas regiões. Quem for ao Brasil profundo dialogar com Estados como o Piauí, Maranhão, Acre, Roraima vai ver que tem necessidades que a estrutura que nós herdamos do Ministério da Cultura não nos permitia atender. Nós refundamos o ministério e hoje ele é uma estrutura garantidora do direito cultural.



FOLHA - Como será resolvido o impasse em nível estadual, com organizações sociais com diretores que não podem ser remunerados, de acordo com o Estatuto de Museus?



NASCIMENTO JÚNIOR - É um equívoco interpretar o estatuto como sendo restritivo a isso. Se você pegar três, quatro juristas, cada um vai dar um parecer diferente sobre isso. São Paulo não necessita fazer disso um cavalo de batalha. Estamos caminhando para regulamentar. Temos de fazer esse debate com tranquilidade, sem estrelismos ou visões apaixonadas.



FOLHA - Mas esse esquema em nível estadual mais a estrutura federal não leva a um possível inchaço da máquina estatal, como no Ibram?



NASCIMENTO JÚNIOR - Não temos uma megaestrutura. São 40 cargos. O restante deles foi criado para reforçar a estrutura dos museus federais. São 470 pessoas, funcionários públicos de carreira. E vamos ter concurso agora para 260 funcionários, parte em Brasília e parte deles nos museus federais.

15.12.09

PIERRE MAYRAND














LA MUSÉOLOGIE SANS DESSUS

DESSOUS

Regards sur la muséologie actuelle


Pamphlet d’ un altermuséologue, 2009



INTRODUCTION

On aura compare le musée à un mastodonte (Balerdi), à une marre à grenouilles (Santiago), la muséologie à un animal qui tente de se mordre la queue et à un immense marécage ( Mayrand ). Après la période des innovations qui introduira le concept des nouvelles muséologies ( 1970-1990 ) suivra une période, précédant la récession financière et la crise morale engendrée par un capitalisme déréglé, où chacun, petit ou grand, tentera d’ explorer des voies nouvelles, chacune de ces périodes produira une abondante littérature cherchant à justifier le choix de société des uns et des autres ( le consevatisme en opposition avec le communitarisme et la massification ). Le musée lui-même ( Le Louvre ) devenant objet de marchandages ou de développements urbains ( Bilbao ), s’ aventurera dans la voie de l’ intermédialité ( SAT, Montreal, 2009 ) et des études théoriques pour elles-mêmes sur la médiation (Davallon). La mise au jeux: L’ apport des arts médiatiques conduisant à une quasi virtualisation de l’ institution muséale dans l’ approche de l’ objet-mémoire, Ces formes extrêmes de conceptualisation s’ accompagnent d’ un coup d’ oeil vers les expériences proches des populations cherchant à faire la synthèse de leur identité et à dégager une nouvelle formulation de la tradition communautaire dont l’ écomusée, malgré ses aléas actuels, demeure le plus réputé.



L’ introduction pléthorique de néologismes pour tenter de se situer dans une évolution accélérée, les essais de définition du Musée ( Mairesse, Desvallées, Mayrand ) et des fonctions qui s’ y rattachent, sont symptomatiques du malaise que connait cette industrie culturelle ( boîte à mémoire, miroir de représentations du monde et de phénomènes paticuliers ), nous ayant amené à titrer ce pamphlet : L’ absence de politiques cohérentes, de terrains concensuels, emportés par la vague déferlante du néo-libéralisme. Nostalgique de la grande période de rénovations d’ aprés guerre, d’ un futur que l’ on voudrait comme l’ entrée dans la magie de l’ univers cybernétique, la machine continue néanmoins à tourner, tellement le musée est enraciné dans les mentalités comme l’ espace privilégié des mémoires porteuses de valeurs patrimoniales, sans lesquelles il n’ y aurait plus de dessus ( vision cohérente ) et de dessous ( action cohérente ).



Et si le hasard voulait que l’ institution se dissolve, entraînant dans sa chute l’ ICOM au bénéfice d’ une action culturelle d’ une toute autre nature faisant une césure entre la conservation des oeuvres jugées représentatives par l’ humanité ( pourquoi pas par référendums ? ) ou de communautés particulières, et la fonction culturelle proprement dite ( subversive, insitative ), soit des espaces devenus des lieux de convergence autour de thèmes de la mémoire interculturelle en construction, comme on le trouve déjà dans le musée agora, plaque tournante de l’ émergence de citoyennetés ? L’ altermuséologie, ce nouveau rameau de la nouvelle muséologie s’ y attache déjà ( Musée à l’ attaque, 2009, Manifeste, 2007 )



AUTREFOIS

Musée standard ……….. Conservatoire,

Musée collection

Mémorial

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Cumulatif



Musée communautaire….Biens usagers jugés

Représentatifs par un

Milieu.



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Lien affectif



ACTUELLEMENT



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5.12.09

“Artes de Cura e Espanta-Males” - Museu do Trabalho Michel Giacometti

O livro “Artes de Cura e Espanta-Males”, coordenado por Ana Gomes de Almeida, Ana Paula Guimarães e Miguel Guimarães, com base no espólio de medicina popular recolhido por Michel Giacometti, é lançado em Setúbal no sábado à tarde.

A sessão, a realizar no Museu do Trabalho Michel Giacometti, às 15h00, numa organização da Câmara Municipal de Setúbal, é apresentada por António Vecino e conta com a exibição de um filme de Tiago Pereira.

O espólio retratado na obra encontra-se no Museu da Música Portuguesa, resultando de uma recolha feita pelo etnógrafo corso Michel Giacometti, com mais de 5500 fichas sobre doenças.

Miguel Magalhães, Ana Paula Guimarães e Ana Gomes de Almeida prepararam o material, classificaram-no e expuseram-no aos olhares de médicos especialistas, poetas, artistas, investigadores e professores. Estes responsáveis comentaram os textos de rezas, ladainhas, provérbios e orações (frequentemente com ervas, às vezes através de pedras ou animais) para tratar males como hipertensão, hemorróidas, gangrena, brotoeja, raquitismo, halitose, anorexia, leucorreia, anemia, coqueluche, nefrite, ciática, apoplexia, doenças dos olhos, tumores, epistaxis, fracturas, fogagem, bronquite, insónias, cãibras, blenorragia, picadas de abelhas, hemorragias, piolhos, afrontas e espigas das unhas.

Com a obra a apresentar no sábado em Setúbal, os leitores podem tomar um contacto com essas receitas desaconselhadas hoje, concebidas, nalguns casos, há milhares de anos e transmitidas de geração em geração, manifestando crenças secretas relativas ao corpo e à doença.

_______________
Museu do Trabalho Michel Giacometti (junto ao Miradouro das Fontaínhas, em Setúbal)
Telef 265537880




1.12.09

NOTES DE LECTURE


Musée et muséologie,
Dominique Poulot (2009)

Par Pierre Mayrand, réseau de correspondance.



LA PHRASE UNIQUE,





Si je passe en coup de vent aux conclusions de l’ auteur, j’ y trouve, esquissées plusieurs de mes propres considérations, comme celles de presque tous lesauteurs de la nouvelle vague,: Un sur le renversement spectaculaire du musée: Un espace public flexible, multifonctionnel, pouvant abriter des pans de collections (Branly) comme donner l’ impression qu’elles s’ y trouvent toutes exposées aux regards du public (Branly) dansd une perspective renouvelée, provoquée par la multiplicité sans borne des approches ( le sentiment d’ immersion, coeur de l’ expression muséale , à l’ exception de l’ art actuel qui persiste à se cantonner dans l’ unicité ), aborder les faits de mémoire comme mausolées des traumas ou de momments exceptionnels d’ expériences de vie ( Setúbal ) … en d’ autres termes, faire le choix d’entrer dans l’ intériorité collective, ou dans les manifestations humaines, restituées dans leur environnement social et physique, leur servant de décor psychophylanthropique, ramenant ainsi l’ espace public réservé institutionnellement au MUSEE, à sa fonction première d espace meuble, selon les circonstances, par les choix thématiques, didactiques ou sensationnels, à láide de dispositifs plus ou moins denses, les salles d’ exposition servant d’ avant scènes à une machine organisationelle manipulée tant par les professionnels que par des volontaires, les distinctions encore recentes s’effaçant au profit de l’ hôte, orienté ou désorienté, au coeur de cette logique.



Un ouvrage modeste, sans prétentions, où l’ auteur admet qu’il faudrait ( nous sommes en 2009 ) qu’il faudrait élargir le contexte presque exclsusivement français à une mise en situation internationale, du moins dans le monde occidental.

27.11.09

Cartografias da Memória _ Museu do Trabalho






Tarde Intercultural: Cartografias da memória _ Museologia Social e participação

Sábado, 28 de Novembro, das 15 às 18-00h, no Museu do Trabalho Michel Giacometti
Em Setúbal (Junto ao Miradouro das Fontaínhas)


Esta Tarde Intercultural é (perspectiva-se) diferente. Diferente no modelo, porque chamou à conversa várias vozes, tentando reunir pensamento e acção sobre os ancoradouros da memória, os seus territórios e as múltiplas inscrições. Diferente porque este falar polifónico se fará à volta de uma mesa e porque esse tempo irá dominar a tarde que será assim mais reflexiva do que celebrativa (apesar da concertina e do histórico Bolo-rei). É uma Tarde para estar e conversar produtivamente sobre as práticas e os valores que orientam o delicado trabalho das diversas redes de profissionais e voluntários na recolha das memórias e estudo das identidades. Mas esta Tarde também é diferente porque representa para nós um marco, um momento charneira para falar do "estado da Arte". É também uma oportunidade para acertar o passo com outros museus e saber de projectos de reconhecido impacto, na Arte de recolher e partilhar memórias, mola de uma Museologia participativa, inclusiva, acessível, socialmente responsável e ousada, que persegue os valores e os princípios fundadores do MINOM- Movimento Internacional para uma Nova Museologia, lançados na Mesa-Redonda de Santiago do Chile, ICOM, 1972, confirmados pela Declaração de Québec (MINOM) 1984.



Isabel Victor
Museu do Trabalho Michel Giacometti

Nota: sobre os valores que norteiam os princípios da Nova Museologia e os documentos fundadores do MINOM, ler mais em: http://www.interactions-online.com/







11.11.09

XIX JORNADAS SOBRE A FUNÇÃO SOCIAL DO MUSEU: “O TRABALHO COMO PATRIMÓNIO MUSEOLÓGICO”




A Câmara Municipal de Paços de Ferreira em parceria com o MINOM- Portugal, organizam as XIX Jornadas Sobre a Função Social do Museu, subordinadas ao tema – O Trabalho como Património Museológico, a terem lugar em Paços de Ferreira entre 13 e 15 de Novembro de 2009.




Secretariado

Tel.: 255 963 643

e-mail: Jornadasminom.pacosdeferreira@hotmail.com

macs.servicoeducativo@gmail.com



____________________________________
in   http://apat.wordpress.com/

 

4.11.09

Biblioteca Digital Mundial





Reúne mapas, textos, fotos, gravações e filmes de todos os tempos
e explica em sete idiomas as jóias e relíquias culturais de todas
as bibliotecas do planeta.
Tem, sobre tudo, carácter patrimonial" , antecipou ontem em LA
NACION Abdelaziz Abid, coordenador do projecto impulsionado pela
UNESCO e outras 32 instituições.

A BDM não oferecerá documentos correntes, a não ser "com valor de
património, que permitirão apreciar e conhecer melhor as culturas do
mundo em idiomas diferentes: árabe, chinês, inglês, francês,
russo, espanhol e português. Mas há documentos em linha em mais de
50 idiomas".

Entre os documentos mais antigos há alguns códices precolombianos,
graças à contribuição do México, e os primeiros mapas da
América, desenhados por Diego Gutiérrez para o rei de Espanha em
1562", explicou Abid.

Os tesouros incluem o Hyakumanto darani , um documento em japonês
publicado no ano 764 e considerado o primeiro texto impresso da
história; um relato dos azetecas que constitui a primeira menção
do Menino Jesus no Novo Mundo; trabalhos de cientistas árabes
desvelando o mistério da álgebra; ossos utilizados como oráculos e
esteiras chinesas; a Bíblia de Gutenberg; antigas fotos
latino-americanas da Biblioteca Nacional do Brasil e a célebre
Bíblia do Diabo, do século XIII, da Biblioteca Nacional da Suécia


Fácil de navegar

Cada jóia da cultura universal aparece acompanhada de uma breve
explicação do seu conteúdo e seu significado. Os documentos foram
escaneados e incorporados no seu idioma original, mas as
explicações aparecem em sete línguas, entre elas O PORTUGUÊS

A biblioteca começa com 1200 documentos, mas foi pensada para
receber um número ilimitado de textos, gravados, mapas, fotografias
e ilustrações.

Como se acessa ao sítio global

Embora seja apresentado oficialmente hoje na sede da UNESCO , em
Paris, a Biblioteca Digital Mundial já está disponível na
Internet, através do sítio www.wdl.org .

O acesso é gratuito e os usuários podem ingressar directamente pela
Web , sem necessidade dese registarem
Quando se faz clique sobre o endereço www.wdl.org , tem a
sensação de tocar com as mãos a história universal do
conhecimento. Permite ao internauta orientar a sua busca por épocas,
zonas geográficas, tipo de documento e instituição. O sistema
propõe as explicações em sete idiomas (árabe, chinês, inglês,
francês, russo, espanhol e português). Os documentos, por sua
parte, foram escaneados na sua língua original. Desse modo, é
possível, por exemplo, estudar em detalhe o Evangelho de São Mateus
traduzido em aleutiano pelo missionário russo Ioann Veniamiov, em
1840. Com um simples clique, podem-se passar as páginas de um livro,
aproximar ou afastar os textos e movê-los em todos os sentidos. A
excelente definição das imagens permite uma leitura cómoda e
minuciosa.

Entre as jóias que contem no momento a BDM está a Declaração de
Independência dos Estados Unidos, assim como as Constituições de
numerosos países; um texto japonês do século XVI considerado a
primeira impressão da história; o jornal de um estudioso veneziano
que acompanhou Fernão de Magalhães na sua viagem ao redor do mundo;
o original das "Fábulas" de Lafontaine, o primeiro livro publicado
nas Filipinas em espanhol e tagalog, a Bíblia de Gutemberg, e umas
pinturas rupestres africanas que datam de 8.000 A.C..

Duas regiões do mundo estão particularmente bem representadas:
América Latina e Médio Oriente. Isso deve-se à activa
participação da Biblioteca Nacional do Brasil, a biblioteca
Alexandrina do Egipto e a Universidade Rei Abdulá da Arábia
Saudita.

A estrutura da BDM foi decalcada do projecto de digitalização da
Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, que começou em 1991 e
actualmente contém 11 milhões de documentos em linha.

Os seus responsáveis afirmam que a BDM está sobretudo destinada a
investigadores, professores e alunos. Mas a importância que reveste
esse sítio vai muito além da incitação ao estudo das novas
gerações que vivem num mundo áudio-visual. Este projecto tampouco
é um simples compêndio de história em linha: é a possibilidade de
aceder, intimamente e sem limite de tempo, ao exemplar sem preço,
inabordável, único, que cada um alguma vez sonhou conhecer











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28.10.09

TARDE INTERCULTURAL " Les Portugaises"





http://www.mun-setubal.pt/museutrabalho/




Ostras do Sado – “Rosários” de estórias e memórias




Uma a uma, milhares de cascas de ostras, enfiadas como pérolas em arame, adensam-se nas margens do rio, formando um emaranhado de colares, rosários, onde se aninhavam as novas ostras para ganhar casca e, assim, resistir à corrente.

As mulheres (coisas de mulheres, como não poderia deixar de ser …), também lhes chamavam “berços”, embalando na metáfora a ideia de sobrevivência.

A cadeia de operações e actos técnicos, meticulosamente descritos e agilmente ensaiados nos gestos dos homens e mulheres que nas décadas de 50 e 60 trabalharam nas várias concessões de ostras ao longo do Sado, mostram o rigor e a importância deste sector na economia local, que renasceu e ainda hoje conjuga, num pretérito quase perfeito, verbos como: Apanhar, mariscar, destroncar, escolher, pesar, embalar, embarcar.

Estes actos trazem associadas estórias de pessoas e grupos que são verdadeiras pérolas dos patrimónios de Setúbal e do Rio. O filme "Les Portugaises" de Rui Filipe Torres, em antestreia no museu, lança a rede a esta temática, fazendo a ponte entre o passado e o presente da cultura das ostras em Setúbal, advertindo que "há ideias de progresso que não têm futuro", centrando a questão no problema ambiental e nas escolhas que perigaram e perigam o frágil equilíbrio do estuário.



Centro de memórias – enredando “estórias”

Voluntários pelo património, enquadrados por museólogos e cientistas na área do ambiente (caso de Antunes Dias ilustre biólogo, ex-director das reservas do estuário do Sado e do Tejo), têm vindo a disponibilizar parte do seu tempo e muito do seu saber (e sentir) para construir uma rede de recolha e tratamento de testemunhos que constituem hoje, um verdadeiro rosário de memórias sobre os patrimónios do rio.

Tal como na pesca, esta malha feita de pessoas, saberes e “sentires” é complexa, tem o seu preceito, as suas cadências. É um processo moroso mas revela-se de uma importância vital para a sobrevivência da comunidade enquanto viveiro de culturas e locus de inovação. Ao contar e, sobretudo, ao recontarmo-nos atrasamos a morte, re(cria)mo-nos. Estas redes de conversas que o museu lança ao rio das memórias são a forma que encontrámos de resistir às fortes correntes do esquecimento; são a nossa armadilha contra a morte anunciada de um riquíssimo património material e imaterial que tende a ser engolido por “ideias de progresso que não têm futuro”

As histórias de vida recolhidas por voluntários e informantes, entroncam umas nas outras e vão dando corpo ao centro de memórias que constitui hoje um recurso fundamental para o estudo das identidades socioprofissionais ligadas ao trabalho dos marítimos e das conserveiras de Setúbal.

Mas estes trabalhos de Sísifo, precisam de mais pessoas e de muita paciência. É um trabalho de dedicação e paciência que vai entrelaçando “estórias” e trazendo à tona os objectos que as suportam como signos de uma fortíssima cultura de mar. No próximo ano temos em mente realizar, em parceria com o IELT, Universidade Nova de Lisboa, um colóquio designado “Falas do Rio”, reedição de outros que se têm realizado em vilas e cidades costeiras, como é o caso de Ílhavo, mas até lá temos muito que trabalhar e precisamos da sua indispensável participação. Junte-se a nós, temos encontro marcado no Centro de Memórias.



Isabel Victor e Maria Miguel Cardoso





Museu do trabalho Michel Giacometti e Arquivo Fotográfico Américo Ribeiro

Divisão de Museus da Câmara Municipal

Outubro 2009