4.11.10

MUSEUS EM REDE . LINHAS DE UNIÃO

Boletim da Rede Portuguesa de Museus
RPM N.º 37(excerto do Editorial)
Outubro 2010

A atenção permanente ao carácter processual da Museologia, a caixa negra que regista todas as operações e opções do fazer museológico, dá-nos a verdadeira dimensão do que somos, do que fazemos e dos valores que conduzem a nossa acção enquanto profissionais e/ou actores de uma Museologia orientada para a cidadania. Vivem-se tempos difíceis e os museus não podem ficar fora da rede de solidariedades que a própria noção de património inspira e comporta na contemporaneidade. Em nosso entender, a qualidade em museus é sobretudo, e acima de tudo, participação, estudo e inovação. Os museus, elevando a qualidade dos serviços e a adequação às necessidades efectivas dos seus públicos (utilizadores), contribuem para qualificar a procura e reforçar os elos que dão corpo à ideia de rede, na sua dimensão mais ampla, versátil e inclusiva. Uma rede que se abre às universidades e aos jovens investigadores, colocando os museus no centro das grandes linhas de investigação, como importante interface de disseminação do conhecimento. Uma rede socialmente activa em prol da inclusão, que permuta serviços com ONG`s, associações de desenvolvimento local, associações de imigrantes, associações de deficientes, entre outras, nomeadamente organismos nacionais e internacionais que pugnam pelos direitos humanos e pela consistente ideia de que património, em lato sensu, são as pessoas, as suas memórias e identidades.
A reflexão dos profissionais de museus,  reunida nas conclusões dos grupos de trabalho organizados aquando do "Encontro RPM 10 anos", aponta inequivocamente para a necessidade de reforçar e alargar as redes inter-museus e as sinergias no terreno configuradas numa “geometria variável em permanente construção". A criação de núcleos de apoio a museus, a programação em rede e o incremento das redes regionais serão as grandes metas para os próximos anos. Os eixos da formação e da credenciação terão, para tal, que se apoiar nas ferramentas da Gestão da Qualidade que permitirão melhorar continuamente o trabalho a desenvolver numa lógica organizacional contemporânea. A Qualidade em Museus não é hoje um mero artifício de Gestão, mas uma mudança cultural, uma outra forma de entender os museus como organizações socialmente responsáveis, implicadas no desenvolvimento e em processos de melhoria contínua que visam a busca de melhores resultados com menores custos. Os “museus para todos” implicam uma atitude pró-activa em prol das acessibilidades nas suas dimensões físicas, psicológicas, intelectuais, geracionais e identitárias.
O excelente artigo de Margherita Sani, "Rede Portuguesa de Museus: uma visão exterior", coloca-nos questões pertinentes, inquietantes..., sobre as quais deveremos reflectir seriamente. Partilhamos em absoluto da sua visão e procuraremos adoptar as suas recomendações relativamente à progressiva adopção de sistemas integrados de Gestão da Qualidade, segundo o modelo EFQM (European Foundation Quality Model), usado por organizações e serviços em toda a Europa, com resultados comprovados para os cidadãos.
Relembro aqui, chamando à boca de cena, a definição de rede evocada por Margherita Sani: «Uma rede é um ambiente não dirigido, não hierarquizado e aberto, no qual um grupo de indivíduos e/ou organizações, partilhando objectivos e valores comuns, criam um sistema de comunicação contínua para efeitos de encontro, troca de ideias e colaboração.» e a sua conclusão lógica: «A mais importante actividade de uma rede é… trabalhar em rede… um processo e não um produto…».

Isabel Victor
Departamento de Museus / IMC

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