30.5.09

Tarde Intercultural Cigana no Museu




No final de Maio deste ano, aconteceu no Museu do Trabalho Michel Giacometti (mais) um momento de cumplicidades entre payos e ciganos, entre homens e mulheres. Entre pessoas. Com a presença das Araquerar.
"Os casamentos mistos são um fenómeno social com uma importância e uma visibilidade crescente no mundo actual. Por este motivo, é imprescindível aumentar o conhecimento social que se tem sobre estas famílias, nomeadamente para entender quais são as formas, as dinâmicas e as estratégias de conjugalidade adoptadas por este tipo de casais para superar as suas diferenças culturais e assumir uma verdadeira união conjugal."

Sofia Gaspar, 2008. CIES-ISCTE





Casamentos mistos: um desafio ao amor? Ou o amor faz o milagre da aceitação incondicional?



Desafiaram-se três mulheres de coragem - duas jovens ciganas, balzaquianas, misteriosas, e uma payita, na idade da loba, com a ternura dos quarenta a transpirar-lhe pelos poros - de assumirem a sua diferença, de partilharem com “desconhecidos” o que pertence ao foro privado e que tanto nos intriga - mais os estudiosos (e curiosos) do que o comum dos mortais, porque estas coisas do amor, não escolhem idade, classe social, origem étnica, religião; porque estas coisas do amor são, efectivamente, misteriosas, mágicas, uma química, um duende…



O debate foi lançado com algumas questões-desafios:

O que lhes parece ter sido o toque de magia que as fez unir a uma pessoa "diferente" (terá sido assim tão diferente?), que o acaso (terá sido um acaso?) fez com que se unisse a ela, através de laços conjugais. Quais foram as etapas por que passaram? Quais foram os obstáculos que encontraram e como os ultrapassaram? Que mudanças profundas (se é que as houve) se operam nas suas vidas e nas suas formas de encarar a vida a dois?



Não vou expor aqui o que cada uma quis partilhar, desafiada pelas perguntas lançadas pelas pessoas presentes… A riqueza do debate e da partilha foi imensa e eu não estava lá com o intuito de anotar tudo, como faz um antropólogo… Estava lá para incitar as perguntas, dinamizar o debate, lançar pistas de aprofundamento, aflorar contradições, tentando desmontar estereótipos, dando voz a estas três mulheres muito especiais: Sónia Matos (já conhecida dos aficionados deste blogue), Noel Gouveia (prima da Sónia, filha da Olga Mariano) e Lígia Vitorino (uma antropóloga que veio a descobriu ter casado com um parente da Sónia e da Noel).



Falou-se de obstáculos que se tiveram de encarar de frente, encontrando estratégias para os contornar sem se dilacerar identidades; de dilemas que se tiveram que equacionar; de decisões que se tiveram que tomar, de cumplicidades que se criaram; de novos estares e sentires que se descobriram, e de redes sociais que se construíram… Quando se toma este passo, a vida a dois nunca é apenas uma vida a dois: ela traz consigo duas famílias – com os seus rituais, hábitos, crenças, etc... - que se unem por partilharem um bem comum: a felicidade dos seus filhos e filhas – e aprendem a conhecer a pessoa que habita no(a) Cigano(a) e na(o) Payita(o).



Concluiu-se que os casamentos mistos lidam com os mesmos obstáculos que os outros casamentos também enfrentam e que só o amor, a compreensão, o respeito pelo outro os pode transformar em desafios e oportunidades…! Na intimidade, no privado, na gestão das relações familiares somos muito mais semelhantes do que diferentes… E quando estes laços duram (como é o caso do casamento da Lígia cuja ligação dura há mais de 20 anos) é porque o casal aprendeu a andar com os sapatos do outro e fez caminho com eles calçados!


Myrna Montenegro

História penada por La Payita
Palavras Mágicas: Araquerar, Calon, Camelar








Casamentos mistos - vidas na palma da mão
Museu do Trabalho Michel Giacometti

Telef 265537880
museu.trabalho@mun-setubal.pt


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29.5.09

A não perder


Duende is Webster's captivating memoir of the years he spent in Spain pursuing his obsession. Studying flamenco guitar until his fingers bleed, he becomes involved in a passionate yet doomed affair with Lola, a flamenco dancer (and older woman) married to the gun-toting Vicente, only to flee the coastal city of Alicante in fear for his life. He ends up in Madrid, miserable and lovelorn, but it's here that he has his first taste of the gritty world of flamenco's progenitors - the Gypsies whose edgy lives and fervent commitment to the art of flamenco vividly illustrate the path to duende. Before long he is deeply immersed in a flamenco underworld that combines music and dance with drugs and crime. After two years Webster moves on to Granada where, bruised and battered, he reflects on his discovery of the emotional heart of Spain.




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Duende: A Journey Into the Heart of Flamenco
Por Jason Webster
Edition: reprint
Edição de Broadway Books, 2004
ISBN 0767911679, 9780767911672
336 páginas

23.5.09


A Qualidade em Museus - Atributo ou imperativo ?




Isabel victor

Margarida Melo



"A Gestão da Qualidade é muito diferente da Qualidade. Caracteriza-se pelo sistema de organização que está por detrás para conseguir pôr em prática a Qualidade de uma forma permanente e consistente. Se não se conseguir definir Qualidade não se sabe o que se vai controlar ou gerir." (Ramos Pires 2005, excerto de entrevista publicada em Victor 2005)


Introdução

A ambiguidade de sentidos relativamente à noção "Qualidade em museus" pode levar a que todos estejamos, aparentemente, de acordo em alcançá-la mas absolutamente equivocados relativamente aos pressupostos dessa mesma Qualidade e aos caminhos para a atingir, tão somente porque partimos de diferentes conceitos e formas de articular o eixo Museu/Qualidade. O que nos entusiasma no modelo de auto-avaliação, multi-modo e aberto, preconizado pelo Sistema da Gestão da Qualidade, é o rigor dos critérios e a oportunidade de aprofundar estas categorias, a partir da recolha e selecção de evidências, da formulação rigorosa de critérios e variáveis, construídas a partir da identificação das necessidades e expectativas dos cidadãos-clientes do museu, como princípio e fim de toda a acção museológica.


Eixos teóricos da Qualidade em Museus- Quem disse o quê?

Um dos primeiros autores a salientar a importância dos princípios da gestão da qualidade aplicados aos museus foi Peter Ames, logo no início da década de 1990, propondo 38 indicadores de performance para os museus, divididos em seis categorias: 1) Acesso; 2) Finanças e infra-estruturas; 3) Angariação de fundos; 4) Recursos Humanos; 5) Marketing; 6) Exposições, colecções e educação. No mesmo ano, Middleton (1990) sugeria a adopção dos princípios da gestão da qualidade nos museus, especialmente no que dizia respeito à qualidade do produto e à orientação para o cliente. Porém, os responsáveis pelos museus mundiais mantiveram-se genericamente à margem destas recomendações, oferecendo certa resistência em assumir, para a gestão de um bem público, de cariz cultural, princípios usados no sector privado, industrial e comercial.

Sete anos mais tarde, Michael Fopp, na sua obra Managing Museums and Galleries (1997), traça o percurso histórico da gestão no contexto mundial desde inícios do século XX, reflectindo sobre o modo como os museus foram incorporando algumas dessas práticas. Para Fopp, um gestor a operar dentro do quadro da Qualidade verá, essencialmente, clientes e fornecedores numa cadeia interligada de prestação de serviços, dentro e fora da organização. Porém, a percepção da existência de clientes no universo museal é uma realidade recente, pelo que ainda não existe uma consciência generalizada de que um produto museal de qualidade é aquele que vai ao encontro das necessidades dos seus cidadãos-clientes, ao longo da cadeia de processos que ganhará visibilidade no resultado final e nos impactos que promove.

Será já no final da década que, numa obra de referência para a gestão museal, Management in Museum (coordenada por Kevin Moore 1999), surge uma contribuição de Carol Bowsher. O seu artigo pode ser considerado como uma das primeiras análises das valências da Qualidade Total quando aplicadas ao campo museal. Nele Bowsher investiga os impactos causados pela adopção dos princípios da TQM na gestão dos Museus da região de Leiscester, na Grã-Bretanha. Tratava-se de uma experiência pioneira e importava à autora compreender os ganhos, mas também as dificuldades trazidas por este novo modelo de gestão.

Segundo Carol Bowsher (1999), os museus são organizações que não se subtraem (ou não devem subtrair-se) à gestão por objectivos, pelo que, à partida, têm interesse em adoptar uma filosofia organizativa que vise a melhoria contínua dos seus processos e resultados. Porém, a sua complexidade interna e o carácter fortemente qualitativo dos seus resultados dificultam, no seu entender, avaliações de performance que enfatizem expressões quantitativas.

Segundo a autora, a implementação de um sistema de Gestão pela Qualidade Total na esfera museal pode ser minada por algumas condicionantes:
1) Falta de clareza e sentido nos objectivos – objectivos divergentes nos vários departamentos levam a relações tensas dentro da organização o que obviamente condiciona a qualidade da instituição e dos serviços que oferece.
“It is the lack of ‘process’ for creating and articulating goals that is more problematic than the more visible debate about what the goals should be (...) the involvement of all constituencies in goal-setting exercises and developing common philosophy will help overcome both board membership and departmental dissent.” (Bowsher, 1999: 247)

2) Complexidade da estrutura de gestão – A maior parte dos museus não tem autonomia, financeira e institucional, para levar a cabo alterações radicais e carrega muitas vezes o peso de uma estrutura burocrática combinada com uma forte hierarquização da gestão.
3) Parcos recursos – a crise do Estado Social (que entre outras funções chamava a si a função de assegurar a educação e a promoção da cultura dos seus cidadãos) vem impor constrangimentos sérios ao funcionamento dos museus, obrigados cada vez mais a trabalhar com menos recursos financeiros e humanos, o que por si só não favorece a implementação dos sistemas de gestão da qualidade. A adopção de um sistema de Gestão da Qualidade Total tem sérias dificuldades em implementar-se junto de funcionários descontentes e sobrecarregados:

“The current economic climate, it must be stated, is not conductive to the culture of TQM. It could well be argued that an environment of budget cuts and redundancies, is unfortunately more likely to develop a breeding ground for infighting and back stabbing, than one of trust and cooperation. (Bowsher 1999: 248)


Ainda nos últimos anos da década de 1990, de 30 de Setembro a 4 de Outubro de 1997, o European Museum Forum efectua o seu workshop anual em Itália subordinado ao tema “Public Quality in Museums”. Este encontro teve um efeito de “contaminação” junto de alguns museólogos italianos, que ficaram especialmente interessados em desenvolver a temática da Gestão da Qualidade aplicada ao sector museal. Assim, no ano de 2000, com o apoio do European Museum Forum, realiza-se em Cortona, Itália, uma acção de formação para profissionais de museus, intitulada “Musei: la qualità come strumento di innovazione”. Deste curso resulta a obra Museo e cultura della qualità, publicada em 2001 e coordenada por Massimo Negri e Margherita Sani.

A obra desenvolve-se em duas partes: a primeira com contribuições que avaliam as vantagens da aplicação da Gestão da Qualidade aos museus contemporâneos, abordando questões como os standards museais, as questões éticas implicadas, os critérios da qualidade e as limitações à medição dos resultados dos processos museais; a segunda parte dedicada aos documentos e instrumentos disponíveis para desenvolver o estudo desta temática.

Mais recentemente, em 2004, surge um novo contributo para esta discussão, desta vez pela mão de François Mairesse, com a publicação da obra Missions et Évaluation dês Musées – Une enquetê à Bruxelles et en Wallonie. Nela, Mairesse elenca os vários tipos de avaliação que, ao longo de décadas, foram sendo aplicados ao “rizoma museal”: dos relatórios de actividades aos inquéritos de públicos, passando pela acreditação e pelos os indicadores de performance.

Como contraponto, François Mairesse propõe uma “avaliação global” (2004: 213) que vise o conjunto das missões (técnicas, axiológicas e funcionais) e o conjunto de actores reunidos na rede museal. Esta avaliação desenvolver-se-á em torno de seis eixos fundamentais:
1) os actores, com total representatividade dos implicados nas acções museais;
2) os objectivos da avaliação como resultado de um acordo alargado sobre o funcionamento do museu;
3) o contexto de avaliação;
4) o objecto a avaliar, considerando o conjunto de técnicas, funções e axiomas;
5) o método;
6) o referencial que posiciona o museu num contexto geral de rede ou rizoma.

A avaliação, assim entendida, teria como mérito fundamental a reflexão axiológica sobre o fazer museal, hoje em dia praticamente arredada das grandes linhas de discussão (Mairesse, 2004: 214-215).

Estes são alguns dos principais contributos que permitem apreciar as valências da Gestão da Qualidade aplicada ao campo museal. Tratam-se de visões diversas que em comum têm o desejo de contribuir para um reposicionamento da gestão e avaliação museais, subtraindo-as à lógica da mera contabilidade de públicos e das estratégias do marketing tradicional.

A Qualidade nos museus portugueses

O Museu do Trabalho Michel Giacometti* e os serviços educativos dos Museus Municipais de Setúbal, foram pioneiros no uso das ferramentas da Gestão da Qualidade. Este exercício permitiu identificar processos, salientar pontos fortes e pontos fracos, medir e publicar os seus resultados de desempenho, com recurso à CAF – common assessment framework e a comparar-se objectivamente, através de nove critérios e vinte e três sub-critérios, previamente definidos pela ferramenta auto-avaliativa, com outras organizações de natureza afim e/ou diferenciada, que perseguem objectivos sociais e culturais. Este estudo de caso está amplamente divulgado no número 23 dos cadernos de Sociomuseologia, edições da Universidade Lusófona, dedicado ao tema.

A experiência daí resultante tem servido de reflexão, em meio universitário e museológico, espelhada nas boas práticas que o próprio museu adoptou, na prossecução da sua missão, assente na participação como processo-chave da Qualidade e na busca da melhoria contínua, resultante da auto-avaliação e da constante revisão dos procedimentos inspirados no primado da pessoa, como enfoque primordial da acção museológica.

Resultante de estudos, encontros e reflexões sobre o tema foi criada, no âmbito da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, a página http://www.museologia-portugal.net/, disponível online, desde 2006, ano em que teve lugar, em Lisboa, no Instituto Português da Qualidade, o XIII Encontro Nacional Museologia e Autarquias, subordinado ao tema "A Qualidade em museus”.

Mais recentemente, no âmbito de uma investigação de mestrado, quatro serviços educativos de museus nacionais prestaram-se a uma experiência de auto-avaliação, baseada na ferramenta Inspiring Learning for All, desenvolvida na Grã-Bretanha pelo Museums Libraries and Archives Council. Esta investigação está publicada no nº 32 dos Cadernos de Sociomuseologia.

Neste exercício, o Museu Nacional de História Natural, o Museu do Trabalho Michel Giacometti, a Casa Museu Anastácio Gonçalves e o antigo Centro de Exposições do CCB aceitaram o desafio avaliativo manifestando concordância e apetência pelas suas virtualidades:

“Este inquérito permitiu a verbalização de algumas questões e preocupações intuídas mas nunca sistematizadas.” (Melo 2009: 115)

providenciando uma:

“Oportunidade de esclarecer a importância de questões que apesar de conhecidas não estavam priorizadas.” (Melo 2009: 115)

Nestes momentos de apreciação evidencia-se o carácter pedagógico da avaliação, privilegiando o carácter processual da museologia social e o aprendizado do erro.

A Participação como Processo-chave da Qualidade

Na perspectiva da Museologia Social, o museu encontra inequívoco sentido na participação dos cidadãos. A participação é transversal a todo o processo museológico gerado na dinâmica da comunidade como resposta aos seus anseios e necessidades. O que confere Qualidade a este museu, que designamos de novo tipo, é o facto dele ser reconhecido como obra inacabada de um colectivo, reflexo das contradições de uma comunidade em mudança. É através da participação em processos museológicos que os museus, identificados com os princípios da museologia social, constroem as suas missões. Os museus comprometidos com o desenvolvimento e a não exclusão, optam por romper a armadura institucional e interagir numa rede social composta por pessoas, unidades sociais (famílias), grupos socioprofissionais e outros, portadores de conhecimento, memórias, problemas, de modos de pensar e fazer diferenciados, que intervêm, com as suas visões multi-modas, na identificação, classificação e reinvenção dos patrimónios, em processos que contribuem para a qualificação da cultura.

Maria Célia Santos, em entrevista concedida a Mário Chagas (1998), a título de conclusão, adverte os profissionais dos museus “para que olhem para os museus para além dos museus (...); que o fazer museológico produza conhecimento e seja impregnado de vida (...) em permanente abertura para avaliar os processos museais e para a auto avaliação;(...) que procurem, constantemente, a qualidade formal e a qualidade política, assumindo o compromisso social e o exercício da cidadania.

Nesta perspectiva, alia-se claramente qualidade à participação dos sujeitos envolvidos nos processos museológicos, como base do conhecimento musealizado a partir da socialização dos diversos processos museológicos (pesquisa, preservação e comunicação).

A participação, como parâmetro fundamental da qualidade em museus, perspectivados a partir da comunidade e das necessidades dos cidadãos (acervo de problemas, no dizer de Mário Chagas), é um aspecto axial da Nova Museologia, pelo que deverá merecer elevada ponderação na avaliação e auto avaliação em museus identificados com o seu paradigma. A noção de auto avaliação engloba também, na categoria de cidadãos-clientes, os trabalhadores dos museus, a sua participação e conhecimentos induzidos pela sua especificidade profissional; categoria de primordial importância que não é captada nos estudos tradicionais de públicos, orientados exclusivamente para a avaliação dos produtos finais e das manifestações associadas ao "consumo". O acto constitutivo do fazer museológico, assente na participação, nos processos e na mudança social, essência da Nova Museologia, resulta num impacto para a comunidade (de que o museu e seus problemas são parte activa), teoricamente referenciado como categoria de análise do fenómeno museológico, mas que, na prática, não é avaliado/ medido por falta de descritores/ indicadores e de ferramentas adequadas.
Daqui se infere que os modelos convencionais de estudos de públicos em museus e as grelhas de avaliação por eles aplicados não servem para captar, em toda a sua extensão, a qualidade formal e a qualidade política que distingue o fenómeno museológico gerado pela Nova Museologia. A exposição, função axial da museologia tradicional é, por excelência, o objecto dos estudos de públicos , sinónimo de avaliação em museus. A museografia e as suas múltiplas narrativas, ocupam, na museologia social, um patamar distinto daquele que detém a clássica exposição, na museologia tradicional. Na cadeia operatória dos procedimentos museológicos , identificados com a Nova Museologia , a expografia é uma disciplina estruturante das narrativas diferenciadas que informam o discurso museológico. A exposição, assim entendida, é um processo transversal que resulta da interacção de vários processos museológicos (conservação, documentação, exposição, acção educativa) e não um produto de final de linha. A este propósito refere-se Cristina Bruno (2002): “A operacionalização desta cadeia de procedimentos técnicos e científicos – interdependentes – distingue e qualifica os discursos expográficos dos museus em relação a outras formas de exposições."

Qualidade, na asserção etimológica do termo, é exactamente o que nos distingue o que nos torna diferentes o que nos confere raridade (preciosidade). Se atentarmos ao que afirma Cristina Bruno (2002), a avaliação em museus deveria, através de indicadores pré – definidos, conseguir captar / medir a eficácia dos procedimentos técnicos e o seu nível de interdependência. Na perspectiva do novo paradigma da Museologia e tendo como referência os sistemas da gestão da qualidade, esta forma de avaliação e auto avaliação será, eventualmente, a mais habilitada para captar a realidade museológica contemporânea - multidisciplinar , estimuladora de diálogos interculturais e participativa, na medida em que os processos museológicos não estão confinados ao museu no sentido institucional do termo.

A aplicação do processo museológico na perspectiva de Maria Célia Santos (2002), “não está restrita à instituição museu, ele pode anteceder á existência objectiva do museu ou ser aplicado em qualquer contexto social.

Nesta noção de processo museológico não tem sentido avaliar produtos dissociados de quem os produz e dos contextos dessa mesma produção. A qualidade associada á participação, mede-se pela eficácia do diálogo e a interacção que se estabelece entre os vários sujeitos na acção, em processos de auto-avaliação. Os resultados evidenciados constituem incentivo a melhorias continuas, traduzidas por novas práticas sociais associadas á participação, cidadania e ao desenvolvimento.
Avaliar os processos museológicos e a Qualidade por eles gerada, com base na participação é, pois, muito mais exigente e qualitativamente diversa da avaliação de produtos finais, independentemente da sua qualidade intrínseca que não é posta em causa, ou do seu impacto momentâneo medido pela maior ou menor adesão dos públicos. Os museus inseridos na comunidade e comprometidos com o desenvolvimento opõem a participação à exclusão, o dialogo à intransigência e o conhecimento partilhado e gerido à meritocracia. A este propósito, Maria Célia Santos (1999) refere "ao reflectir sobre o processo muselógico, inserindo nas demais praticas sociais, a partir de uma auto critica das nossa vivências (...) que possamos assumir o nosso compromisso social com qualidade, o que, implica participação, imersa em nossa pratica cotidiana. Ainda Pedro Demo (1994, citado por Maria Célia Santos), salienta que “Qualidade é participação (...). É a melhor obra de arte do homem em sua história, porque a história que vale a pena, é aquela participativa (...) com o teor menor possível de desigualdade, de exploração, de mercantilização, de opressão”.
Concluindo, os Sistemas de Gestão da Qualidade promovem uma filosofia empresarial que concilia estratégia, visão e operacionalização. Para isto é essencial definir a missão e difundir a visão, bem como os valores, as metas e objectivos a atingir, fomentando práticas comunicacionais transversais e pouco hierarquizadas e envolvendo os funcionários através da “investidura de poder” (empowerment). Enquanto sistema, a Qualidade Total depende em absoluto de todas as partes, pelo que todos os agentes devem estar conscientes do seu papel. Mas mais importante, todos os agentes devem ter sido alvo de um investimento prévio (de informação, de formação e de confiança) para que possam desenvolver as competências necessárias aos distintos processos museais.

Acreditamos que os museus portugueses caminham inevitavelmente para a operacionalização destes conceitos e para adopção destas ferramentas, como garante da sua sustentabilidade. Os estudos de caso que realizámos deixaram-nos bem clara a necessidade de prosseguir, de incorporar o maior número possível de contributos, de pessoas interessadas na causa do património e da museologia como valores estratégicos do desenvolvimento e da inclusão.



Bibliografia

AMES, Peter (1990) “Breaking Grounds. Measuring museum’s merits.” in Museum Management and Curatorship, 9, 1990 apud Mairesse (2004)

BOWSHER, Carol (1999) “Total quality Management in Museum: an investigation into the Adaptive Relevance of TQM in the Museums” in Moore (ed.), Management in Museums, London, Atalone Press

BRUNO, Cristina (2002) "Entre a museologia e museografia : Propostas, problemas e tensões", Seminário Internacional (policopiado)
CHAGAS, Mário de Souza (2000) Memória e poder: Dois movimentos, in Cadernos de Sociomuseologia nº19, Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas.
FOPP, Michael A. (1997) Managing Museums and Galleries, London/New York, Routledge
MAIRESSE, François (2004) Mission et Évaluation des Musées – une enquetê à Bruxelles et en Wallonie, Paris, L’Harmattan
MELO, Isabel Margarida (2009) O Museu Inspirador, Caderno de Sociomuseologia nº 32, Lisboa, Edições Universitárias Lusófona

MIDDLETON, V. (1990) “Irresistible demand forces”, in Museums Journal, 31-4 apud Bowsher in Moore (ed.), Management in Museums, London, Atalone Press
NEGRI, Massimo & SANI, Margherita (Coord.) (2001) Museo e cultura della qualità, Bologna, Clueb
SANTOS, Maria Célia (2002) Processo Museológico: critérios de exclusão
IVFórum de Profissionais de Reservas Técnicas de Museus, Salvador-BA, Novembro de 2002, organizado pelos Conselho Federal de Museologia – COFEM e Conselho Regional de Museologia, 1a. Região – COREM-BA.
VICTOR, Isabel (2005) Os Museus e a Qualidade – Distinguir entre museus com “qualidades” e a qualidade em museus, Lisboa, Cadernos de Sociomusologia nº 23, Edições Universitárias Lusófonas



* O Museu do Trabalho Michel Giacometti é um museu temático, criado em 1987, sob tutela do município de Setúbal. Inicialmente designado por Museu do Trabalho, veio a assumir o nome de Michel Giacometti, após a morte do etnomusicólogo corso, que dedicou grande parte da sua vida ao estudo da cultura portuguesa e que coordenou, após a revolução de Abril de 1974, a recolha da colecção Etnográfica que esteve na génese do museu. O museu está hoje instalado numa antiga fábrica de conservas de peixe, símbolo da industria que marcou a história e memória da cidade. O Programa museológico é da autoria de Ana Duarte, Fernando António Baptista Pereira e Isabel Victor e o projecto de arquitectura da autoria de Sérgio Dias.

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Ideias-chave :

Missão - o compromisso com os cidadãos-clientes e a razão de existência do museu
Visão - o que define projectivamente o rumo do museu
Valores - o que distingue e confere sentido ao fazer museológicoO primado da pessoa - príncipio e fim de toda a acção museológica
Avaliação e auto-avaliação - um olhar sobre si prório, uma oportunidade para melhorar
O Aprendizado do erro - exercício descomplexado, livre e inclusivo de auto-reflexão
A sustentabilidade - caminho e imperativoA Gestão da Qualidade - sistema, estratégia, linguagem instrumental (metalinguagem), ferramenta de categorização/nomeaçao (reconceptualização)
Medir e comparar - operações fundamentais de auto-conhecimento; plataforma comum de diálogo inter-organizacionalImpacto na sociedade - input e output do sistema museal (construção de indicadores)
Abordagem por processos - agelizar, monitorizar, meio de explicitar e compreender o caracter processual da organização ("a caixa negra " da Museologia Social)
Monitorizar - garante das rotinas museais, normalização de funções, qualidade dos serviços (a maior eficácia ao menor custo, com o menor esforço)
Identidade socio-profissional e cultura organizacional - Uma forma específica de agir e pensar na optica museal
Cadeia operatória - a especificidade de operações, procedimentos e actos técnicos que comporta o fazer museológico
A participação - o processo-chave da Qualidade em museus (o que diferencia e qualifica a acção museológica)
Desempenho ambiental - processo-chave da organização museu e garante de sua sustentabilidade
Selecção das evidências - sistematização/ordenação/categorização dos factos que testemunham o caminho feito (lastro e a memória da organização museu)
A Gestão do conhecimento e da informação - o poder (empowerment) que advém do saber, amplificação da capacidade de decisão cívica e política.
Inovação - o que flui e inspira a acção museológica
Satisfação - o limite para que tende o sistema museal orientado para o cidadão-cliente
Novo paradigma museal - do Museu/ produtos para o do Museu/resultados
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25.4.09




CANCLINI, Néstor Garcia



Culturas Híbridas: estratégias para entrar e sair da modernidade


Tradução de Ana Regina Lessa e Heloísa Pezza Cintrão. 3. ed. São Paulo: Edusp, 2000 (Ensaios Latino-americanos, 1).


Marcos Aurélio Souza*


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Culturas híbridas - estratégias para entrar e sair da modernidade do argentino Néstor Garcia Canclini apresenta uma importante reflexão sobre a problemática da modernidade na América latina. O subtítulo desse livro, nesse caso, não é apenas mero complemento, mas sobretudo, uma poderosa sugestão. A modernidade já não é mais uma via sem saída, é possível entrar nela, assim com é possível e preciso sair dela. Daí, como saída, o autor apresentar questões como: pós-modernidade, hibridação, poderes oblíquos, descoleção e desterritorialização, as quais se configuram, de uma forma muito peculiar, no processo de modernização, estabelecido e estabelecendo-se, tardiamente, no chamado Terceiro Mundo latino.O livro de Canclini é o primeiro de uma série de publicações, intitulada Ensaios latino-americanos, publicada pela EDUSP, da qual faz parte outros títulos como América Latina do século XIX de Maria Lígia Coelho, Ángel Rama: Literatura e cultura na América Latina de Flávio Aguiar e Sandra Guardini e Paisagens imaginárias: intelectuais, arte e meios de comunicação de Beatriz Sarlo. O professor de História da arte da Universidade do México, com essa publicação, insere-se, também, no rol de vigorosos pensadores da contemporaneidade, a exemplo de Edward Said, Homi Bhabha, Stuart Hall, Kwame Appiah, e o nosso Silviano Santiago, intelectuais sintonizados com a produção multicultural: as relações e trocas simbólicas entre as nações, as diásporas, as novas tecnologias e seu impacto sobre a tradição, os cruzamentos entre o popular e o erudito, as culturas de fronteira etc. De forma original, Canclini analisa as estratégias de entrada e saída da modernidade, partindo do princípio de que na América latina não há uma firme convicção de que o projeto moderno deva ser o principal objetivo ou o algo a ser alcançado, "como apregoam, políticos, economistas e a publicidade de novas tecnologias" (p.17). Essa convicção tão presente e relevante para o crescimento econômico das chamadas potências mundiais, desestabilizou-se a partir do momento em que se intensificou as relações culturais com países recém independentes do continente americano, na medida em que se cruzaram etnias, linguagens e formas artísticas. Canclini prefere chamar essa nova situação intercultural de hibridação em vez de sincretismo ou mestiçagem, "porque abrange diversas mesclas interculturais - não apenas as raciais, às quais costuma limitar-se o termo 'mestiçagem' - e porque permite incluir as formas modernas de hibridação, melhor do que 'sincretismo', fórmula que se refere quase sempre a fusões religiosas ou de movimentos simbólicos tradicionais" (p. 19).O autor transita entre diferentes manifestações culturais e artísticas (muitas delas anônimas): desde passeatas reivindicatórias, passando pela pintura, arquitetura, música, grafite e histórias em quadrinhos até a simbologia dos monumentos. Com isso ele começa a refletir sobre o que chama migrações multidirecionais, relativizadoras do paradigma binário (subalterno/hegemônico, tradicional/moderno) que tanto balizou a concepção de cultura e poder na modernidade. Tal reflexão se desenvolve em sete capítulos sem uma linearidade ou um esquema predeterminado, segue um movimento típico do gênero ensaístico, coadunando-se com a postura descentrada do autor: "para tratar dessas questões é inadequada a forma do livro que se desenvolve de um princípio a um final" (p. 28), a forma do ensaio permite, então, "um movimento em vários níveis" (idem). Aproveitando a oportunidade de livre acesso, sem uma preocupação seqüencial, farei, aqui, uma leitura mais detida do sétimo capítulo, intitulado "Culturas híbridas, poderes oblíquos", a fim de mostrar, mais nitidamente, os instrumentos conceituais trabalhados, ou seja, a contribuição teórica do pensamento de Canclini para os estudos contemporâneos nos diversos setores do conhecimento (arte, antropologia, história, comunicação etc.). Esse setores, aliás, perdem suas antigas fronteiras, misturam-se, confundem-se, em consonância com as novas tecnologias comunicacionais da atualidade.Utilizando a metáfora do videoclip, o autor fala da linguagem das manifestações híbridas que nascem do cruzamento entre culto e o popular. Dessencializa, assim, tanto a idéia de uma tradição autogerada, construída por camadas populares, quanto a noção de arte pura, ou arte erudita. A linguagem paródica, acelerada e descontínua do videoclip representa a desconstrução das ordens habituais, deixando que apareçam as rupturas e justaposições, entre essas duas noções tradicionais de cultura, que culminam em um outro tipo de organização dos dados da realidade. A fim de conter as formas dispersas da modernidade, Canclini investiga o fenômeno da cultura urbana, principal causa da intensificação da heterogeneidade cultural. É na cidade, portanto na realidade urbana, que se processa uma constante interação do local com redes nacionais e transnacionais de comunicação.O autor nos lembra que a idéia de urbanidade não se opõe a idéia de "mundo rural" ou comunidade, "o predomínio das relações secundárias sobre as primárias, da heterogeneidade sobre a homogeneidade [...] não são atribuíveis unicamente à concentração populacional nas cidades" (p. 285). Dissolver-se na massa e no anonimato é apenas uma das facetas da metrópole, a outra é das comunidades periféricas que criam vínculos locais de afetividade e de condescendência e saem pouco de seus espaços. A questão é que essas estruturas microssociais da urbanidade - o clube, o café , a associação de vizinhos, o comitê político etc. - que antes se interligavam com uma continuidade utópica dos movimentos políticos nacionais, estão cada vez mais desarticuladas enquanto representação política. Isso se deve, dentre outros fatores, às dificuldades dos grupos políticos para convocarem trabalhos coletivos, não rentáveis ou de duvidoso retorno econômico - e é cada vez mais imperativo o adágio : "tempo é dinheiro". Os critérios mais valorizados são os que se ligam à rentabilidade e eficiência. "O tempo livre dos setores populares, coagidos pelo subemprego e pela deteriorização salarial, é ainda menos livre por ter que preocupar-se com o segundo, ou terceiro trabalho, ou em procurá-los" (p. 288). A maior relevância da mídia, hoje, nesse sentido, é por se tornar a grande mediatizadora ou até substituta de interações coletivas. A participação de camadas periféricas relaciona-se cada vez mais com uma espécie de "democracia audiovisual", em que o real é produzido pela imagens da mídia.Da idéia de urbanidade e teleparticipação, Canclini passa a investigar a questão da memória histórica, desfazendo a perspectiva linear de que a cultura massiva e midiática substitui a herança do passado e as interações públicas. Nesse sentido, investiga a presença dos monumentos e a sua relação ambivalente em meio as transformações da cidade. O monumentos não são mais os cenários que legitimam o culto do tradicional, "abertos à dinâmica urbana facilitam que a memória interaja com a mudança, que os heróis nacionais a revitalizam graças à propaganda ou ao trânsito: continuam lutando com os movimentos sociais que sobrevivem a eles"(p. 301).Através das fotos de monumentos mexicanos, o autor ilustra bem a reedição simbólica dessas grandes construções na contemporaneidade. Um cena pré-colombiana de índios pedestres, quase no nível da rua, mistura-se a cena dos pedestres urbanos na capital mexicana. Canclini sugere que a figura heróica de Zapata na cidade de Cuernavaca, esteja lutando contra o trânsito denso que sugere os conflitos a sua enérgica figura. Mostra uma outra representação, mais tosca, do herói mexicano em um povoado "sem cavalo, sem a retórica monumental da luta, levemente irritado, uma cabeça do tamanho da de qualquer homem". O hemiciclo a Juárez na Cidade do México é palco de múltiplas interpretações do herói nacional, o pai do laicismo sustenta as lutas contemporâneas a favor do aborto e manifestação de pais que protestam por seus filhos desaparecidos. "Os monumentos contém freqüentemente vários estilos e referências a diversos períodos históricos e artísticos. Outra hibridação, soma-se logo depois de interagir com o crescimento urbano, a publicidade, os grafites e os movimentos sociais modernos" (p. 300).Analisando ainda a problemática da cultura urbana, Canclini estuda dois processos diferenciados e complementares de desarticulação cultural: o descolecionamento e a desterritorialização. O primeiro envolve a recusa pós-moderna(1) de se produzir bens culturais colecionáveis, o que seria uma sintoma mais claro de como se desconstituem as classificações que distinguiam o culto do popular e ambos do massivo. Desaparece cada vez mais a possibilidade de ser culto por conhecer apenas as chamadas "grandes obras"; o ser popular não se constitui mais a partir do conhecimento de bens produzidos por uma comunidade mais ou menos fechada. O intelectual pós-moderno se constitui a partir de sua biblioteca privada, onde livros se misturam com recortes de jornais, informações fragmentárias no "chão regados de papéis disseminados", conforme Benjamim (citado por Canclini, p. 303).A partir dos novos dispositivos tecnológicos como a fotocopiadora, o videocassete e o vídeo game que não podem ser considerados como cultos ou populares, as coleções se perdem e com elas, as referências semânticas e históricas que amarravam seu sentido. No primeiro dispositivo há a possibilidade do manejo mais livre e fragmentário dos textos e do saber, no segundo é permitido a reorganização de produções audiovisuais tradicionalmente opostas: o nacional e o estrangeiro, o lazer e o trabalho a política e a ficção etc. O terceiro, enfim, desmaterializa e descorporifica o perigo "dando-nos unicamente o prazer de ganhar dos outros ou a possibilidade, ao sermos derrotados, de que tudo fique na perda de moedas numa máquina" (p. 307).Canclini afirma que o segundo processo, o da desterritorialização, se constitui como mais radical significado de entrada e saída da modernidade. Para ilustrar isso, ele analisa primeiro a trasnacionalização dos mercados simbólicos e as migrações. Nesse sentido desconstrói os antagonismos : colonizador vs. Colonizado e nacionalista e cosmopolita, ao enfatizar a descentralização das empresas e a disseminação dos produtos simbólicos pela eletrônica e pela telemática, "o uso de satélites e computadores na difusão cultural também impedem de continuar vendo os confrontos dos países periféricos como combates frontais com nações geograficamente definidas" (p. 310). É importante esclarecer, para destituir a idéia de maniqueísmo, que a difusão tecnológica também permitiu a países dependentes registrarem um crescimento notável de suas exportações culturais, basta lembrar do crescimento da produção cinematográfica e publicitária do Brasil nos últimos anos. Outro fator importante para a desterritorialização, é o que o autor chama de migrações multidirecionais, a constância cada vez maior da realidade diaspórica. Tal realidade é muito bem ilustrada pelo seu estudo sobre os conflitos interculturais em Tijuana, fronteira entre o México e os Estados Unidos. Ele afirma: "várias vezes pensei que essa cidade é , ao lado de Nova Iorque, um dos maiores laboratórios da pós-modernidade"(p. 315) . O caráter multicultural desse local não se expressa apenas no uso do espanhol e do inglês, mas nas relações divergentes e convergentes que se dão entre uma cultura e outra. Ao mesmo tempo há uma tentativa de retorno ao tradicional, ou pelo menos, uma tentativa de reinventá-lo. Em Tijuana, a busca pelo autêntico atende também aos interesses do mercado turístico. Visitantes tiram foto em cima de burros pintados que imitam zebra, ao fundo imagens de várias regiões do México: vulcões, figuras astecas, cactos etc. Ao final do seu trabalho, Canclini se detém no papel da arte no entendimento da hibridação na América Latina. Cita o manifesto antropófago no Brasil e o grupo Martín Fierro na Argentina, como interpretações de nossa identidade, realizadas, muitas vezes, a partir de elementos estéticos e sociais de outro país - Oswald vê o Brasil no alto do atelier da Place Clichy. Sobre o cosmopolitismo e localismo desses artistas afirma: "O lugar a partir do qual vários artistas latino-americanos escrevem, pintam ou compõe músicas já não é a cidade na qual passaram sua infância, nem tampouco é essa na qual vivem há alguns anos, mas um lugar híbrido, no qual se cruzam os lugares realmente vividos" (p. 327).Por outro lado, em conseqüência ao processo da descoleção, como já fora explicitado, o artista perde sua áurea como fundador da gestualidade e das mudanças totais e imediatas. As práticas artísticas carecem agora de paradigmas consistentes: o cânone, a genialidade e a erudição são idéias ultrapassadas e pretensiosas. Ao artista ou ao artesão (categorias cada vez menos diferenciadas) restam às vezes as cópias, a possibilidade de repetir peças semelhantes, ou a possibilidade de ir vê-las num museu ou em livros para turistas.
Não vejo nesses pintores, escultores e artistas gráficos a vontade teológica de inventar ou impor um sentido ao mundo. Mas também não há neles o niilismo abissal de Andy Warhol, Rauschemberg e tantos praticantes do bad painting e da transvanguarda. Sua crítica ao gênio artístico, e em alguns ao subjetivismo elitista, não os impede de perceber que estão surgindo outras formas de subjetividade a cargo de novos agentes sociais (ou não tão novos), que há não são exclusivamente brancos, ocidentais e homens. (p. 331)
Como proposta de uma prática artística híbrida, Canclini finaliza seu texto, falando do grafite e dos quadrinhos, gêneros impuros que desde o nascimento abandonaram o conceito de coleção patrimonial, e se estabelecem como "lugares de interseção entre o visual e o literário, o culto e o popular" (p. 336). A ambivalência do grafite se constitui, quando, ao mesmo tempo, que serve para afirmar territórios (arte neotribal) de grupos étnicos ou culturais, também desestrutura as coleções de bens materiais e simbólicos da chamada "alta cultura". Os quadrinhos contribuem para mostrar a potencialidade de uma nova narrativa e do dramatismo que pode ser condensado em imagens estáticas. É o estilo mais lido e o ramo da indústria editorial que produz maiores lucros; por sua relação constante com o cotidiano, acaba por revelar referências e contradições da própria contemporaneidade. Para ilustrar essas manifestações deslocadas, Canclini fala de uma famosa tira de Fontanarrosa, em que um personagem "contrabandista de fronteira" foge da polícia "de 15 países"- o personagem não contrabandeia através de fronteira, mas a própria fronteira: balizas, barreiras, marcos, arames farpados etc. Após vender uma defeituosa, ele tem que se esconder para não ser preso pela Interpol. No final, quando estava sendo perseguido, o personagem acaba por entrar numa manifestação popular, pensando se tratar de uma procissão, porém, na verdade, se tratava de um movimento grevista de policiais. A frase conclusiva que encerra a tira, dita por outro personagem que presencia toda a aflição do protagonista, é emblemática do momento pós-moderno: "A gente nunca sabe onde vai estar metido no dia de amanhã".
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(1) Canclini entende a pós-modernidade "não como uma etapa ou tendência que substituiria o mundo moderno, mas como uma maneira de problematizar os vínculos equívocos que ele armou com as tradições que quis excluir ou superar para constituir-se" (p. 28).

Museando ao Sábado. Call centers em debate no Museu do Trabalho


Museu do Trabalho Michel Giacometti
Largo dos Defensores da República
2910-470 Setúbal
museu.trabalho@mun-setubal.pt
museutrabalho@iol.pt
Tel (+351) 265 537 880
Fax (+351) 265 537 880

16.4.09

Cultura . Gestão . Qualidade . Sustentabilidade . Eficácia social


15 a 17 de Abril de 2009, Pousada do Convento da Graça em Tavira

Nos últimos anos, consequência da evolução da sociedade portuguesa, construíram-se no País muitas infraestruturas culturais que vieram a enriquecer a vida das cidades e a oferta cultural das regiões, permitir o acesso ao conhecimento e à diversidade da criação artística. No Algarve foram também concebidos e construídos alguns equipamentos (bibliotecas, teatros, museus, …) e estão projectados para os próximos anos diversos outros espaços culturais por quase toda a região. Este seminário, de problemática actual, constitui uma oportunidade para reflectirmos conjuntamente a arquitectura e funcionalidades dos espaços culturais e a sua adequação às necessidades sociais, artísticas e tecnológicas, os modelos de gestão (sociedades público-privadas, empresas municipais, fundações, departamentos,…) de cuja escolha dependem a sustentabilidade económica e uma maior eficácia social.
Programa

15 de Abril (4ª feira)
18h30 - Sessão de abertura José Macário Correia (Presidente da CM de Tavira), João Guerreiro (Reitor da Universidade do Algarve), Gonçalo Couceiro (Director Regional de Cultura do Algarve), João Belo Rodeia (Presidente da Ordem dos Arquitectos Portugueses), Jorge Barreto Xavier (Director Geral das Artes), Jorge Queiroz (Presidente da Direcção da AGECAL)
19h30 - Conferência Equipamentos culturais: algumas reflexõesMiguel Lobo Antunes (Gestor cultural, Administrador da Culturgest)
20h30 - Beberete / jantar volante no Palácio da Galeria / Museu Municipal de Tavira
21h30 - Espectáculo nos claustros da Pousada de N. Sr.a da Graça

16 de Abril (5ª feira)

Painel Espaços culturais: arquitecturas e funcionalidades
Direcção de mesa: Marta Santos (Arquitecta, AGECAL)

10h00 - Conferência Arquitectura e espaços culturais
João Luís Carrilho da Graça (Arquitecto, Prémio Pessoa 2008)
11h00 - Intervalo
11h15 - Conferência Teatro: conceitos gerais e aplicação nos Planos de Espaços Cénicos (Sevilha e INAEM)
Juan Ruesga (Arquitecto, Prémio Manuel de Falla 2008)
12h15 - Debate
Moderação: Conceição Pinto (Arquitecta, AGECAL)
Intervenientes: Juan Ruesga (Arquitecto), João Luís Carrilho da Graça (Arquitecto), Tiago Monte Pegado (Arquitecto, Ordem dos Arquitectos Portugueses), Vitor Correia (encenador e actor) entre outros
13h00 - Almoço

Painel Gestão de infraestruturas culturais: experiências portuguesas
Direcção de mesa: Rui Parreira (Arqueólogo, AGECAL)

14h30 - Gestão de infraestruturas culturais em Guimarães
José Bastos (Director do Centro Cultural de Vila Flor)
15h00 - Foz Côa – gestão de um museu de paisagem
Alexandra Cerveira Lima (Directora do Parque Arqueológico do Vale do Côa)
15h30 - Óbidos Patrimonium – gestão de uma empresa municipalRicardo Ribeiro (Administrador Óbidos Patrimonium)
16h00 - Intervalo

Direcção de mesa: Graça Cunha (Bibliotecária, AGECAL)

16h15 OPART – Teatro São Carlos e CNB: um modelo de empresa pública
Carlos Vargas (Administrador d' OPART) e Fernanda Rodrigues (Coordenadora do Gabinete Jurídico d' OPART)
16h45 - Évoraculta – empresa municipal de Évora
José Ernesto Oliveira (Presidente da CM de Évora)
17h15 - A Gestão da Qualidade em museus
Isabel Victor (Chefe de Divisão de Museus da CM de Setúbal)
17h45 - Intervalo

18h00 - Debate Que modelos de gestão para as infraestruturas culturais?
Moderação: Jorge Queiroz (Sociólogo, AGECAL)
Intervenientes: Rui Parreira (ex-director da Fortaleza de Sagres), José Bastos (Director do Centro Cultural de Vila Flor), Alexandra Cerveira Lima (Directora do Parque Arqueológico do Vale do Côa), Ricardo Ribeiro (Administrador Óbidos Patrimonium), João Ventura (Director do Teatro Municipal de Portimão- TEMPO), José Ernesto Oliveira (Presidente da CM de Évora), Carlos Vargas (Administrador d' OPART), Ricardo Ribeiro (Administrador Óbidos Patrimonium), Isabel Victor (Chefe de Divisão dos Museus da CM de
Setúbal)
17 de Abril (6ª feira)

Painel Algarve: novos equipamentos, novos modelos de gestão?

Direcção de mesa: Emanuel Sancho (Museólogo, AGECAL)
10h00 - Equipamentos culturais em Portimão : o Teatro e o Museu MunicipalJoão Ventura (Director do Teatro Municipal de Portimão- TEMPO ) e José Gameiro (Director do Museu Municipal de Portimão)
10h30 - Faro: Teatro das Figuras e projecto Museu de Arte ContemporâneaPaulo Neves (Administrador do Teatro das Figuras), Conceição Pinto (Directora de Departamento da CM de Faro) e Dália Paulo (Directora do Museu Municipal de Faro)
11h00 - Intervalo
Direcção de mesa: Manuela Teixeira (Conservadora-restauradora, AGECAL)
11h15 - Projectos em Tavira e a gestão prevista: Fórum Cultural, Rede Museológica de Tavira e Centro de Arte ContemporâneaElsa Cordeiro (Vereadora da Cultura e Urbanismo da CM de Tavira)
11h45 - O Centro de Ciência Viva de Lagos: concepção e gestãoRui Loureiro (Director de Departamento da CM de Lagos), Frederico Paula (Coordenador do Gabinete de Planeamento Estratégico e Projectos Municipais da CM de Lagos)
12h15 - Debate Moderação: Dália Paulo (Museóloga, AGECAL)Intervenientes: Vasco Vidigal (galeria ArteAdentro), Tela Leão (Programadora Expo Saragoça), Pedro Ramos (Al-Mashra Teatro)
13h00 - Almoço

Direcção de mesa: Luísa Ricardo (Antropóloga, AGECAL)

14h30 - Rede de infraestruturas culturais de LouléJoaquim Guerreiro (Chefe de Gabinete da CM de Loulé), Luísa Martins (Directora de Departamento da CM de Loulé) e Luís Guerreiro (Chefe de Divisão da CM de Loulé)
15h00 - Criação e gestão de infraestruturas culturais em OlhãoFrancisco Leal (Presidente da CM de Olhão) e Graça Cunha (Directora de Departamento da CM de Olhão)
15h30 - Projectos museológicos em Albufeira: o Museu do Barrocal António Nabais (Museólogo) e Patrícia Baptista (Museu Municipal de Arqueologia)
16h00 - Experiências da gestão de espaços culturais em São Brás de AlportelVítor Guerreiro (Vereador da Cultura da CM de São Brás de Alportel)
16h30 - Intervalo

17h00 - Debate Novos equipamentos, nova gestão. Que perspectivas para o Algarve?
Moderador: José Carlos Barros (Vice-Presidente da CM de Vila Real de Santo António) Intervenientes: Isabel Soares (Presidente da CM de Silves), Pedro Costa (Jornalista, Director do jornal “O Algarve”), Elisabete Rodrigues (Jornalista, Chefe de Redacção do jornal “Barlavento”) e Henrique Dias Freire (Jornalista, Director do jornal “Postal do Algarve”)

18h00 - Encerramento

10.4.09

Museus e Pós-Modernidade






Museus e Pós-Modernidade: Discursos e Performances em Contextos Museológicos Autora: Marta Anico
Edição: Universidade Técnica de Lisboa - Instituto de ciências Sociais e Políticas, 2008
Descrição Física: 490 p.
ISBN 978-989-646-003-7



Esta obra resulta da investigação realizada no âmbito da preparação de uma tese de doutoramento em ciências sociais, especialidade em Antropologia cultural, apresentada no Instituto de ciências Sociais e Políticas em Janeiro de 2007.
Sobre o livro:
A presente obra debruça-se sobre as configurações dos museus na contemporaneidade, analisando a relevância social e cultural destas instituições enquanto protagonistas de processos de produção, representação e consumo de significados, no contexto de uma condição global pós-moderna. A redefinição do conceito de museu, a sua politização, a renegociação do seu relacionamento com os públicos e a democratização do acesso são alguns dos desafios com que se deparam estas instituições e que se reflectem na construção de múltiplas significações associadas ao seu papel e ao seu lugar nas sociedades contemporâneas. Este livro pretende, pois, oferecer uma reflexão sobre as teorizações e os modelos museológicos mais recentes, com particular incidência no “pós-museu”, e as práticas e dinâmicas de adaptação a contextos locais, em articulação com a temática das politicas culturais e os usos instrumentais da cultura.
Marta Anico. Doutorada em Ciências Sociais (na especialidade de Antropologia Cultural), é professora auxiliar no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa. Co-editora com Elsa Peralta das obras “Patrimonio e Identidade. Ficções Contemporâneas (Celta, 2006) e “Heritage and Identity” (Routledge, 2008), a sua produção científica incide nas temáticas do património, museus, práticas e representações culturais e, mais recentemente, nas políticas da cultura.
(Informação extraída da contracapa do livro)




Posted in Books, Museology , por Ana Carvalho, in " Mundo dos Museus "

1.3.09

Michel Giacometti - Museu do Trabalho


Giacometti elaborou, em 1975, um projecto de recolha popular, a que chamou Plano de Trabalho e Cultura, no quadro do então recém-criado Serviço Cívico Estudantil.


No Verão desse ano, mais de uma centena de jovens respondeu ao apelo do musicólogo francês e varreu alguns concelhos do país em busca de instrumentos musicais e de trabalho, utensílios domésticos, fotografando e registando sons de exemplares vocais e instrumentais, lendas, histórias e recolhendo informação sobre medicina popular. Estabeleceu-se que a maior parte desta informação ficasse à guarda do INATEL (ex-FNAT, Federação Nacional para a Alegria no Trabalho), entidade em cujo processo de reestruturação Giacometti estava fortemente empenhado e para o qual propunha a criação de um Centro de Documentação Operário-Camponês (que devia substituir o Grupo de Etnografia e Folclore da instituição) e de um Museu do Trabalho. Pouco tempo depois, Giacometti saiu do INATEL em conflito com a organização e muito do espólio recolhido seria doado pelo próprio INATEL à Câmara de Setúbal, que tinha manifestado interesse na aquisição. Durante muitos anos o Museu do Trabalho foi um projecto sem espaço físico, até que a Câmara de Setúbal adquiriu uma unidade de indústria conserveira fechada desde a década de 60.






Museu do Trabalho e Reserva etnográfica Michel Giacometti (Setúbal), de Terça a domingo, 9h30-18h.
Contacto: 265 537880



alfaias agrícolas, máquinas e ferramentas, ofícios, objectos de uso quotidiano, luminárias e utensilagem doméstica


fonte: Jornal Expresso

2.2.09

Cultura

El Imparcial - El mejor diario de Oaxaca




Museos comunitarios, luchan contra exclusión social




Debido a las grandes diferencias económicas que los países llegan a concentrar , “los museos comunitarios arraigan en sus bases una lucha para erradicar las diferencias sociales”

Vidal PINEDA VÁSQUEZ


Buscar el equilibrio social y eliminar cualquier tipo de diferencia racial que llegue ha existir entre las culturas, es uno de los objetivos principales que buscan los museos comunitarios, señaló el representante del Ecomuseo de Santa Cruz, Río de Janeiro, Brasil, Bruno Cruz de Almeida.

Debido a las grandes diferencias económicas que los países llegan a concentrar en sus núcleos sociales, a decir de Cruz de Almeida, los museos comunitarios arraigan en sus bases una lucha para erradicar las diferencias sociales, “una lucha contra la exclusión y favor de la inclusión cultural”.

“Se lucha contra ésto porque en cada uno de estos museos existentes en Brasil, se promueve el conocimiento de la historia para una mejor comprensión del presente y del futuro. Estas instituciones están en contra de la exclusión y a favor de la inclusión, porque en siglos anteriores hubo una discriminación social, y en este siglo se debe de luchar por la inclusión social, hoy en todo el mundo lucha contra esta exclusión, lo importantes es mantener un equilibrio social, eliminar estos abismos entre las sociedades”, comentó.

Por tal motivo y debido a la importancia que ésto llega a tener en los diferentes sectores sociales, la creación de museos comunitarios en Brasil ha permitido la estructura de una Asociación Brasileña de Museos Comunitarios y Ecomuseos que promueven la convivencia y el reconocimiento cultural de las comunidades, explica el brasileño. Y agrega: “Por ejemplo, en las favelas brasileñas, los barrios más pobres localizados en los cerros de este país centroamericano, cuentan son su propio museo, a través del cual buscan el rescate de su historia y luchan para que los sectores mejor posicionados económicamente, los incluyan como parte de la sociedad brasileña y no como entes distintos”.


“Cuando en Santa Cruz surgió el museo, el Gobierno envió un comité para el rescate de la memoria histórica, y así fue como gente de otras partes de Río de Janeiro contagiaron a esta comunidad, para que fueran ellos quienes sintieran la necesidad de rescatar su historia, la cual no estaba representada nacionalmente, pues no se hablaba de Santa Cruz, la historia de esta comunidad no existía”.

Siendo participante el Tercer Taller de Facilitadores de Museos Comunitarios de América, que desde hace una semana se lleva a cabo en nuestra ciudad, Cruz de Almeida finalmente señaló, que proyectos como éste permiten un intercambio interesante de culturas, lo cual conduce a un enriquecimiento social, ya que para él y sus compañeros es importante “ampliar y fortalecer el orgullo de las comunidades”.

À volta do sentido do museu ...


Qualquer projecto museológico terá que partir do estudo profundo do território e da auscultação das pessoas. Antes do museu existir é necessário identificar a problemática (o seu objecto social), suscitar a reacção, o espanto, a vontade das pessoas em participar. Pensar no modelo, no tipo de organização e na sua sustentabilidade. Qualificar a procura através de acções de disseminação do conhecimento, promover o debate, investir arduamente na elevação das expectativas dos cidadãos-clientes, é tarefa primordial.

O futuro dos museus está na participação. No diálogo entre pessoas e grupos que estão na area de impacto do museu, independentemente da relação e/ou vínculo que têm com a instituição museológica (profissionais, voluntários, parceiros, utilizadores, públicos). A participação é o processo-chave da Qualidade em museus. É através da participação que os museus ganham sentido, ganham espessura e geram valor. É a participação que torna o museu único e socialmente relevante. Por muito nobres que se nos afigurem as causas, nada muda se for imposto. As pessoas (julgo eu) têm que acreditar que podem contribuir para a mudança. Têm que se sentir comprometidas, ganhar confiança, crescer com o problema, ajudar a decifrá-lo e ganhar coragem (audácia/poder) para intervir na sua concretização. É fácil fazer um museu mas é muito difícil mantê-lo vivo e actuante. A Museologia do futuro terá que estar mais atenta aos processos, ao envolvimento das pessoas e ao empowerment por ele gerado, porque aí reside a sua força e razão de existência. A Museologia Social, processual, transforma dificuldades em oportunidades, admite a mudança, a pedagogia do erro e a contínua aprendizagem. É inclusiva e promove a qualificação das culturas e dos patrimónios. A mera "contabilidade de públicos" já não chega para aferir a qualidade de um museu. Uma competente gestão do conhecimento e da informação é hoje fundamental para qualquer organização, incluindo os museus. A noção de qualidade em museus rege-se hoje por parâmetros que estão muito para além de um somatório de "boas qualidades". A qualidade total em museus mede-se pela qualidade da participação e pelos resultados para a comunidade (a satisfação das pessoas e a inclusão). A exemplo de muitas outras organizações com idênticas missões e valores, os museus terão de se munir das necessárias ferramentas avaliativas com o objectivo medir e comparar os impactos da sua acção na comunidade. Estes processos são uma construção tão (ou mais) importante como o produto final (exposição ou outro), por muito espectacular que este se nos afigure. Na Museologia social (com carácter processual) fazer o caminho é tão importante como chegar à meta. Os processos de identificação e descoberta, aproximam as pessoas e reforçam as comunidades de interesses, centradas sobre o património. A inclusão do diferente e dissonante gera inovação. produz efeito nos procedimentos de natureza material e imaterial, reconfigura o modelo de comunicação em museus. A participação efectiva permite trabalhar a singularidade, a especificidade das culturas, os modos de ser e agir de pessoas de diferentes gerações, origens e condições. O importante é a persistência no terreno e o enriquecimento das suas leituras. É do terreno que nasce toda a acção sólida e consistente. O importante é criar laços entre as pessoas, derrubar barreiras físicas, intelectuais e psicológicas, promover as acessibilidades, trabalhar com deficientes, imigrantes, desempregados, mulheres, crianças, grupos de risco. Criar rotinas de estudo, hábitos de pensar e decidir em conjunto. Esse é o campo onde germina a mudança e cresce a cidadania. Os museus sustentáveis, estão ancorados no terreno, na proximidade, assentes em fortes valores humanistas, com uma visão arrojada de futuro.




Isabel Victor


Chefe da Divisão de Museus da Câmara Municipal de Setúbal

Docente no mestrado em Museologia da Universidade Lusófona de Lisboa



Museos comunitarios, luchan contra exclusión social
Debido a las grandes diferencias económicas que los países llegan a concentrar , “los museos comunitarios arraigan en sus bases una lucha para erradicar las diferencias sociales”

Vidal PINEDA VÁSQUEZ


30.1.09










FICHE D’ ÉVALUATION AUTOCRITIQUE
D’ UN ALTERMUSÉOLOGUE DU MINOM.
Pierre Mayrand, le 30 janvier 2009-01-31

On se souviendra que la fiche d´ évaluation proposée par le MINOM Int., a pour fonction d’ illustrer par des démarches jugées exemplaires par l’ auteur un processus en cours afin de créer une banque de références pouvant répondre à la question <> selon les contextes , les personnalités, le niveau de compréhension , d’ assimilation et de transposition de certains paramètres connus.



QUELLES LIMITES: COMBIEN DE TEMPS ENCORE, UN BILAN PROVISOIRE DE MA CONTRIBUTION AU MUSÉE COMMUNAUTAIRE DE CARRAPATEIRA (Pt, Algarve) ? Une intervention provoquée par une question de J.Fr. Leclerc (Qc, Can ) <>… qui lui est posée régulièrement par ses étudiants, à la fois séduits par l’ idée ( Faire du neuf ) et sceptiques devant l’ enchevêtrement des notions et des positions. Je tente toujours de répondre simplement, autant que faire se peut, qu’ il s’ agit d’ une attitude face au monde et à son explication, de privilégier l.e questionnement social, politique et culturel sur le devenir de nos sociétés, de se sentir entraîner par une cause, de chercher à mettre celle-ci à profit dans la création muséale libérée de toute entrave, de se donner la peine d’ explorer les essais de typologie existants, d’ aller expérimenter de prés, aussi éloignés qu’ ils fussent, les milieux où ça se passe. Pour l’ étudiant, brûler les cahiers de classe. Pour le professionnel, prendre une marge de distance avec la RÉGLE de l’ INSTITUTION. Encore mieux, DESCENDRE DANS LA RUE.


BILAN DE L’ AUTEUR.


Venu à Carrapateira, en 2004, fréquentant le Portugal depuis 1974, je fus amené par la Directrice du MMTC et les autorités municipales à validert le projet d’ un musée-territoire, dans une perspective de la Nouvelle muséologie dont la Directrice était une adepte.

Le diagnostic fut favorable, le contexte géographique et politique étant favorable à une telle initiative. Le projet prit, d’ entrée de jeux, le nom de <> pour désigner le territoire d’ intervention. Je fus requis par le Président de la Mairie (Camara), un communiste passé au parti socialiste au pouvoir, pour préparer un plan quinquennal d’ orientation, de même que pour dresser une grille d’ analyse du patrimoine regional.

Ceci me permit de me familiariser avec le milieu, de m’ attacher au projet et à la région, de me rapprocher de mes enseignements en sociomuséologie à l’ Université Lussofone de Lisbonne et de mês camarades militants du MINOM de la première heure, de prendre la décision aux conséquences multiples sur ma vie personnelle de demeurer en semi permanence auprès de ma nouvelle compagne, la Directrice du Musée.

On m’ attribua, alternativement à titre de volontaire et de contractuel, le programme d’ intervention communautaire ( Formation et gestion ). À ce titre, encouragé par la sollicitude du Responsable (Vereador ) de la Culture, j’ entrai dans la programmation des activités, dans la mise en place concrète d’ un Comité de participation ( Gain considérable dans la structure portugaise du pouvoir municipal ), dans le conditionnement de l’ appareil municipal par la tenue d’ un colloque <> ( Collaboration du MINOM Portugal: Série Musées et autarquies )En sus de ces initiatives délicates en raison de mon statut d’ étranger ( susceptibilités à ménager ) et de ma liaison avec la Directrice, je me rendis disponible pour préparer des dossiers de promotion ( Prix Tourisme Portugal qui nous fut alloué avec les Açores ), dernière main, avant son inauguration le 1er Mai 2008, aux textes philosophiques et au récit muséographique ( Introduction de la mascotte, la Baleine Jonas ) enfin à la disposition des objets, aux fiches d’ évaluation du parcours du visiteur, etc …

Si on exclut les communications en salles de cours et dans les colloques, les menus services pressants de dernière minute, ce fut un travail incessant, ramant parfois à contre-courant où je mis à contribution au profit d’ une amitié et d’ une affection pour une collectivité, toutes les resources de mon experience, tant théorique que pratiquie, persuadé par mes observations que le Portugal avait besoin de renouveler la révolution muséologique de peu de durée entreprise en 1974. J’ eu la prétention (?) d’ introduire le <> et de défendre, lors de l’ Atelier Molinos, la notion de modèle s’ appuyant sur le processus de modélisation ( une statégie de stimulation du développement ).

Me sentant responsable d’ avoir entraîné mes coéquipiers dont j’ étais l’ aviseur sur le plan de l’ action communautaire sur une pente dont on ne sait jamais si elle pourra être surmontée ( Caractère expérimental ), risquant de mettre en péril des carrières, de décevoir les illusions ( l’ utopie ), je connu des momments de doute comme je l’ ai souvent exprime dans mes chroniques, rapidement dissipés compte tenu de mon caractère volontaire et une capacité de travail peu commune ( à ce qu’ on dit ).

Mon défi le plus important fut cependant d’ avoir à gérer dans le quotidien une relation de couple engage, de faire le partage équitable des tâches, moi-même comme volontaire invité, ma compagne comme Directrice répondant directement des autorités don’t j’ étais tenté de la détacher pour nous ramener au modèle d’ efficacité et de privacité Nord Américain auquel nous invitaient, d’ une certaine manière, les critères d’ efficience introduits par les programmes de la communauté Européenne, me souvenant toujours des paroles de Mateo Andrès ( Maestrazgo ) sur la <>.

Ayant atteint l’ âge du dernier quart d’ une vie, continuant à être mu par la vivacité de l’ esprit, possédant le sentiment que le plus important est encore à dire ou à faire, cherchant tout prétexte pour franchir les limites, ne craignant pas de substituer l’ aventure humaine au confort personnel, je marche jusqu’ à présent, comme l’ Indien, sur le retour de mes pas, une astuce pour détourner l’ ennemi. Est-il un point dans l’ expérience où il est permis de rompre les rangs ? En Haute-Beauce, j’ avais cinquante ans, je ne le croyais pás.
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29.1.09

Cartografias da memória. Museus de Setúbal /Rede local de voluntários


Uma ideia. Um processo. Uma etapa


_______________ A Exposição



13
13
13



segundo, certos pontos.de.vista.





" Ninguém é igual a ninguém. Todo o ser humano é um estranho ímpar."
Carlos Drummond de Andrade

As fotografias foram o rastilho que incendiou a memória. Poderiam ter sido cem ou meia dúzia, mas como tudo tem um princípio, decidimos apostar no 13, esconjurar a crença no infortúnio, provocar o estremecimento, registar o encontro entre o instante aprisionado na imagem e as imagens instáveis, conflituantes, que a memória constrói e reconstrói dentro do seu tempo; ouvir falar de desencontros (que são pontos negros na História), descerrar o sofrimento, criar cumplicidades, reconhecer o trabalho e as lutas que traçam a diferença, sorrir às hesitações, aos lapsos e “esquecimentos” que a memória tece; jogar na metáfora do número a ambiguidade de sentidos que atravessam a imagem (também as alegrias e as suas celebrações), captar na singularidade de cada ponto.de.vista, o estranho ímpar que é todo o ser humano. Este projecto, cataliza o espanto, individual e colectivo, que assenta na descoberta de uma cidade nunca vista, sobre certos pontos.de.vista. Trata-se de criar com os parceiros e voluntários, uma nova e sofisticada cartografia do património, subjectiva, plural e diversa, reconstituída a partir das pessoas e dos seus mundos. O que aqui se apresenta é uma infinitésima parte do que temos recolhido, mas fica o exemplo, a síntese, o mote para a criação de um centro de memórias que registe metodicamente o que está para além das evidências. O que nos torna ímpares, estranhamente diferentes, entre iguais.

Isabel Victor
Divisão de Museus / Câmara Municipal de Setúbal
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O Projecto


Este projecto de recolha e registo de memórias orais tem como ponto de partida as fotografias de Américo Ribeiro, Arquivo Municipal que faz parte do património cultural e artístico de Setúbal.
A escolha não foi inocente, sabíamos, à partida, que o arquivo Américo Ribeiro estava inscrito nas vidas e memórias dos cidadãos, não só pela sua riqueza temática, mas também pela forma como Américo Ribeiro se relacionou com as pessoas e com a cidade. Também sabíamos que os afectos gerados pelas imagens e apego aos lugares, fotografados durante mais de meio século, facilmente despertariam a vontade de dizer algo.
Para conseguirmos chegar a esta síntese, apresentada sob a forma de exposição e filme, foi necessário um longo e intenso trabalho de retaguarda, que teve início em Outubro de 2007 e que continua a decorrer. Até ao momento, foram trabalhadas 398 imagens, das quais 94 versam o Vitória Futebol Clube; 196, a cidade e as pessoas; 27, as fábricas de conservas e 81, a Batalha das Flores, entre outras festas e tradições. Neste percurso, recolheram-se histórias de vida, memórias, criaram-se afectos e geraram-se emoções em torno do mote escolhido. Constituíram-se redes interpessoais envolvendo os museus e os diferentes grupos na comunidade, contribuindo para atenuar as barreiras sociais e intelectuais que ainda hoje inibem algumas pessoas de entrar nos museus e aceder a bens culturais e patrimoniais, que são pertença de todos. Com este trabalho buscamos a aproximação entre a comunidade, os museus, os patrimónios e aproveitamos a irrepetível oportunidade de recorrer a informantes que foram contemporâneos de acontecimentos fotografados por Américo Ribeiro, tornando-os narradores da sua própria história.
A valorização dos saberes e experiências de vida dos membros da comunidade, sistematizados em forma de documentos acessíveis aos públicos e investigadores, permite-nos acrescentar aos espaços museológicos uma outra dimensão de pesquisa, baseada na escuta e no compromisso com os cidadãos, engrandecendo e humanizando o leque de serviços dos museus e os conteúdos do património imaterial.
A exposição "13 Fotografias, 13 Estórias, 13 Filmes", reúne um conjunto ímpar de imagens seleccionadas pelos informantes, de acordo com os seus critérios e preferências pessoais.
A subjectividade dos seus olhares remete-nos para múltiplas e desafiantes leituras da cidade.

Agradecemos a todos os que contribuíram para que isto fosse possível, dando-nos os seus únicos e irrepetíveis pontos.de.vista.



Maria Miguel Cardoso
Museu do Trabalho Michel Giacometti Divisão de Museus Câmara Municipal de Setúbal

Bruno Ferro
Arquivo Municipal Fotográfico Américo Ribeiro Divisão de Museus Câmara Municipal de Setúbal

Edite Barreira
Projecto «Ao Encontro da Memória Através do Património»

19.1.09

MIDI EXPRESS
Chroniques d’ un altermuséologue
19 janvier 2009-01-19


LES DOUTES D’ UN ANIMATEUR

L’ expérience d’ une assemblée générale populaire relatée hier soir, se voulant un exercice d’ auto-critique, ne me satisfaisant pas, laissant dans l’ ombre de nombreux doutes, j’ y reviens le lendemain matin au risque de vous lasser, si ça n’ est pas déjà le cas.

Je me suis toujours interrogé, lors des interventions communautaires auxquelles j’ ai eu à prêter ma collaboration comme volontaire, se déroulant parfois sur une période prolongée ( je pense surtout à la Haute Beauce, ce fantôme géant, qui a occupé une vingtaine d’ années de ma vie et qui me sert toujours de référence tellement l’ expérience fut exhaustive ), sur mes motivations profondes, sur l’ impact réel des réussites et des échecs, sur la tentation de la manipulation et du pouvoir tribun.

Pour ce qui est des motivations il est certain que j’ obéissais à une poussée irrésistible, à la fois croyance dans la cause du changement et de la solidarité coopérative et expression d’ une rébellion contre les coercitions auxquelles j’ ai été soumis dans dans ma jeunesse ( Religion, éducation, tutelle paternelle … ), mais également en regard des enseignements maternels, ma mère étant issue d’ une famille possédant une longue histoire de résistances tragiques. Il faut dire aussi que, malgré mon âge, je me considerais de la génération des années 70, étant en contact permanent avec les jeunes par mes enseignements. Ces facteurs, comme d’ autres, eurent come résultat un souci de me distinguer tout en me fondant dans la masse, de réfuter toute position arrêtée, d’ épouser le risque et la provocation comme modes de vie et de relationnement: Emporté vers le large dans la faible embarcation que je m’ étais construite, je défiais les dieux tout en tremblant.

Ceci m’ amène à commenter brièvement la tentation de la manipulation dont on est trop souvent soupçonné dans l’ exercice de ce métier. Où se trouve la ligne de démarcation entre celle-ci et la visée stratégique, propre à toute action organisée ? Tout dépend, à mon avis, de la légitimité des objectifs poursuivis. Mais qui en jugera ? Est-ce parceque nous sommes confrontés à une opposition qu’ il faille présumer d’ une justification de la présomption de manipulation stratégique ? Le verdict, parfois sévère, appartient à la communauté à laquelle le volontaire, animateur socio-culturel, consent à consacrer ses énergies. Le militant, bien souvent meurtri dans sa chair, n’ aura d’ autre issue que celle du courage d’ entreprendre son auto-critique sans sombrer dans la démobilisation, de poser et de se poser les questions troublantes qui font partie des rapports sociétaires.

Pour en revenir à l’ assemblée d’ hier, malgré la présence massive de la communauté et son écoute attentive, je sentais bien que tout avait été <> selon les meilleures règles du métier, ne laissant pas d’ autre choix aux personnes présentes que de se laisser entraîner dans un engrenage bien huilé. Je sentais néanmoins poindre dans l’ esprit de certains la question, rapidement éludée, dans quelle galère sommes-nous entraînés ? Était-ce une assemblée publique pour entériner ou valider l’ action unilatérale du Musée, justifier sa vocation communautaire, ou bien était-ce véritablement une tentative d’ associer toutes les voix , dans un geste de rémission, à la vie de l’ entreprise ? La question, restée sans réponse claire, à savoir si le Comité de participation possédait un pouvoir exécutif ( le document stipulant seulement qu le CP n’ était pas un groupe de pression ), est un exemple de zone grise que l’ on retrouve dans toute démarche de type concensuel. De la réponse à cette question découleront les rapports à venir à l’ intérieur du triangle diabolique dans lequel nous venons de nous engager: MUSÉE-POPULATION-AUTORITÉ. Je puis cependant affirmer sans l’ ombre d’ un doute que l’ intention de ceux qui ont mené le jeux ( La Directrice, moi-même, le Vereador ) était exempte de tout calcul récupérateur, tellement la foi dans l’ entraînement du mouvement fut grande. Le doute de l’ animateur muséal chevronné, dans mon cas, venait peut-être du trac que l’ on éprouve toujours au momment de franchir une étape décisive engageant la responsabilité sociale ?





Pierre (Mayrand)

18.1.09

MINUIT EXPRESSE
Chroniques d’ un altermuséologue
Janvier 2009-01-18


AUTO-CRITIQUE D’ UNE ASSEMBLÉE GÉNÉRALE.


Le Musée de la Mer et de la Terre de Carrapateira (Pt) se définit comme un musée communautaire. Inauguré en Mai de l’ an dernier, sa qualité comme musée communautaire était légitimisée, jusqu’ à présent, par le don d’ objets, par la participation spontanée des habitants aux enquêtes, par leur affection pour un projet qu’ ils avaient fait leur.

Il fallait franchir un pas supplémentaire dans la communitarisation du musée, dont le statut était celui de la dépendence à la tutelle municipale.

Afin de parvenir à un degré opérationnel de pleine communitarisation, il fut prévu de longue date de convaincre l’ autorité municipale de prolonger le succès populaire du Musée par la mise en place de structures et d’ activités lui donnant de la chair, le contexte socio-politique du Conseil étant théoriquement favorable à l’ adoption de mesures participatives prises en charge par le Musée.

Les mesures proposées dans un plan quinquennal prévoyaient , entre autres, l’ institution d’ un réseau géré par des noyaux interactifs de populations formées aux expositions à l’ intérieur d’ un territoire d’ identité désigné comme le <>, enfin la création à l’ intérieur du musée pilote de Carrapateira d’ une instance consultative de gestion participative, le Comité de participation, et la création d’ un premier atelier de formation aux expositions, sous forme d’ une clinique de la mémoire.

La philosophie d’ action du musée ayant été réitérée lors de la présentation , à la Municipalité , de la première programmation
Incluant les prévisions budgétaires, l’ ensemble des propositions reçurent un aval compréhensif de la part des autorités, dont celui du Responsable de la Culture, ces décisions coincidant avec l’ annonce de l’ attribution d’ un prix du Tourisme Portugal 2008.

Les deux mécanismes de participation cités avaient fait l’ objet de documents énonçant les objectifs, la méthodologie de chacune des instances à expérimenter. Il fallait à présent convenir d’ une façon afin de les véhiculer auprès de l’ ensemble des populations concernées. La convocation d’ une Assemblée générale d’ information fut décidée. En plus de la présentation de la mission communautaire du Musée, deux points furent portés à l’ ordre du jour: Les participants au Comité de gestion et au 1er Atelier de formation aux expositions. Ceci peut apparaître comme tout à fait normal dans certains milieux familiers avec cette procédure, et dont la direction y est prepare.

Grâce à l’ instrumentation d’ un conseiller en action communautaire et une préparation minutieuse des details de fonctionnement en assemblées délibérantes, le grand jour eut lieu dans l’ après midi du dimanche le 18 janvier.

Une cinquantaine de personnes répondirent à l’ appel, serrés les uns contre les autres dans la Salle polyvalente du Musée, encadrés par les panneaux expositifs de la mission du Musée: Personnes de tout âge, de toute condition. Malgré certaines hésitations compréhensibles, les décisions furent prises concensuellement conformément à l’ ordre du jour proposé en évitant la lourdeur de procédures. Les premières rencontres de comités nous permettront de conclure de fçon plus conclusive sur l’ efficacité de l’ appareil mis en place.

Conseiller en muséologie communautaire, travaillant en étroite collaboration avec la Directrice et le Responsible de la Culture, le fait que je ne maîtrise pas la langue, fit en sorte que les rôles durent être inversés à certains momments obligeant ainsi à des ajustements de fonctionnement lors des étapes ultérieures.

Bolos, mogrono, thé, firent le reste, alors que certains s’ occupaient à se repartir les convocations au Comité et à l’ Atelier, une tâche toujours ardue compte tenu des disponibilités des uns et des autres. Si plusieurs membres de la communauté avouaient qu’ ils ne savaient lire, les langues suppléères abondamment à cette carrence.


Pierre (Mayrand)

16.1.09

Museu do Trabalho Michel Giacometti . Setúbal (Catálogo)


Dia Internacional dos museus, 18 de Maio, 2009
Actuação do grupo " Rodanças " - APPACDM




Telefone 265537880