27.10.08







Preservando a cultura dos “ciganos dos rios”

A capital ribatejana foi o local escolhido para a realização do 1º Encontro Nacional da Cultura Avieira, que está agendado para o dia 9 de Novembro.
Esta é mais uma iniciativa que se insere na candidatura da cultura avieira a património nacional, um projecto a ser dinamizado pelo Instituto Politécnico de Santarém/Escola Superior de Educação de Santarém, pela AIDIA - Associação Independente para o Desenvolvimento Integrado de Alpiarça e pela ANMPN - Associação Náutica da Marina do Parque das Nações. www.a-plataforma.net/home/index.php?option=co...

A estas instituições juntam-se o Instituto Politécnico de Tomar, a Associação dos Arquitectos semFronteiras de Portugal, as autarquias da Comunidade Urbana da Lezíria do Tejo, Vila Franca de Xira, Grândola e Alcácer do Sal, Universidade de Aveiro, empresas privadas, num total de 83 pessoas e instituições de todo o país (24 pessoas em nome individual e 59 instituições).
Já foi entregue uma candidatura ao QREN na CCDR no Alentejo para angariar fundos para o desenvolvimento do projecto e existe a intenção de que seja entregue outra para obter fundos que possam financiar a recuperação de património avieiro.

O projecto prevê ainda a promoção do turismo fluvial com passeios e a criação de rotas, assim como de novos ancoradouros que permitam a mobilidade. João Serrano, presidente da AIDIA, garante que está aberta a possibilidade do próprio Ministro da Cultura se envolver e ser promotor desta candidatura.

As aldeias avieiras “Avieiros” é nome dado ao grupo de pescadores naturais da Vieira de Leiria (alguns também de Aveiro) e que, desde o início do séc. XX até aos anos 60, começaram a chegar às margens do Rio Tejo e do rio Sado sobretudo durante o Inverno, em busca de melhores condições parapescar. Inicialmente rejeitados pelos naturais destas regiões ribeirinhas, os avieiros viam-se obrigados a viver dentro nos seus próprios barcos durante o período que passavam por estes rios acima. Pouco a pouco foram-se integrando na região e fazendo alguns trabalhos agrícolas, sobretudo nas culturassazonais de Verão do Ribatejo como o milho e tomate. Naquela altura começaram a passar boa parte do ano fora de casa e por isso foram apelidados de “ciganos do rio”.
Estar ausente do domicílio por períodos tão dilatados fez com que estes semi-nómadas, que protagonizaram o último grande movimento migratório do séc. XX em Portugal, tivessem que começar a construir pequenas habitações de madeira junto ao rio, maioritariamente sobre palafitas para escapar às cheias. É a estes grupos de casas que se dá o nome de aldeias avieiras. Hoje ainda existem 14, espalhadas por 10 concelhos ribeirinhos do Tejo e por mais dois no Sado (Grândola e Alcácer do Sal). Sobre este povo de nómadas do rio há vários textos e livros escritos mas o melhor mesmo é ler o escritor Alves Redol que de forma sublime retratou esta comunidade no seulivro “Avieiros”. Pode também passar pela reconstruída aldeia avieira do Escaroupim em Salvaterra de Magos, onde tem parque de campismo disponível e uma casa-museu onde pode ficar a conhecer por dentro como eram as suas casas e como viviam estes “ciganos do rio”.


João Batista/ O Ribatejo

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