25.4.09




CANCLINI, Néstor Garcia



Culturas Híbridas: estratégias para entrar e sair da modernidade


Tradução de Ana Regina Lessa e Heloísa Pezza Cintrão. 3. ed. São Paulo: Edusp, 2000 (Ensaios Latino-americanos, 1).


Marcos Aurélio Souza*


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Culturas híbridas - estratégias para entrar e sair da modernidade do argentino Néstor Garcia Canclini apresenta uma importante reflexão sobre a problemática da modernidade na América latina. O subtítulo desse livro, nesse caso, não é apenas mero complemento, mas sobretudo, uma poderosa sugestão. A modernidade já não é mais uma via sem saída, é possível entrar nela, assim com é possível e preciso sair dela. Daí, como saída, o autor apresentar questões como: pós-modernidade, hibridação, poderes oblíquos, descoleção e desterritorialização, as quais se configuram, de uma forma muito peculiar, no processo de modernização, estabelecido e estabelecendo-se, tardiamente, no chamado Terceiro Mundo latino.O livro de Canclini é o primeiro de uma série de publicações, intitulada Ensaios latino-americanos, publicada pela EDUSP, da qual faz parte outros títulos como América Latina do século XIX de Maria Lígia Coelho, Ángel Rama: Literatura e cultura na América Latina de Flávio Aguiar e Sandra Guardini e Paisagens imaginárias: intelectuais, arte e meios de comunicação de Beatriz Sarlo. O professor de História da arte da Universidade do México, com essa publicação, insere-se, também, no rol de vigorosos pensadores da contemporaneidade, a exemplo de Edward Said, Homi Bhabha, Stuart Hall, Kwame Appiah, e o nosso Silviano Santiago, intelectuais sintonizados com a produção multicultural: as relações e trocas simbólicas entre as nações, as diásporas, as novas tecnologias e seu impacto sobre a tradição, os cruzamentos entre o popular e o erudito, as culturas de fronteira etc. De forma original, Canclini analisa as estratégias de entrada e saída da modernidade, partindo do princípio de que na América latina não há uma firme convicção de que o projeto moderno deva ser o principal objetivo ou o algo a ser alcançado, "como apregoam, políticos, economistas e a publicidade de novas tecnologias" (p.17). Essa convicção tão presente e relevante para o crescimento econômico das chamadas potências mundiais, desestabilizou-se a partir do momento em que se intensificou as relações culturais com países recém independentes do continente americano, na medida em que se cruzaram etnias, linguagens e formas artísticas. Canclini prefere chamar essa nova situação intercultural de hibridação em vez de sincretismo ou mestiçagem, "porque abrange diversas mesclas interculturais - não apenas as raciais, às quais costuma limitar-se o termo 'mestiçagem' - e porque permite incluir as formas modernas de hibridação, melhor do que 'sincretismo', fórmula que se refere quase sempre a fusões religiosas ou de movimentos simbólicos tradicionais" (p. 19).O autor transita entre diferentes manifestações culturais e artísticas (muitas delas anônimas): desde passeatas reivindicatórias, passando pela pintura, arquitetura, música, grafite e histórias em quadrinhos até a simbologia dos monumentos. Com isso ele começa a refletir sobre o que chama migrações multidirecionais, relativizadoras do paradigma binário (subalterno/hegemônico, tradicional/moderno) que tanto balizou a concepção de cultura e poder na modernidade. Tal reflexão se desenvolve em sete capítulos sem uma linearidade ou um esquema predeterminado, segue um movimento típico do gênero ensaístico, coadunando-se com a postura descentrada do autor: "para tratar dessas questões é inadequada a forma do livro que se desenvolve de um princípio a um final" (p. 28), a forma do ensaio permite, então, "um movimento em vários níveis" (idem). Aproveitando a oportunidade de livre acesso, sem uma preocupação seqüencial, farei, aqui, uma leitura mais detida do sétimo capítulo, intitulado "Culturas híbridas, poderes oblíquos", a fim de mostrar, mais nitidamente, os instrumentos conceituais trabalhados, ou seja, a contribuição teórica do pensamento de Canclini para os estudos contemporâneos nos diversos setores do conhecimento (arte, antropologia, história, comunicação etc.). Esse setores, aliás, perdem suas antigas fronteiras, misturam-se, confundem-se, em consonância com as novas tecnologias comunicacionais da atualidade.Utilizando a metáfora do videoclip, o autor fala da linguagem das manifestações híbridas que nascem do cruzamento entre culto e o popular. Dessencializa, assim, tanto a idéia de uma tradição autogerada, construída por camadas populares, quanto a noção de arte pura, ou arte erudita. A linguagem paródica, acelerada e descontínua do videoclip representa a desconstrução das ordens habituais, deixando que apareçam as rupturas e justaposições, entre essas duas noções tradicionais de cultura, que culminam em um outro tipo de organização dos dados da realidade. A fim de conter as formas dispersas da modernidade, Canclini investiga o fenômeno da cultura urbana, principal causa da intensificação da heterogeneidade cultural. É na cidade, portanto na realidade urbana, que se processa uma constante interação do local com redes nacionais e transnacionais de comunicação.O autor nos lembra que a idéia de urbanidade não se opõe a idéia de "mundo rural" ou comunidade, "o predomínio das relações secundárias sobre as primárias, da heterogeneidade sobre a homogeneidade [...] não são atribuíveis unicamente à concentração populacional nas cidades" (p. 285). Dissolver-se na massa e no anonimato é apenas uma das facetas da metrópole, a outra é das comunidades periféricas que criam vínculos locais de afetividade e de condescendência e saem pouco de seus espaços. A questão é que essas estruturas microssociais da urbanidade - o clube, o café , a associação de vizinhos, o comitê político etc. - que antes se interligavam com uma continuidade utópica dos movimentos políticos nacionais, estão cada vez mais desarticuladas enquanto representação política. Isso se deve, dentre outros fatores, às dificuldades dos grupos políticos para convocarem trabalhos coletivos, não rentáveis ou de duvidoso retorno econômico - e é cada vez mais imperativo o adágio : "tempo é dinheiro". Os critérios mais valorizados são os que se ligam à rentabilidade e eficiência. "O tempo livre dos setores populares, coagidos pelo subemprego e pela deteriorização salarial, é ainda menos livre por ter que preocupar-se com o segundo, ou terceiro trabalho, ou em procurá-los" (p. 288). A maior relevância da mídia, hoje, nesse sentido, é por se tornar a grande mediatizadora ou até substituta de interações coletivas. A participação de camadas periféricas relaciona-se cada vez mais com uma espécie de "democracia audiovisual", em que o real é produzido pela imagens da mídia.Da idéia de urbanidade e teleparticipação, Canclini passa a investigar a questão da memória histórica, desfazendo a perspectiva linear de que a cultura massiva e midiática substitui a herança do passado e as interações públicas. Nesse sentido, investiga a presença dos monumentos e a sua relação ambivalente em meio as transformações da cidade. O monumentos não são mais os cenários que legitimam o culto do tradicional, "abertos à dinâmica urbana facilitam que a memória interaja com a mudança, que os heróis nacionais a revitalizam graças à propaganda ou ao trânsito: continuam lutando com os movimentos sociais que sobrevivem a eles"(p. 301).Através das fotos de monumentos mexicanos, o autor ilustra bem a reedição simbólica dessas grandes construções na contemporaneidade. Um cena pré-colombiana de índios pedestres, quase no nível da rua, mistura-se a cena dos pedestres urbanos na capital mexicana. Canclini sugere que a figura heróica de Zapata na cidade de Cuernavaca, esteja lutando contra o trânsito denso que sugere os conflitos a sua enérgica figura. Mostra uma outra representação, mais tosca, do herói mexicano em um povoado "sem cavalo, sem a retórica monumental da luta, levemente irritado, uma cabeça do tamanho da de qualquer homem". O hemiciclo a Juárez na Cidade do México é palco de múltiplas interpretações do herói nacional, o pai do laicismo sustenta as lutas contemporâneas a favor do aborto e manifestação de pais que protestam por seus filhos desaparecidos. "Os monumentos contém freqüentemente vários estilos e referências a diversos períodos históricos e artísticos. Outra hibridação, soma-se logo depois de interagir com o crescimento urbano, a publicidade, os grafites e os movimentos sociais modernos" (p. 300).Analisando ainda a problemática da cultura urbana, Canclini estuda dois processos diferenciados e complementares de desarticulação cultural: o descolecionamento e a desterritorialização. O primeiro envolve a recusa pós-moderna(1) de se produzir bens culturais colecionáveis, o que seria uma sintoma mais claro de como se desconstituem as classificações que distinguiam o culto do popular e ambos do massivo. Desaparece cada vez mais a possibilidade de ser culto por conhecer apenas as chamadas "grandes obras"; o ser popular não se constitui mais a partir do conhecimento de bens produzidos por uma comunidade mais ou menos fechada. O intelectual pós-moderno se constitui a partir de sua biblioteca privada, onde livros se misturam com recortes de jornais, informações fragmentárias no "chão regados de papéis disseminados", conforme Benjamim (citado por Canclini, p. 303).A partir dos novos dispositivos tecnológicos como a fotocopiadora, o videocassete e o vídeo game que não podem ser considerados como cultos ou populares, as coleções se perdem e com elas, as referências semânticas e históricas que amarravam seu sentido. No primeiro dispositivo há a possibilidade do manejo mais livre e fragmentário dos textos e do saber, no segundo é permitido a reorganização de produções audiovisuais tradicionalmente opostas: o nacional e o estrangeiro, o lazer e o trabalho a política e a ficção etc. O terceiro, enfim, desmaterializa e descorporifica o perigo "dando-nos unicamente o prazer de ganhar dos outros ou a possibilidade, ao sermos derrotados, de que tudo fique na perda de moedas numa máquina" (p. 307).Canclini afirma que o segundo processo, o da desterritorialização, se constitui como mais radical significado de entrada e saída da modernidade. Para ilustrar isso, ele analisa primeiro a trasnacionalização dos mercados simbólicos e as migrações. Nesse sentido desconstrói os antagonismos : colonizador vs. Colonizado e nacionalista e cosmopolita, ao enfatizar a descentralização das empresas e a disseminação dos produtos simbólicos pela eletrônica e pela telemática, "o uso de satélites e computadores na difusão cultural também impedem de continuar vendo os confrontos dos países periféricos como combates frontais com nações geograficamente definidas" (p. 310). É importante esclarecer, para destituir a idéia de maniqueísmo, que a difusão tecnológica também permitiu a países dependentes registrarem um crescimento notável de suas exportações culturais, basta lembrar do crescimento da produção cinematográfica e publicitária do Brasil nos últimos anos. Outro fator importante para a desterritorialização, é o que o autor chama de migrações multidirecionais, a constância cada vez maior da realidade diaspórica. Tal realidade é muito bem ilustrada pelo seu estudo sobre os conflitos interculturais em Tijuana, fronteira entre o México e os Estados Unidos. Ele afirma: "várias vezes pensei que essa cidade é , ao lado de Nova Iorque, um dos maiores laboratórios da pós-modernidade"(p. 315) . O caráter multicultural desse local não se expressa apenas no uso do espanhol e do inglês, mas nas relações divergentes e convergentes que se dão entre uma cultura e outra. Ao mesmo tempo há uma tentativa de retorno ao tradicional, ou pelo menos, uma tentativa de reinventá-lo. Em Tijuana, a busca pelo autêntico atende também aos interesses do mercado turístico. Visitantes tiram foto em cima de burros pintados que imitam zebra, ao fundo imagens de várias regiões do México: vulcões, figuras astecas, cactos etc. Ao final do seu trabalho, Canclini se detém no papel da arte no entendimento da hibridação na América Latina. Cita o manifesto antropófago no Brasil e o grupo Martín Fierro na Argentina, como interpretações de nossa identidade, realizadas, muitas vezes, a partir de elementos estéticos e sociais de outro país - Oswald vê o Brasil no alto do atelier da Place Clichy. Sobre o cosmopolitismo e localismo desses artistas afirma: "O lugar a partir do qual vários artistas latino-americanos escrevem, pintam ou compõe músicas já não é a cidade na qual passaram sua infância, nem tampouco é essa na qual vivem há alguns anos, mas um lugar híbrido, no qual se cruzam os lugares realmente vividos" (p. 327).Por outro lado, em conseqüência ao processo da descoleção, como já fora explicitado, o artista perde sua áurea como fundador da gestualidade e das mudanças totais e imediatas. As práticas artísticas carecem agora de paradigmas consistentes: o cânone, a genialidade e a erudição são idéias ultrapassadas e pretensiosas. Ao artista ou ao artesão (categorias cada vez menos diferenciadas) restam às vezes as cópias, a possibilidade de repetir peças semelhantes, ou a possibilidade de ir vê-las num museu ou em livros para turistas.
Não vejo nesses pintores, escultores e artistas gráficos a vontade teológica de inventar ou impor um sentido ao mundo. Mas também não há neles o niilismo abissal de Andy Warhol, Rauschemberg e tantos praticantes do bad painting e da transvanguarda. Sua crítica ao gênio artístico, e em alguns ao subjetivismo elitista, não os impede de perceber que estão surgindo outras formas de subjetividade a cargo de novos agentes sociais (ou não tão novos), que há não são exclusivamente brancos, ocidentais e homens. (p. 331)
Como proposta de uma prática artística híbrida, Canclini finaliza seu texto, falando do grafite e dos quadrinhos, gêneros impuros que desde o nascimento abandonaram o conceito de coleção patrimonial, e se estabelecem como "lugares de interseção entre o visual e o literário, o culto e o popular" (p. 336). A ambivalência do grafite se constitui, quando, ao mesmo tempo, que serve para afirmar territórios (arte neotribal) de grupos étnicos ou culturais, também desestrutura as coleções de bens materiais e simbólicos da chamada "alta cultura". Os quadrinhos contribuem para mostrar a potencialidade de uma nova narrativa e do dramatismo que pode ser condensado em imagens estáticas. É o estilo mais lido e o ramo da indústria editorial que produz maiores lucros; por sua relação constante com o cotidiano, acaba por revelar referências e contradições da própria contemporaneidade. Para ilustrar essas manifestações deslocadas, Canclini fala de uma famosa tira de Fontanarrosa, em que um personagem "contrabandista de fronteira" foge da polícia "de 15 países"- o personagem não contrabandeia através de fronteira, mas a própria fronteira: balizas, barreiras, marcos, arames farpados etc. Após vender uma defeituosa, ele tem que se esconder para não ser preso pela Interpol. No final, quando estava sendo perseguido, o personagem acaba por entrar numa manifestação popular, pensando se tratar de uma procissão, porém, na verdade, se tratava de um movimento grevista de policiais. A frase conclusiva que encerra a tira, dita por outro personagem que presencia toda a aflição do protagonista, é emblemática do momento pós-moderno: "A gente nunca sabe onde vai estar metido no dia de amanhã".
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(1) Canclini entende a pós-modernidade "não como uma etapa ou tendência que substituiria o mundo moderno, mas como uma maneira de problematizar os vínculos equívocos que ele armou com as tradições que quis excluir ou superar para constituir-se" (p. 28).

Museando ao Sábado. Call centers em debate no Museu do Trabalho


Museu do Trabalho Michel Giacometti
Largo dos Defensores da República
2910-470 Setúbal
museu.trabalho@mun-setubal.pt
museutrabalho@iol.pt
Tel (+351) 265 537 880
Fax (+351) 265 537 880

16.4.09

Cultura . Gestão . Qualidade . Sustentabilidade . Eficácia social


15 a 17 de Abril de 2009, Pousada do Convento da Graça em Tavira

Nos últimos anos, consequência da evolução da sociedade portuguesa, construíram-se no País muitas infraestruturas culturais que vieram a enriquecer a vida das cidades e a oferta cultural das regiões, permitir o acesso ao conhecimento e à diversidade da criação artística. No Algarve foram também concebidos e construídos alguns equipamentos (bibliotecas, teatros, museus, …) e estão projectados para os próximos anos diversos outros espaços culturais por quase toda a região. Este seminário, de problemática actual, constitui uma oportunidade para reflectirmos conjuntamente a arquitectura e funcionalidades dos espaços culturais e a sua adequação às necessidades sociais, artísticas e tecnológicas, os modelos de gestão (sociedades público-privadas, empresas municipais, fundações, departamentos,…) de cuja escolha dependem a sustentabilidade económica e uma maior eficácia social.
Programa

15 de Abril (4ª feira)
18h30 - Sessão de abertura José Macário Correia (Presidente da CM de Tavira), João Guerreiro (Reitor da Universidade do Algarve), Gonçalo Couceiro (Director Regional de Cultura do Algarve), João Belo Rodeia (Presidente da Ordem dos Arquitectos Portugueses), Jorge Barreto Xavier (Director Geral das Artes), Jorge Queiroz (Presidente da Direcção da AGECAL)
19h30 - Conferência Equipamentos culturais: algumas reflexõesMiguel Lobo Antunes (Gestor cultural, Administrador da Culturgest)
20h30 - Beberete / jantar volante no Palácio da Galeria / Museu Municipal de Tavira
21h30 - Espectáculo nos claustros da Pousada de N. Sr.a da Graça

16 de Abril (5ª feira)

Painel Espaços culturais: arquitecturas e funcionalidades
Direcção de mesa: Marta Santos (Arquitecta, AGECAL)

10h00 - Conferência Arquitectura e espaços culturais
João Luís Carrilho da Graça (Arquitecto, Prémio Pessoa 2008)
11h00 - Intervalo
11h15 - Conferência Teatro: conceitos gerais e aplicação nos Planos de Espaços Cénicos (Sevilha e INAEM)
Juan Ruesga (Arquitecto, Prémio Manuel de Falla 2008)
12h15 - Debate
Moderação: Conceição Pinto (Arquitecta, AGECAL)
Intervenientes: Juan Ruesga (Arquitecto), João Luís Carrilho da Graça (Arquitecto), Tiago Monte Pegado (Arquitecto, Ordem dos Arquitectos Portugueses), Vitor Correia (encenador e actor) entre outros
13h00 - Almoço

Painel Gestão de infraestruturas culturais: experiências portuguesas
Direcção de mesa: Rui Parreira (Arqueólogo, AGECAL)

14h30 - Gestão de infraestruturas culturais em Guimarães
José Bastos (Director do Centro Cultural de Vila Flor)
15h00 - Foz Côa – gestão de um museu de paisagem
Alexandra Cerveira Lima (Directora do Parque Arqueológico do Vale do Côa)
15h30 - Óbidos Patrimonium – gestão de uma empresa municipalRicardo Ribeiro (Administrador Óbidos Patrimonium)
16h00 - Intervalo

Direcção de mesa: Graça Cunha (Bibliotecária, AGECAL)

16h15 OPART – Teatro São Carlos e CNB: um modelo de empresa pública
Carlos Vargas (Administrador d' OPART) e Fernanda Rodrigues (Coordenadora do Gabinete Jurídico d' OPART)
16h45 - Évoraculta – empresa municipal de Évora
José Ernesto Oliveira (Presidente da CM de Évora)
17h15 - A Gestão da Qualidade em museus
Isabel Victor (Chefe de Divisão de Museus da CM de Setúbal)
17h45 - Intervalo

18h00 - Debate Que modelos de gestão para as infraestruturas culturais?
Moderação: Jorge Queiroz (Sociólogo, AGECAL)
Intervenientes: Rui Parreira (ex-director da Fortaleza de Sagres), José Bastos (Director do Centro Cultural de Vila Flor), Alexandra Cerveira Lima (Directora do Parque Arqueológico do Vale do Côa), Ricardo Ribeiro (Administrador Óbidos Patrimonium), João Ventura (Director do Teatro Municipal de Portimão- TEMPO), José Ernesto Oliveira (Presidente da CM de Évora), Carlos Vargas (Administrador d' OPART), Ricardo Ribeiro (Administrador Óbidos Patrimonium), Isabel Victor (Chefe de Divisão dos Museus da CM de
Setúbal)
17 de Abril (6ª feira)

Painel Algarve: novos equipamentos, novos modelos de gestão?

Direcção de mesa: Emanuel Sancho (Museólogo, AGECAL)
10h00 - Equipamentos culturais em Portimão : o Teatro e o Museu MunicipalJoão Ventura (Director do Teatro Municipal de Portimão- TEMPO ) e José Gameiro (Director do Museu Municipal de Portimão)
10h30 - Faro: Teatro das Figuras e projecto Museu de Arte ContemporâneaPaulo Neves (Administrador do Teatro das Figuras), Conceição Pinto (Directora de Departamento da CM de Faro) e Dália Paulo (Directora do Museu Municipal de Faro)
11h00 - Intervalo
Direcção de mesa: Manuela Teixeira (Conservadora-restauradora, AGECAL)
11h15 - Projectos em Tavira e a gestão prevista: Fórum Cultural, Rede Museológica de Tavira e Centro de Arte ContemporâneaElsa Cordeiro (Vereadora da Cultura e Urbanismo da CM de Tavira)
11h45 - O Centro de Ciência Viva de Lagos: concepção e gestãoRui Loureiro (Director de Departamento da CM de Lagos), Frederico Paula (Coordenador do Gabinete de Planeamento Estratégico e Projectos Municipais da CM de Lagos)
12h15 - Debate Moderação: Dália Paulo (Museóloga, AGECAL)Intervenientes: Vasco Vidigal (galeria ArteAdentro), Tela Leão (Programadora Expo Saragoça), Pedro Ramos (Al-Mashra Teatro)
13h00 - Almoço

Direcção de mesa: Luísa Ricardo (Antropóloga, AGECAL)

14h30 - Rede de infraestruturas culturais de LouléJoaquim Guerreiro (Chefe de Gabinete da CM de Loulé), Luísa Martins (Directora de Departamento da CM de Loulé) e Luís Guerreiro (Chefe de Divisão da CM de Loulé)
15h00 - Criação e gestão de infraestruturas culturais em OlhãoFrancisco Leal (Presidente da CM de Olhão) e Graça Cunha (Directora de Departamento da CM de Olhão)
15h30 - Projectos museológicos em Albufeira: o Museu do Barrocal António Nabais (Museólogo) e Patrícia Baptista (Museu Municipal de Arqueologia)
16h00 - Experiências da gestão de espaços culturais em São Brás de AlportelVítor Guerreiro (Vereador da Cultura da CM de São Brás de Alportel)
16h30 - Intervalo

17h00 - Debate Novos equipamentos, nova gestão. Que perspectivas para o Algarve?
Moderador: José Carlos Barros (Vice-Presidente da CM de Vila Real de Santo António) Intervenientes: Isabel Soares (Presidente da CM de Silves), Pedro Costa (Jornalista, Director do jornal “O Algarve”), Elisabete Rodrigues (Jornalista, Chefe de Redacção do jornal “Barlavento”) e Henrique Dias Freire (Jornalista, Director do jornal “Postal do Algarve”)

18h00 - Encerramento

10.4.09

Museus e Pós-Modernidade






Museus e Pós-Modernidade: Discursos e Performances em Contextos Museológicos Autora: Marta Anico
Edição: Universidade Técnica de Lisboa - Instituto de ciências Sociais e Políticas, 2008
Descrição Física: 490 p.
ISBN 978-989-646-003-7



Esta obra resulta da investigação realizada no âmbito da preparação de uma tese de doutoramento em ciências sociais, especialidade em Antropologia cultural, apresentada no Instituto de ciências Sociais e Políticas em Janeiro de 2007.
Sobre o livro:
A presente obra debruça-se sobre as configurações dos museus na contemporaneidade, analisando a relevância social e cultural destas instituições enquanto protagonistas de processos de produção, representação e consumo de significados, no contexto de uma condição global pós-moderna. A redefinição do conceito de museu, a sua politização, a renegociação do seu relacionamento com os públicos e a democratização do acesso são alguns dos desafios com que se deparam estas instituições e que se reflectem na construção de múltiplas significações associadas ao seu papel e ao seu lugar nas sociedades contemporâneas. Este livro pretende, pois, oferecer uma reflexão sobre as teorizações e os modelos museológicos mais recentes, com particular incidência no “pós-museu”, e as práticas e dinâmicas de adaptação a contextos locais, em articulação com a temática das politicas culturais e os usos instrumentais da cultura.
Marta Anico. Doutorada em Ciências Sociais (na especialidade de Antropologia Cultural), é professora auxiliar no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa. Co-editora com Elsa Peralta das obras “Patrimonio e Identidade. Ficções Contemporâneas (Celta, 2006) e “Heritage and Identity” (Routledge, 2008), a sua produção científica incide nas temáticas do património, museus, práticas e representações culturais e, mais recentemente, nas políticas da cultura.
(Informação extraída da contracapa do livro)




Posted in Books, Museology , por Ana Carvalho, in " Mundo dos Museus "

1.3.09

Michel Giacometti - Museu do Trabalho


Giacometti elaborou, em 1975, um projecto de recolha popular, a que chamou Plano de Trabalho e Cultura, no quadro do então recém-criado Serviço Cívico Estudantil.


No Verão desse ano, mais de uma centena de jovens respondeu ao apelo do musicólogo francês e varreu alguns concelhos do país em busca de instrumentos musicais e de trabalho, utensílios domésticos, fotografando e registando sons de exemplares vocais e instrumentais, lendas, histórias e recolhendo informação sobre medicina popular. Estabeleceu-se que a maior parte desta informação ficasse à guarda do INATEL (ex-FNAT, Federação Nacional para a Alegria no Trabalho), entidade em cujo processo de reestruturação Giacometti estava fortemente empenhado e para o qual propunha a criação de um Centro de Documentação Operário-Camponês (que devia substituir o Grupo de Etnografia e Folclore da instituição) e de um Museu do Trabalho. Pouco tempo depois, Giacometti saiu do INATEL em conflito com a organização e muito do espólio recolhido seria doado pelo próprio INATEL à Câmara de Setúbal, que tinha manifestado interesse na aquisição. Durante muitos anos o Museu do Trabalho foi um projecto sem espaço físico, até que a Câmara de Setúbal adquiriu uma unidade de indústria conserveira fechada desde a década de 60.






Museu do Trabalho e Reserva etnográfica Michel Giacometti (Setúbal), de Terça a domingo, 9h30-18h.
Contacto: 265 537880



alfaias agrícolas, máquinas e ferramentas, ofícios, objectos de uso quotidiano, luminárias e utensilagem doméstica


fonte: Jornal Expresso

2.2.09

Cultura

El Imparcial - El mejor diario de Oaxaca




Museos comunitarios, luchan contra exclusión social




Debido a las grandes diferencias económicas que los países llegan a concentrar , “los museos comunitarios arraigan en sus bases una lucha para erradicar las diferencias sociales”

Vidal PINEDA VÁSQUEZ


Buscar el equilibrio social y eliminar cualquier tipo de diferencia racial que llegue ha existir entre las culturas, es uno de los objetivos principales que buscan los museos comunitarios, señaló el representante del Ecomuseo de Santa Cruz, Río de Janeiro, Brasil, Bruno Cruz de Almeida.

Debido a las grandes diferencias económicas que los países llegan a concentrar en sus núcleos sociales, a decir de Cruz de Almeida, los museos comunitarios arraigan en sus bases una lucha para erradicar las diferencias sociales, “una lucha contra la exclusión y favor de la inclusión cultural”.

“Se lucha contra ésto porque en cada uno de estos museos existentes en Brasil, se promueve el conocimiento de la historia para una mejor comprensión del presente y del futuro. Estas instituciones están en contra de la exclusión y a favor de la inclusión, porque en siglos anteriores hubo una discriminación social, y en este siglo se debe de luchar por la inclusión social, hoy en todo el mundo lucha contra esta exclusión, lo importantes es mantener un equilibrio social, eliminar estos abismos entre las sociedades”, comentó.

Por tal motivo y debido a la importancia que ésto llega a tener en los diferentes sectores sociales, la creación de museos comunitarios en Brasil ha permitido la estructura de una Asociación Brasileña de Museos Comunitarios y Ecomuseos que promueven la convivencia y el reconocimiento cultural de las comunidades, explica el brasileño. Y agrega: “Por ejemplo, en las favelas brasileñas, los barrios más pobres localizados en los cerros de este país centroamericano, cuentan son su propio museo, a través del cual buscan el rescate de su historia y luchan para que los sectores mejor posicionados económicamente, los incluyan como parte de la sociedad brasileña y no como entes distintos”.


“Cuando en Santa Cruz surgió el museo, el Gobierno envió un comité para el rescate de la memoria histórica, y así fue como gente de otras partes de Río de Janeiro contagiaron a esta comunidad, para que fueran ellos quienes sintieran la necesidad de rescatar su historia, la cual no estaba representada nacionalmente, pues no se hablaba de Santa Cruz, la historia de esta comunidad no existía”.

Siendo participante el Tercer Taller de Facilitadores de Museos Comunitarios de América, que desde hace una semana se lleva a cabo en nuestra ciudad, Cruz de Almeida finalmente señaló, que proyectos como éste permiten un intercambio interesante de culturas, lo cual conduce a un enriquecimiento social, ya que para él y sus compañeros es importante “ampliar y fortalecer el orgullo de las comunidades”.

À volta do sentido do museu ...


Qualquer projecto museológico terá que partir do estudo profundo do território e da auscultação das pessoas. Antes do museu existir é necessário identificar a problemática (o seu objecto social), suscitar a reacção, o espanto, a vontade das pessoas em participar. Pensar no modelo, no tipo de organização e na sua sustentabilidade. Qualificar a procura através de acções de disseminação do conhecimento, promover o debate, investir arduamente na elevação das expectativas dos cidadãos-clientes, é tarefa primordial.

O futuro dos museus está na participação. No diálogo entre pessoas e grupos que estão na area de impacto do museu, independentemente da relação e/ou vínculo que têm com a instituição museológica (profissionais, voluntários, parceiros, utilizadores, públicos). A participação é o processo-chave da Qualidade em museus. É através da participação que os museus ganham sentido, ganham espessura e geram valor. É a participação que torna o museu único e socialmente relevante. Por muito nobres que se nos afigurem as causas, nada muda se for imposto. As pessoas (julgo eu) têm que acreditar que podem contribuir para a mudança. Têm que se sentir comprometidas, ganhar confiança, crescer com o problema, ajudar a decifrá-lo e ganhar coragem (audácia/poder) para intervir na sua concretização. É fácil fazer um museu mas é muito difícil mantê-lo vivo e actuante. A Museologia do futuro terá que estar mais atenta aos processos, ao envolvimento das pessoas e ao empowerment por ele gerado, porque aí reside a sua força e razão de existência. A Museologia Social, processual, transforma dificuldades em oportunidades, admite a mudança, a pedagogia do erro e a contínua aprendizagem. É inclusiva e promove a qualificação das culturas e dos patrimónios. A mera "contabilidade de públicos" já não chega para aferir a qualidade de um museu. Uma competente gestão do conhecimento e da informação é hoje fundamental para qualquer organização, incluindo os museus. A noção de qualidade em museus rege-se hoje por parâmetros que estão muito para além de um somatório de "boas qualidades". A qualidade total em museus mede-se pela qualidade da participação e pelos resultados para a comunidade (a satisfação das pessoas e a inclusão). A exemplo de muitas outras organizações com idênticas missões e valores, os museus terão de se munir das necessárias ferramentas avaliativas com o objectivo medir e comparar os impactos da sua acção na comunidade. Estes processos são uma construção tão (ou mais) importante como o produto final (exposição ou outro), por muito espectacular que este se nos afigure. Na Museologia social (com carácter processual) fazer o caminho é tão importante como chegar à meta. Os processos de identificação e descoberta, aproximam as pessoas e reforçam as comunidades de interesses, centradas sobre o património. A inclusão do diferente e dissonante gera inovação. produz efeito nos procedimentos de natureza material e imaterial, reconfigura o modelo de comunicação em museus. A participação efectiva permite trabalhar a singularidade, a especificidade das culturas, os modos de ser e agir de pessoas de diferentes gerações, origens e condições. O importante é a persistência no terreno e o enriquecimento das suas leituras. É do terreno que nasce toda a acção sólida e consistente. O importante é criar laços entre as pessoas, derrubar barreiras físicas, intelectuais e psicológicas, promover as acessibilidades, trabalhar com deficientes, imigrantes, desempregados, mulheres, crianças, grupos de risco. Criar rotinas de estudo, hábitos de pensar e decidir em conjunto. Esse é o campo onde germina a mudança e cresce a cidadania. Os museus sustentáveis, estão ancorados no terreno, na proximidade, assentes em fortes valores humanistas, com uma visão arrojada de futuro.




Isabel Victor


Chefe da Divisão de Museus da Câmara Municipal de Setúbal

Docente no mestrado em Museologia da Universidade Lusófona de Lisboa



Museos comunitarios, luchan contra exclusión social
Debido a las grandes diferencias económicas que los países llegan a concentrar , “los museos comunitarios arraigan en sus bases una lucha para erradicar las diferencias sociales”

Vidal PINEDA VÁSQUEZ


30.1.09










FICHE D’ ÉVALUATION AUTOCRITIQUE
D’ UN ALTERMUSÉOLOGUE DU MINOM.
Pierre Mayrand, le 30 janvier 2009-01-31

On se souviendra que la fiche d´ évaluation proposée par le MINOM Int., a pour fonction d’ illustrer par des démarches jugées exemplaires par l’ auteur un processus en cours afin de créer une banque de références pouvant répondre à la question <> selon les contextes , les personnalités, le niveau de compréhension , d’ assimilation et de transposition de certains paramètres connus.



QUELLES LIMITES: COMBIEN DE TEMPS ENCORE, UN BILAN PROVISOIRE DE MA CONTRIBUTION AU MUSÉE COMMUNAUTAIRE DE CARRAPATEIRA (Pt, Algarve) ? Une intervention provoquée par une question de J.Fr. Leclerc (Qc, Can ) <>… qui lui est posée régulièrement par ses étudiants, à la fois séduits par l’ idée ( Faire du neuf ) et sceptiques devant l’ enchevêtrement des notions et des positions. Je tente toujours de répondre simplement, autant que faire se peut, qu’ il s’ agit d’ une attitude face au monde et à son explication, de privilégier l.e questionnement social, politique et culturel sur le devenir de nos sociétés, de se sentir entraîner par une cause, de chercher à mettre celle-ci à profit dans la création muséale libérée de toute entrave, de se donner la peine d’ explorer les essais de typologie existants, d’ aller expérimenter de prés, aussi éloignés qu’ ils fussent, les milieux où ça se passe. Pour l’ étudiant, brûler les cahiers de classe. Pour le professionnel, prendre une marge de distance avec la RÉGLE de l’ INSTITUTION. Encore mieux, DESCENDRE DANS LA RUE.


BILAN DE L’ AUTEUR.


Venu à Carrapateira, en 2004, fréquentant le Portugal depuis 1974, je fus amené par la Directrice du MMTC et les autorités municipales à validert le projet d’ un musée-territoire, dans une perspective de la Nouvelle muséologie dont la Directrice était une adepte.

Le diagnostic fut favorable, le contexte géographique et politique étant favorable à une telle initiative. Le projet prit, d’ entrée de jeux, le nom de <> pour désigner le territoire d’ intervention. Je fus requis par le Président de la Mairie (Camara), un communiste passé au parti socialiste au pouvoir, pour préparer un plan quinquennal d’ orientation, de même que pour dresser une grille d’ analyse du patrimoine regional.

Ceci me permit de me familiariser avec le milieu, de m’ attacher au projet et à la région, de me rapprocher de mes enseignements en sociomuséologie à l’ Université Lussofone de Lisbonne et de mês camarades militants du MINOM de la première heure, de prendre la décision aux conséquences multiples sur ma vie personnelle de demeurer en semi permanence auprès de ma nouvelle compagne, la Directrice du Musée.

On m’ attribua, alternativement à titre de volontaire et de contractuel, le programme d’ intervention communautaire ( Formation et gestion ). À ce titre, encouragé par la sollicitude du Responsable (Vereador ) de la Culture, j’ entrai dans la programmation des activités, dans la mise en place concrète d’ un Comité de participation ( Gain considérable dans la structure portugaise du pouvoir municipal ), dans le conditionnement de l’ appareil municipal par la tenue d’ un colloque <> ( Collaboration du MINOM Portugal: Série Musées et autarquies )En sus de ces initiatives délicates en raison de mon statut d’ étranger ( susceptibilités à ménager ) et de ma liaison avec la Directrice, je me rendis disponible pour préparer des dossiers de promotion ( Prix Tourisme Portugal qui nous fut alloué avec les Açores ), dernière main, avant son inauguration le 1er Mai 2008, aux textes philosophiques et au récit muséographique ( Introduction de la mascotte, la Baleine Jonas ) enfin à la disposition des objets, aux fiches d’ évaluation du parcours du visiteur, etc …

Si on exclut les communications en salles de cours et dans les colloques, les menus services pressants de dernière minute, ce fut un travail incessant, ramant parfois à contre-courant où je mis à contribution au profit d’ une amitié et d’ une affection pour une collectivité, toutes les resources de mon experience, tant théorique que pratiquie, persuadé par mes observations que le Portugal avait besoin de renouveler la révolution muséologique de peu de durée entreprise en 1974. J’ eu la prétention (?) d’ introduire le <> et de défendre, lors de l’ Atelier Molinos, la notion de modèle s’ appuyant sur le processus de modélisation ( une statégie de stimulation du développement ).

Me sentant responsable d’ avoir entraîné mes coéquipiers dont j’ étais l’ aviseur sur le plan de l’ action communautaire sur une pente dont on ne sait jamais si elle pourra être surmontée ( Caractère expérimental ), risquant de mettre en péril des carrières, de décevoir les illusions ( l’ utopie ), je connu des momments de doute comme je l’ ai souvent exprime dans mes chroniques, rapidement dissipés compte tenu de mon caractère volontaire et une capacité de travail peu commune ( à ce qu’ on dit ).

Mon défi le plus important fut cependant d’ avoir à gérer dans le quotidien une relation de couple engage, de faire le partage équitable des tâches, moi-même comme volontaire invité, ma compagne comme Directrice répondant directement des autorités don’t j’ étais tenté de la détacher pour nous ramener au modèle d’ efficacité et de privacité Nord Américain auquel nous invitaient, d’ une certaine manière, les critères d’ efficience introduits par les programmes de la communauté Européenne, me souvenant toujours des paroles de Mateo Andrès ( Maestrazgo ) sur la <>.

Ayant atteint l’ âge du dernier quart d’ une vie, continuant à être mu par la vivacité de l’ esprit, possédant le sentiment que le plus important est encore à dire ou à faire, cherchant tout prétexte pour franchir les limites, ne craignant pas de substituer l’ aventure humaine au confort personnel, je marche jusqu’ à présent, comme l’ Indien, sur le retour de mes pas, une astuce pour détourner l’ ennemi. Est-il un point dans l’ expérience où il est permis de rompre les rangs ? En Haute-Beauce, j’ avais cinquante ans, je ne le croyais pás.
_________________________


29.1.09

Cartografias da memória. Museus de Setúbal /Rede local de voluntários


Uma ideia. Um processo. Uma etapa


_______________ A Exposição



13
13
13



segundo, certos pontos.de.vista.





" Ninguém é igual a ninguém. Todo o ser humano é um estranho ímpar."
Carlos Drummond de Andrade

As fotografias foram o rastilho que incendiou a memória. Poderiam ter sido cem ou meia dúzia, mas como tudo tem um princípio, decidimos apostar no 13, esconjurar a crença no infortúnio, provocar o estremecimento, registar o encontro entre o instante aprisionado na imagem e as imagens instáveis, conflituantes, que a memória constrói e reconstrói dentro do seu tempo; ouvir falar de desencontros (que são pontos negros na História), descerrar o sofrimento, criar cumplicidades, reconhecer o trabalho e as lutas que traçam a diferença, sorrir às hesitações, aos lapsos e “esquecimentos” que a memória tece; jogar na metáfora do número a ambiguidade de sentidos que atravessam a imagem (também as alegrias e as suas celebrações), captar na singularidade de cada ponto.de.vista, o estranho ímpar que é todo o ser humano. Este projecto, cataliza o espanto, individual e colectivo, que assenta na descoberta de uma cidade nunca vista, sobre certos pontos.de.vista. Trata-se de criar com os parceiros e voluntários, uma nova e sofisticada cartografia do património, subjectiva, plural e diversa, reconstituída a partir das pessoas e dos seus mundos. O que aqui se apresenta é uma infinitésima parte do que temos recolhido, mas fica o exemplo, a síntese, o mote para a criação de um centro de memórias que registe metodicamente o que está para além das evidências. O que nos torna ímpares, estranhamente diferentes, entre iguais.

Isabel Victor
Divisão de Museus / Câmara Municipal de Setúbal
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O Projecto


Este projecto de recolha e registo de memórias orais tem como ponto de partida as fotografias de Américo Ribeiro, Arquivo Municipal que faz parte do património cultural e artístico de Setúbal.
A escolha não foi inocente, sabíamos, à partida, que o arquivo Américo Ribeiro estava inscrito nas vidas e memórias dos cidadãos, não só pela sua riqueza temática, mas também pela forma como Américo Ribeiro se relacionou com as pessoas e com a cidade. Também sabíamos que os afectos gerados pelas imagens e apego aos lugares, fotografados durante mais de meio século, facilmente despertariam a vontade de dizer algo.
Para conseguirmos chegar a esta síntese, apresentada sob a forma de exposição e filme, foi necessário um longo e intenso trabalho de retaguarda, que teve início em Outubro de 2007 e que continua a decorrer. Até ao momento, foram trabalhadas 398 imagens, das quais 94 versam o Vitória Futebol Clube; 196, a cidade e as pessoas; 27, as fábricas de conservas e 81, a Batalha das Flores, entre outras festas e tradições. Neste percurso, recolheram-se histórias de vida, memórias, criaram-se afectos e geraram-se emoções em torno do mote escolhido. Constituíram-se redes interpessoais envolvendo os museus e os diferentes grupos na comunidade, contribuindo para atenuar as barreiras sociais e intelectuais que ainda hoje inibem algumas pessoas de entrar nos museus e aceder a bens culturais e patrimoniais, que são pertença de todos. Com este trabalho buscamos a aproximação entre a comunidade, os museus, os patrimónios e aproveitamos a irrepetível oportunidade de recorrer a informantes que foram contemporâneos de acontecimentos fotografados por Américo Ribeiro, tornando-os narradores da sua própria história.
A valorização dos saberes e experiências de vida dos membros da comunidade, sistematizados em forma de documentos acessíveis aos públicos e investigadores, permite-nos acrescentar aos espaços museológicos uma outra dimensão de pesquisa, baseada na escuta e no compromisso com os cidadãos, engrandecendo e humanizando o leque de serviços dos museus e os conteúdos do património imaterial.
A exposição "13 Fotografias, 13 Estórias, 13 Filmes", reúne um conjunto ímpar de imagens seleccionadas pelos informantes, de acordo com os seus critérios e preferências pessoais.
A subjectividade dos seus olhares remete-nos para múltiplas e desafiantes leituras da cidade.

Agradecemos a todos os que contribuíram para que isto fosse possível, dando-nos os seus únicos e irrepetíveis pontos.de.vista.



Maria Miguel Cardoso
Museu do Trabalho Michel Giacometti Divisão de Museus Câmara Municipal de Setúbal

Bruno Ferro
Arquivo Municipal Fotográfico Américo Ribeiro Divisão de Museus Câmara Municipal de Setúbal

Edite Barreira
Projecto «Ao Encontro da Memória Através do Património»

19.1.09

MIDI EXPRESS
Chroniques d’ un altermuséologue
19 janvier 2009-01-19


LES DOUTES D’ UN ANIMATEUR

L’ expérience d’ une assemblée générale populaire relatée hier soir, se voulant un exercice d’ auto-critique, ne me satisfaisant pas, laissant dans l’ ombre de nombreux doutes, j’ y reviens le lendemain matin au risque de vous lasser, si ça n’ est pas déjà le cas.

Je me suis toujours interrogé, lors des interventions communautaires auxquelles j’ ai eu à prêter ma collaboration comme volontaire, se déroulant parfois sur une période prolongée ( je pense surtout à la Haute Beauce, ce fantôme géant, qui a occupé une vingtaine d’ années de ma vie et qui me sert toujours de référence tellement l’ expérience fut exhaustive ), sur mes motivations profondes, sur l’ impact réel des réussites et des échecs, sur la tentation de la manipulation et du pouvoir tribun.

Pour ce qui est des motivations il est certain que j’ obéissais à une poussée irrésistible, à la fois croyance dans la cause du changement et de la solidarité coopérative et expression d’ une rébellion contre les coercitions auxquelles j’ ai été soumis dans dans ma jeunesse ( Religion, éducation, tutelle paternelle … ), mais également en regard des enseignements maternels, ma mère étant issue d’ une famille possédant une longue histoire de résistances tragiques. Il faut dire aussi que, malgré mon âge, je me considerais de la génération des années 70, étant en contact permanent avec les jeunes par mes enseignements. Ces facteurs, comme d’ autres, eurent come résultat un souci de me distinguer tout en me fondant dans la masse, de réfuter toute position arrêtée, d’ épouser le risque et la provocation comme modes de vie et de relationnement: Emporté vers le large dans la faible embarcation que je m’ étais construite, je défiais les dieux tout en tremblant.

Ceci m’ amène à commenter brièvement la tentation de la manipulation dont on est trop souvent soupçonné dans l’ exercice de ce métier. Où se trouve la ligne de démarcation entre celle-ci et la visée stratégique, propre à toute action organisée ? Tout dépend, à mon avis, de la légitimité des objectifs poursuivis. Mais qui en jugera ? Est-ce parceque nous sommes confrontés à une opposition qu’ il faille présumer d’ une justification de la présomption de manipulation stratégique ? Le verdict, parfois sévère, appartient à la communauté à laquelle le volontaire, animateur socio-culturel, consent à consacrer ses énergies. Le militant, bien souvent meurtri dans sa chair, n’ aura d’ autre issue que celle du courage d’ entreprendre son auto-critique sans sombrer dans la démobilisation, de poser et de se poser les questions troublantes qui font partie des rapports sociétaires.

Pour en revenir à l’ assemblée d’ hier, malgré la présence massive de la communauté et son écoute attentive, je sentais bien que tout avait été <> selon les meilleures règles du métier, ne laissant pas d’ autre choix aux personnes présentes que de se laisser entraîner dans un engrenage bien huilé. Je sentais néanmoins poindre dans l’ esprit de certains la question, rapidement éludée, dans quelle galère sommes-nous entraînés ? Était-ce une assemblée publique pour entériner ou valider l’ action unilatérale du Musée, justifier sa vocation communautaire, ou bien était-ce véritablement une tentative d’ associer toutes les voix , dans un geste de rémission, à la vie de l’ entreprise ? La question, restée sans réponse claire, à savoir si le Comité de participation possédait un pouvoir exécutif ( le document stipulant seulement qu le CP n’ était pas un groupe de pression ), est un exemple de zone grise que l’ on retrouve dans toute démarche de type concensuel. De la réponse à cette question découleront les rapports à venir à l’ intérieur du triangle diabolique dans lequel nous venons de nous engager: MUSÉE-POPULATION-AUTORITÉ. Je puis cependant affirmer sans l’ ombre d’ un doute que l’ intention de ceux qui ont mené le jeux ( La Directrice, moi-même, le Vereador ) était exempte de tout calcul récupérateur, tellement la foi dans l’ entraînement du mouvement fut grande. Le doute de l’ animateur muséal chevronné, dans mon cas, venait peut-être du trac que l’ on éprouve toujours au momment de franchir une étape décisive engageant la responsabilité sociale ?





Pierre (Mayrand)

18.1.09

MINUIT EXPRESSE
Chroniques d’ un altermuséologue
Janvier 2009-01-18


AUTO-CRITIQUE D’ UNE ASSEMBLÉE GÉNÉRALE.


Le Musée de la Mer et de la Terre de Carrapateira (Pt) se définit comme un musée communautaire. Inauguré en Mai de l’ an dernier, sa qualité comme musée communautaire était légitimisée, jusqu’ à présent, par le don d’ objets, par la participation spontanée des habitants aux enquêtes, par leur affection pour un projet qu’ ils avaient fait leur.

Il fallait franchir un pas supplémentaire dans la communitarisation du musée, dont le statut était celui de la dépendence à la tutelle municipale.

Afin de parvenir à un degré opérationnel de pleine communitarisation, il fut prévu de longue date de convaincre l’ autorité municipale de prolonger le succès populaire du Musée par la mise en place de structures et d’ activités lui donnant de la chair, le contexte socio-politique du Conseil étant théoriquement favorable à l’ adoption de mesures participatives prises en charge par le Musée.

Les mesures proposées dans un plan quinquennal prévoyaient , entre autres, l’ institution d’ un réseau géré par des noyaux interactifs de populations formées aux expositions à l’ intérieur d’ un territoire d’ identité désigné comme le <>, enfin la création à l’ intérieur du musée pilote de Carrapateira d’ une instance consultative de gestion participative, le Comité de participation, et la création d’ un premier atelier de formation aux expositions, sous forme d’ une clinique de la mémoire.

La philosophie d’ action du musée ayant été réitérée lors de la présentation , à la Municipalité , de la première programmation
Incluant les prévisions budgétaires, l’ ensemble des propositions reçurent un aval compréhensif de la part des autorités, dont celui du Responsable de la Culture, ces décisions coincidant avec l’ annonce de l’ attribution d’ un prix du Tourisme Portugal 2008.

Les deux mécanismes de participation cités avaient fait l’ objet de documents énonçant les objectifs, la méthodologie de chacune des instances à expérimenter. Il fallait à présent convenir d’ une façon afin de les véhiculer auprès de l’ ensemble des populations concernées. La convocation d’ une Assemblée générale d’ information fut décidée. En plus de la présentation de la mission communautaire du Musée, deux points furent portés à l’ ordre du jour: Les participants au Comité de gestion et au 1er Atelier de formation aux expositions. Ceci peut apparaître comme tout à fait normal dans certains milieux familiers avec cette procédure, et dont la direction y est prepare.

Grâce à l’ instrumentation d’ un conseiller en action communautaire et une préparation minutieuse des details de fonctionnement en assemblées délibérantes, le grand jour eut lieu dans l’ après midi du dimanche le 18 janvier.

Une cinquantaine de personnes répondirent à l’ appel, serrés les uns contre les autres dans la Salle polyvalente du Musée, encadrés par les panneaux expositifs de la mission du Musée: Personnes de tout âge, de toute condition. Malgré certaines hésitations compréhensibles, les décisions furent prises concensuellement conformément à l’ ordre du jour proposé en évitant la lourdeur de procédures. Les premières rencontres de comités nous permettront de conclure de fçon plus conclusive sur l’ efficacité de l’ appareil mis en place.

Conseiller en muséologie communautaire, travaillant en étroite collaboration avec la Directrice et le Responsible de la Culture, le fait que je ne maîtrise pas la langue, fit en sorte que les rôles durent être inversés à certains momments obligeant ainsi à des ajustements de fonctionnement lors des étapes ultérieures.

Bolos, mogrono, thé, firent le reste, alors que certains s’ occupaient à se repartir les convocations au Comité et à l’ Atelier, une tâche toujours ardue compte tenu des disponibilités des uns et des autres. Si plusieurs membres de la communauté avouaient qu’ ils ne savaient lire, les langues suppléères abondamment à cette carrence.


Pierre (Mayrand)

16.1.09

Museu do Trabalho Michel Giacometti . Setúbal (Catálogo)


Dia Internacional dos museus, 18 de Maio, 2009
Actuação do grupo " Rodanças " - APPACDM




Telefone 265537880

15.1.09

L’ EXPOSITION ______________________ LA FACE DÉCHAÎNÉE DU MUSÉE


Pierre Mayrand, Altermuséologue, Québec, Canadá.
ACFAS, 2008
ULHT, Lisbonne, Pt



Quelque soit la précision des objectifs énoncés dans la mission du musée, les conntrôles établis afin que les actions du musée, notament l’exposition temporaire fabriquée in loco, répondent aux objectifs fixés par l’organisme, la réalité du processus expositionnel (mise en présence, présentation, représentation, représentaction ) est tellement complexe, compte tenu de sa durée et de la multiplicité des intervenants ( que ce soit l’exposition standard ou participative ), qu’il ne fait pas de doute qu’il s’opère une «distanciation» entre l’institution et les résultats obtenus, ceux-ci découlant d’une pensée toute puissante, poursuivant son propre chemin que nous qualifions de « déchaîné » (rompre la chaîne). Ceci est tout à fait salutaire, si l’on considère que la « représentificaction » , la réunion des trois phénomènes cités dans la thématique du colloque , fait de la mise en exposition un acte de création propre à sa vocation culturelle. Bien que la lourdeur des mécanismes de concertation, d’ajustement des intervenants, ralatentissent l’efficacité de l’embrayage poussé à fond afin de se conformer aux échéances, il n’en reste pas moins que dans l’exposition standard, comme dans l’exposition participative, la réunion d’un grand nombre d’intervenants autour du projet, associés par voie de concours ou par simple désir de coopération, fait l’effet d’un broyeur ou d’un extracteur d’idées-formes-relations à l’espace, tirant de l’idée originale (le projet) un mélange riche en saveurs, apprécié par soi-même ( le fabriquant) comme par le visiteur , le principal intéressé à en apprécier la teneur.

Le phénomène de transposition de l’idée, à l’origine du projet, encore toute proche de la mission du musée, en une quête d’autonomie basée sur le concensus continu d’expériences diversifiées, de la recherche par les acteurs d’une CRÉATION qui puisse se détacher de la présence de l’institution pour prendre vie dans la perception active du visiteur, y introduisant son propre imaginaire (la suite de la présentificaction déchaînée ), nous oblige à prendre une distance entre la vision simplificatrice du rapport symétrique entre la représentation, la présentation et la présence, des vues de l’esprit peu compatibles avec la rálité asymétrique du processus de fabrication d’une exposition, de ses intentions.

Cette liberté que prend l’exposition à travers ses médiateurs, puis, obligatoirement, à travers le regard transformateur du visiteur, est comparable à l’appel, par Jacques Hainard (Objets prétextes, manipulés ) à la confrontation entre le créateur et l’objet se voulant obstinément le maître du terrain. La métaphore donne bien le ton de l’analogie entre deux combats sur le terrain institutionnel: Soit celui mené contre la domination traditionnelle de l’objet pour lui-même, et celui que nous évoquons dans notre argumentation de la « désinstitutionalisation » du processus expositionnel contemporain . Force est de convenir que la très grande majorité des publics s’intéressent peu à la mission du musée, quand ils ne l’ignorent pas totalement. On va au musée X pour voir l’exposition Y, Z qui nous a été offerte par la publicité. Seule la fidélisation, privilège de quelques uns en situation de relation proximale, pourrait satisfaire entièrement l’égo institutionnel, lui donnant l’ illusion de la permanence d’un produit entièrement contrôlé, tellement les représentations sont enrobées dans les sinuosités de la symbolique, ce vecteur de l’imaginaire collectif qui, une fois libéré par l’action collectivisée, commence à agir en toute indépendance sur le milieu culturel et social.

Nous illustrerons notre propos par un exemple emprunté au Portugal: L’exposition thématique permanente « La mer, notre terre », au Musée de la Mer et de la Terre de Carapateira, un musée à orientation communautaire sous tutelle municipale.


LE CAS

La recherche entreprise, il y a dix ans, pour dégager le potentiel ethno-culturel d’une population, en Algarve, traditionnellement vouée aux travaux de la terre et de la mer, dans une zone protégée, le Parc Vicentin faisant face, de l’autre côté de l’ Océan, à la Péninsule de Gaspé , conduit au projet d’un musée participatif articulé autour de la cueillette d’objets témoins des usages quotidiens. Le noyau fondateur, constitué par la muséologue sensibilisée à la muséologie sociale et la réunion des donateurs, se donne la mission implicite d’un musée “vivant”, une prise de position vicérale partagée par les autorités municipales, issues de la gauche populiste.

Une fois les travaux de construction d’un édifice destiné à recevoir le programme muséologique entré dans la phase muséologique proprement dite, les chercheurs (anthropologues, historiens) faisant place aux professionnels et techniciens de l’exposition, utilisant le bassin local d’expertises à être formées à une muséologie populaire de la nouvelle génération, au Portugal, caractérisée par une muséographie réceptive aux modèles de représentation et de scénarisation thématique, tout ce monde se penche sur le petit univers (Microcosme) auquel il doit donner forme, contenu et orientation . En plein processus de présentaction une étude stratégique vient préciser la mission et les objectifs de l’organisme, apportant des corrections, articulant plus efficacement la thématisation sur le programme d’animation populaire: L’énoncé de mission, esquissé à la base, se mêle intimement aux techniques d’animation, à la sensibilisation des autorités municipales aux objectifs recherchés.

Un colloque sur le rapport musées locaux et autarquies cherche à metre en évidence la nécessité d’un accord entre les musées et les tutelles sur une autonomie mesurée du musée vis-à -vis de la tutelle, à la fois dans la gestion courante que dans les processus d’animation et de réalisation de l’exposition. Les autorités, peu soucieuses, au préalable , de contrôler le contenu expositionnel, plus enclins à s’intéresser au bâti et aux équipements urbains d’accompagnement , mis devant les faits accomplis, réalisant enfin, devant les témoignages d’éloges, le bien fondé d’orientations qui leur étaient peu familières (Les cinq autres musées municipaux du Conseil étant faits sur le modèle traditionnel ), s’empressent d’acourir, au plus haut niveau, pour comprendre l’engouement de la population, pressée d’investir LEUR musée.

Comme on peut le comprendre, ici aussi, le phénomène de distanciation joue de façon significative, bien que dans un contexte de relations proximales entre la population, l’autorité , le musée, qui entraîne une dynamique de positionnements mutuels, à l’intérieur de laquelle la présentation gagne en dialectique: Une stratégie du compromis négocié dans un esprit de liberté où l’exposition , plus que l’institution , malgré sa propagande, fait figure de proue. L’esprit de liberté naturelle des gens de mer et de terre, les associés du musée territoire, jeunes et anciens, ayant vécu la révolution socio-culturelle du 25 Avril , ne pouvait que militer en faveur d’un partage du pouvoir, le musée devenant un outil de prise de conscience des passages que vit une population: Une mission qui remonte vers l’institution à travers une muséographie évolutive porteur de représentactions déchaînées du changement social. Cette ascension à rebours d’une muséologie agissante, pensante, organique (population-environnement), ne pouvait que séduire, une fois estompé le syndrome de la prudence bureaucratique, les acteurs municipaux issus du peuple.


FIN DE RÉFLEXION SUR UNE DIALECTIQUE Mai 2008

11.1.09

Museu do Mar, na Carrapateira


O Museu do Mar e da Terra da Carrapateira, situado na aldeia que lhe dá o nome, no concelho de Aljezur, foi concebido e realizado conjuntamente com a autarquia, a população, investigadores, museólogos e outros profissionais.
O objectivo é colocar a museologia contemporânea ao serviço da promoção de uma região, a Costa Vicentina, do seu património natural e cultural.





Quem vem de Aljezur por aquela estrada serpenteada que atravessa essa serra prestes a confrontar-se com o mar, encontra primeiro a Bordeira incrustada nesse sucalco de feição iminentemente rural e quase a não deixar que a aldeia se confronte directamente com o mar.
Se continuar na mesma direcção e com novas curvas pelo caminho, começa, ao longe, a ver a Carrapateira que, lá do alto da sua colina, parece funcionar como uma espécie de sentinela, sempre em estado de alerta, diante da vastidão daquele mar.

É do cimo dessa encosta, para que a contemplação seja melhor sobre a aldeia, sobre o campo e sobre o mar, que o museu se decidiu edificar. E, por isso, logo de longe se começa a ver porque também ele foi concebido para espreitar a estrada quando esta começa a entrar na Carrapateira. Sorte diferente tem quem vem dos lados de Sagres. Sem qualquer ângulo de visão, ter-se-á de perguntar, já dentro da Carrapateira, onde é o museu da terra e do mar. E depois da estrada contornar a aldeia, ainda antes de sair, ter-se-á de subir aquela íngreme encosta até, praticamente, atingir o topo da Carrapateira e entrar naquele museu que faz questão de nos oferecer um amplo campo de visão em que a praia também não poderia faltar.



Num percurso que utilizou os dois itinerários, fomos ao encontro do museu da Carrapateira no dia da sua inauguração. O sol fazia-se sentir e, naquelas paragens sossegadas era difícil imaginar que se estava no dia do trabalhador. Muitos eram os que, depois do esforço daquela subida, faziam questão de descansar antes de lá entrar. Após esse compasso de espera, com alguma decisão penetravam no seu interior constituindo uma pequena multidão que ia percorrendo e admirando tudo o que por lá se encontrava. Mas, primeiro, teve-se que assistir à cerimónia oficial que, com palavras a preceito, quis abrir aquele espaço que pretende retratar a vida que, ao longo dos anos, deu corpo áquela povoação a viver em estreita ligação entre o campo e o mar. Por isso, como aquele espaço museológico quer retratar a vida de uma comunidade como a da Carrapateira, teria de se debruçar sobre a terra e o mar. Embora, à partida, a componente etnográfica fosse de privilegiar, ainda é algo deficitária e a exigir um dinamismo maior na recuperação e reconstituição de muitos pedaços da história de vida daquela povoação. Mas, em compensação, um conjunto colorido, em que a fotografia sobressai, vem dar áquele museu a alegria e a vitalidade de uma vida que se construiu com a terra e o mar por pano de fundo. E, por isso, a par de quadros de vida da labuta diária, a paisagem rural e marinha, patente nesses quadros coloridos, acaba por deslumbrar e por nos revelar recantos e pormenores difíceis de imaginar. É assim a costa vicentina com as gentes que a habitaram e que a continuam a enriquecer com a sua vida diária nessa relação entre o homem e a natureza que é factor de valorização. Esse enriquecimento tem acontecido e continua a acontecer nesses lugares onde o tempo praticamente parou mas, em contrapartida, onde ainda muito pouco se adulterou. E é nestes espaços do interior do Algarve onde a natureza ainda se respira e o homem pode viver nessa relação de amizade e de respeito com o seu habitat que estes espaços começam a emergir como expressão de uma vivência que, mesmo nos dias de hoje, continua a ter a sua razão de ser.Quanto ao espaço em si, com dificuldades de acesso para quem sente dificuldade em subir, apresenta-se como uma varanda sobre a terra e o mar dando expressão e todo o sentido à designação do próprio museu. No seu interior, o itinerário, com vários planos, vai-nos levando a contactar, mais à base da imagem, com parte da sua fauna e da sua flora. Também alguns dos seus usos e costumes se podem admirar com o intuito de dar a conhecer as tradições que fazem parte de povoações como a Carrapateira. No desenho desse percurso, chega-se ao fim com uma imagem do que é a vida, não de uma aldeia perdida, mas de pedaços de enredos de um Portugal dotado de uma beleza invulgar e que é urgente recuperar. E esta recuperação da vida, múltipla e facetada, que atravessa este parque natural da costa vicentina teria que passar por valores que viessem valorizar as suas gentes, os seus costumes, as suas tradições e, sobretudo, o continuar da sua relação com a terra e o mar. Mas para que este património natural se continue a preservar é fundamental que haja incentivos, que a qualidade de vida dos seus naturais seja uma realidade e que se constitua um conjunto de motivações para que as populações, mesmo as suas camadas mais jovens, sejam convidadas a ficar, a continuar, com novas formas e outros olhares, a vida dos seus antecessores. E como o conhecimento, a auto-estima, a recuperação e a interpretação da nossa memória é a melhor motivação, estes pólos museológicos, em sentido dinâmico e interactivo, são a melhor forma de incentivar, de divulgar e de valorizar estes espaços. É por isso que o museu da terra e do mar da Carrapateira, mais do que um museu pontual na Costa Vicentina, deveria fazer parte de uma rede a criar ao longo deste espaço natural como elemento de valorização, de enriquecimento e da divulgação de um património de uma riqueza que já não se começa a ver. Mas na falta dessa rede, o da Carrapateira constituiu um passo e, quem sabe, uma ambição e um “elan” para essa rede ou, então, para iniciativas do género.



in " Correio de Lagos "
Foto por João Mariano

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MINI MINUIT EXPRESS
Pierre (Mayrand)



Bien chers amis(es), camarades et correspondants,


(...) Je fais un flash back sur les sujets abordés dans mes Express, m’ interrogeant sur leurs motivations, leur ton, leur portée possible: Praxis, utopie, idéologie, évocations de lions et de loups, apologie de l’ impertinence, questionnements sur le social, la véritable nature du mouvement, chroniques choses lues ou entendues, de personnes côtoyées, d’ expériences de travail … Sur ce dernier sujet figure la magnifique aventure de Carrapateira dont je n’ arrive pas à trouver les qualificatifs appropriés tellement elle est surprenante, ennivrante, obsessive: La nouvelle muséologie sociale à l’ état pur, comme je ne l’ avais pas expérimentée depuis la Haute-Beauce, plus disciplinée, intégrant les meilleurs apports de cette muséologie dans le monde, les convertissant en une amorce de prototype d’ une nouvelle génération. Ces derniers jours encore, ma compagne et moi-même éprouvions le bonheur de voir reconnaître sans réserves nos propositions sur les instances participatives, sur la dénomination territoriale, sur le programme de formation populaire: Le Croissant Fertile, la Commission participative, la clinique de mémoire, avec le concours massif des populations, fruits de la conjugaison de la muséologue fondatrice, d’ apports externes, de la conscience politique des autorités, de l’ esprit communautaire et coopératif fortement enraciné dans une population de pêcheurs et de petits agriculteurs. Au risque de paraître prétentieux, j’ affirme que le succès d’ une telle entreprise d’ innovation synthèse vient de la concoction de trois facteurs: Le cran des acteurs, l’ association des pratiques à une idéologie réfléchie, le contexte de connivence politique à tous les niveaux de l’ action, faisant en sorte qu’ il est possible d’ affirmer qu’ il a encore de la place, dans le contexte actuel, moyennant une stratégie et des méthodes adéquates, pour la muséologie participative, ses príncipes d’ entr’aide, pavant le terrain pour des prises de parole élevant le local au niveau d’ un dialogue mondial.



Le voile du silence levé,
Odalice, Hugues …

À VOUS LA PAROLE.





9.1.09

Dialécticas Museo(lógicas)



















Subject: RE: dialectica. Uma nuance ...


Date: Fri, 9 Jan 2009 22:31:24





Caríssimo Pierre



Saravá ilustre amigo, concordo. Concordo contigo, mas acho que o mais importante é suscitar a reacção, o espanto, a vontade. Por muito nobres que se nos afigurem as causas, nada muda se for imposto. As pessoas (julgo eu) têm que acreditar que podem contribuir para a mudança. Têm que se sentir comprometidas, ganhar confiança, crescer com o problema e ganhar coragem (audácia) para intervir na mudança. Este processo é sempre uma construção. São processos lentos de identificação ... mas, subitamente, dependendo das lideranças e das circunstâncias, do nível consciência individual e colectiva, dão saltos que nos ultrapassam. Saltos qualitativos de que, por vezes, nem nos apercebemos por estarmos tão perto dos problemas e, simultaneamente, tão viciados nas soluções. O que me parece importante é a persistência no terreno. O importante é criar laços e hábitos de pensar livremente. Rotinas de discussão. Esse é o campo onde germina a mudança. A convicção de que é possível mudar. Manter acesa a chama ... deixar fluir o pensamento. Eis a dialéctica ... museo(lógica) do conhecimento.








(e ... sim, Gaza é o espelho da indiferença a " banalidade do mal " proclamada por Hannah Arendt aos nossos olhos. Um crime horrendo. Uma guerra assimétrica)







Musealogando ...






iv (isabel Victor)





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Caríssimo Raul,

Gracias por recordar nos los princípios sacrados de la nueva museologia , esso es de la museologia SOCIAL, que sia communitaria, de citadania, revolucionaria, altermondialista, siempre critica, contestaria, impertinente, confrontational, siempre libre que se puede contemplar en los ojos que son en tu mirada. La dialéctica que surge de la paxis del trinomo pueblo-sus raises ( cultura y medioambiente ) es lo que falta mas el el marco del statismo de la formula populacion-territorio-patrimonio quando non se resolve por la equacion +++=ACCION POR UN CAMBIO QUALITATIVO, implementando la construccion de las memorias por un futuro, entonce la refutacion de todo lo que es recibido, transmitido indiscrinamente, el gusto de la memoria por la memoria siendo fútil. Adelante ! Muchos van a fulminar adelante estas asertiones como cada dia fulminamos a la vista de los horrores en Gaza enfrentados por la consciencia falsificada de la consciência de la communidad international. Saria el tema de una exposition fracassante de parte de los adherentes mas radicales de <> movimiento, dando la prueba del corage de algunos.





Pierre (Mayrand)

7.1.09

X Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais, Braga de 4 a 7 Fevereiro

http://www.xconglab.ics.uminho.pt/






O CONGRESSO LUSO-AFRO-BRASILEIRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS é um encontro bienal que reúne cientistas sociais dos países de língua oficial portuguesa (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tome e Príncipe e Timor Leste).


Desde a sua primeira edição, em 1990, que o CONGRESSO LUSO-AFRO-BRASILEIRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS tem promovido o desenvolvimento de uma comunidade de cientistas sociais de língua portuguesa. O repto lançado por Boaventura de Sousa Santos em Coimbra, por altura do I congresso, dirigia-se explicitamente à questão da interdisciplinaridade e sublinhava a estreita relação entre as ciências sociais e a democracia. Organizado pelo Centro de Estudos Sociais (CES) e subordinado ao tema “Saber e Imaginar o Social. Desafios às Ciências Sociais em Língua Portuguesa”, o Congresso reuniu alguns dos mais proeminentes cientistas sociais de Portugal, do Brasil e dos países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP). Em resposta aos objectivos fundadores deste projecto, em cada biénio vêm-se estreitando os laços multilaterais e ampliando as redes e mecanismos de cooperação científica entre investigadores e instituições destes países.


Em 1992, coube ao Departamento de Sociologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo organizar o II CONGRESSO LUSO-AFRO-BRASILEIRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS. Nessa ocasião, as grandes linhas de discussão giraram em torno das consequências e desafios da modernidade nas sociedades semiperiféricas do espaço luso-afro-brasileiro. O programa deste Congresso teve a particularidade de oferecer três cursos: africanidade, cultura brasileira e cultura portuguesa.


Em 1994, o III CONGRESSO LUSO-AFRO-BRASILEIRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS debateu o fenómeno da multiculturalidade e foi organizado pelo Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa. Subordinado ao tema “Dinâmicas Culturais: novas faces, outros olhares”, o Congresso centrou-se nos novos desafios criados pelas sociedades multiculturais e no papel das ciências sociais no estudo das relações daí emergentes.


Em 1996, o IV CONGRESSO LUSO-AFRO-BRASILEIRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS debateu o tema “Territórios da Língua Portuguesa – Culturas, Sociedades e Políticas no Mundo Contemporâneo” e a sua organização esteve a cargo do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IFCS-UFRJ). Neste Congresso foi discutida a criação da «Associação Luso-Afro-Brasileira de Ciências Sociais», que seria encarregada da organização dos congressos futuros, de um intercâmbio mais sistemático entre os interessados e da publicação de uma revista.


Em 1998, teve lugar o V CONGRESSO LUSO-AFRO-BRASILEIRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS, o primeiro realizado em África. Foi organizado pela Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo, Moçambique e abarcou um leque variado de temas-base: Segurança das Sociedades, Novas Democracias, Artes e Sociedades, Populações e Territórios e Oceano Índico. Decidiu-se constituir a Associação de Ciências Sociais e Humanas em Língua Portuguesa (ACSHELP) e o lançamento de uma publicação própria, a revista Travessias, apresentada como a revista da Associação de Ciências Sociais e Humanas em Língua Portuguesa.


Em 2000, o VI CONGRESSO LUSO-AFRO-BRASILEIRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS foi subordinado ao tema “As Ciências Sociais nos espaços de língua portuguesa: balanços e desafios” e a sua organização esteve a cargo do Centro Leonardo Coimbra da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.


Em 2002, o VII CONGRESSO LUSO-AFRO-BRASILEIRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS realizou-se uma vez mais no Rio de Janeiro. Ao definir como tema dominante “As Linguagens da Lusofonia”, a organização procurou problematizar essa noção da língua partilhada, ao abordar a questão da diversidade das comunidades falantes da língua portuguesa. A organização do Congresso esteve a cargo do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ)/Universidade Cândido Mendes.


Em 2004, o VIII CONGRESSO LUSO-AFRO-BRASILEIRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS realizou-se de novo em Coimbra com o título "A questão social no novo milénio", um tema que, presente desde a revolução insdustrial, vem sendo objecto de debate no vasto leque das ciências sociais seja no sentido da manutenção de mecanismos de integração social, seja no âmbito de processos de reivindicação por parte de sindicatos e movimentos sociais em vista de uma sociedade mais justa e solidária. Estas temáticas, no quadro da relação Norte-Sul, exigem da parte das ciências sociais maiores responsabilidades na análise e reflexão sobre as consequências da actual globalização económica.


Em 2006, o IX CONGRESSO LUSO-AFRO-BRASILEIRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS realizou-se desta feita em Luanda. O tema deste congresso, “Dinâmicas, mudanças e desenvolvimento no século XXI”, refere situações com que se defrontam as sociedades modernas, pelo que as sugestões dos painéis apresentados respondem a preocupações que parecem comuns a todos os países participantes e possibilitam, ao mesmo tempo, expressões diferenciadas de comunicações individualizando identidades e idiossincrasias societais/nacionais.
Para além dos encontros bienais, o impacto dos congressos tem-se traduzido no aumento das iniciativas de apoio à cooperação entre instituições e cientistas sociais dos países de língua oficial portuguesa. Os diversos programas de intercâmbio, activados nos últimos anos, têm envolvido diversas instituições prestigiadas nas ciências sociais. A título de exemplo refira-se a Bolsa Luso-Afro-Brasileira, atribuída desde 1994 por períodos de um ano, pelo ICS, que visa promover o debate científico e a participação em conferências e seminários no âmbito do Programa de Pós-Graduação; em 2001, foi criada a Bolsa Um Mês no CES, para estimular o intercâmbio com outras instituições e destinada especialmente a professores universitários e investigadores dos países de língua oficial portuguesa e o Prémio CES, que desde 1999, vem sendo atribuído bienalmente a trabalhos de investigação em ciências sociais realizados por jovens investigadores de expressão portuguesa, tendo distinguido até à data cientistas sociais de diferentes origens. Além disso, em Agosto de 2003, foi criada uma cátedra de ciências sociais entre o ISCTE e a Universidade Estadual de Campinas, no Brasil (Unicamp). De igual modo, nos últimos anos foram realizados diversos projectos de envergadura sediados no CES – em particular na área da justiça – sobre países de expressão oficial portuguesa, nomeadamente Angola e Moçambique (que incluem protocolos com várias Universidades e centros de pesquisa).
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