10.12.14

Museus e Economia Criativa, pré-texto.
Tópicos para reflexão



Museu da Chapelaria, S. João da Madeira, 21 de Novembro. 
IV Jornadas de Museologia

Isabel Victor 


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Foram mil e uma histórias,  mil e uma noites a contar contos que salvaram a bela Sherazade do maldito destino. Instruída nas artes e nas ciências, a astuta narradora, usou o seu repertório de contos e a sua extraordinária criatividade, para perpetuar a vida. Enredou o tempo em novelos de contos, suspendeu cada dia no fio de outro dia, cada noite no fio de outra noite e foram mil e uma noites e outros tantos dias a inventar amanhãs. Sherazade iludiu a morte; foi tão persistente o seu querer, tão potente a fantasia, tão grande sedução, que ainda hoje se conta esta história e soa sempre a novidade. Os museus podiam fazer ( ser ) como a sherazade, contar e recontar para nunca mais morrer. Contos de encantar com gente dentro.



A consciência de finitude e o peso do passado criou a vontade de museu mas é a vontade de futuro que lhe confere sustentabilidade ( Vida . Vontade de viver . Novidade ).  Todos sabemos  que perpetuar a vida dos objectos é uma forma de  enganar a morte ,  de se perpetuar, todavia o que mantém preso o olhar e cativos os sentidos, são as histórias. A infinita capacidade de imaginar futuros e de os contar é que cria a ilusão de viver.
Tudo o que existe já foi algum dia sonhado e tudo começou por um arrebatamento, por bom punhado de histórias.
Esta bela história é a metáfora do poder e encanto dos museus. Desta enigmática história não falaremos mais mas sabemos que muito do que nos transcende e inspira se deve a Sherazade e às suas sucessoras.



Estar no centro das “estórias”,  significa estar sintonizado, protagonizar e ser capaz de estabelecer conexões (de criar interesse e de se tornar interessante ) . 

Significa ter presença, ganhar relevância. Tornar-se desejado. 
Todas as pessoas contam, todas gostam de contar. 
Os museus ganham em escutar o que as pessoas contam. Têm aí a matéria - prima com que se se constroiem as narrativas e se criam ligações.





Três áreas-chave ( tendências dos museus do futuro):
   
Experiência ( as vivencias subjectivas )
Conexão ( a perspectiva do utilizador  )      
Presença ( a permanência )


O Museu na óptica do utilizador:


Museu Multi-Artes ( não só exibidor mas também criador ), Fórum e Polo de influência ( influenciar politicas públicas, tocar direitos fundamentais de justiça e inclusão social ) 

Programação constante ( Hábitos)







Criar valor ( valor para as pessoas ) é um valor do museu ?




Algumas perguntas:

Fala-se de criatividade mas onde é que estão os artistas, os criativos / os criadores, nos museus? Qual o seu lugar ? Qual o seu papel ?
Existe efectivamente mediação artistica ? 

Os artistas vivem pendurados  nas paredes ( e apenas pendurados nas paredes ) ou estão presentes a criar e a derrubar paredes ?


Como é administrada a Memória ?


Qual o retorno desse potencial ?


Três pilares do museu ( enquanto instituição )

Marca
Técnica
Estrutura


A este propósito, Lucimara Letelier, Directora Assistente de Artes do British Council, no Seminário Museus e Cidades Criativas - Inovação, Conexões e Cultura, que teve lugar no Rio de Janeiro em Maio de 2012,  promovido pela Superintendência de Museus da Secretaria de Estado do Rio de Janeiro (SEC) , afirmou a importância de conjugar três tendências – experiência, conexão, presença. Propõe abrir um grande debate sobre o foco dos museus face às pessoas e à comunicação. Um debate sério sobre a necessidade de rever a forma como os museus marcam, dialogam, influenciam aspectos fundamentais da vida e dos direitos das pessoas.

O Brasil tem vindo a amadurecer , a debater de forma intensa estas questões da criatividade, ligadas à governança das cidades, a Cultura, a Arte e os Museus.
Um exemplo recente, que contactámos de perto, extraordinariamente vivo - o Circuito Cultural Praça da Liberdade , em Belo Horizonte, Brasil é uma forma articulada e inovadora de governança cultural e de rede activa.

Ana Carla Fonseca Reis, tem reflectido sobre estas transformações/ inovações, sobre estas formas criativas de governança  das cidades e o papel fundamental dos museus, desde o renascimento , desde as Academias de Artes e ofícios, desde a esfera dos produtores até às vanguardas  do nosso tempo, processos de mediação e criação de valor.


http://circuitoculturalliberdade.com.br/plus/


O museus que definitivamente recusaram ser simples administradores de casas e coisas, contentores de luxo ( que expandiram a cultura ) e se deram ao luxo das histórias com gente dentro, nem sabem o poder que têm ! Multiplicaram infinitamente os argumentos.

Museus alcoviteiros, museus "falados" em cada esquina. Museus que se metem na vida das pessoas porque são as pessoas que lhe dão vida. Museus que apetece espreitar mesmo sem entrar. Museus  onde se sente a pulsação. 
Imaginar museus assim, com vontade própria e respiração, será magicar ? 


Muitos museus do futuro , muitos museus do amanhã já foram imaginados ( ouvi falar de um "museu do amanhã" 
http://portomaravilha.com.br/web/esq/projEspMusAmanha.aspx  ) no Rio de Janeiro, conhecem ? )  , ou estão hoje a ser imaginados para dar abrigo às maiores ousadias da criatividade humana. 



O físico espanhol Jorge Wagensberg, que criou e dirigiu o Museu de Ciência de Barcelona, conhecido por transformar a abordagem museológica em ciência, afirmou numa palestra no ICOM:

A tecnologia caduca muito rapidamente. As boas ideias, por outro lado, não caducam jamais. É nisso que os museólogos nunca devem economizar: as boas ideias para explicar boas histórias com inteligência e beleza! Um bom museu não se constrói como se faria um livro ou um filme, quer dizer, começando pelo índice. Um bom museu, insisto, se constrói-se a partir de um punhado de ideias brilhantes.
Para ele, as instituições museológicas tornam-se mais atraentes usando apenas “inteligência e beleza, e não sequestrando os típicos falsos estímulos do show business ou do best-seller”.
Um estímulo é bom simplesmente quando incita a continuar na aquisição de conhecimento. Os que se esgotam em si mesmos são outra coisa, talvez pornografia?O que faz um bom museu é contar boas histórias usando a realidade em vez de imagens e palavras

 Wagensberg resume assim o que, para ele, é de facto o museu do século XXI:Um museu é hoje um valiosíssimo instrumento de troca social que se mede pela forma como ele muda a vida das pessoas. Um visitante tem que sair do museu com “fome”, ou seja, com mais perguntas do que tinha ao entrar.



Tecnologia espampanante não significa inovação. A tecnologia é um meio, um auxiliar, não um fim. A sofisticação está no pensamento, na complexa engenharia social, nas conexões que o museu estabelece. A complexidade de redes, os nós e os pontos de energia, ditam a governança, as relações vivas com a cidade, do bairro, as comunidades e as suas lideranças. Um processo , nunca um fim.
Este desenho mental, esta geometria relacional, fundada na confiança, em sucessivas aproximações, é a mais avançada das operações museológicas. A “expedição São Paulo” , como estratégia patrimonial de (re)conhecimento do território, de que nos fala apaixonadamente, Cristina de Oliveira Bruno, é disto expressivo exemplo. Leituras multiperspectivadas ( multindidualizadas ) . 

Estar no centro das “estórias”,  significa estar sintonizado e ser capaz de estabelecer conexões (de criar interesse e de se tornar interessante ) . Significa ter presença, atutude, ganhar relevância na vida das pessoas. Para que tal aconteça os museus terão que mudar radicalmento o foco da comunição e a sua forma de se relacionar com as pessoas ( os cidadãos-clientes ). 

O pensamento do antropólogo italiano Mássimo Canevacci, de extrema acuidade para a relexão que estamos a fazer, estrutura-se em torno da interseção de quatro grandes quadros conceptuais: 
a auto-representação, ligada aos métodos etnográficos descentrados; a ubiquidade, alicerçada na ideia de um policentrismo flexível, em substituição à noção de um centro histórico único e politicamente definido; o fetichismo visual, relacionado com o rompimento do dualismo clássico; e a teoria crítica e experimental, baseada nas novas leituras da obra de Theodor Adorno.

O pensamento de Massimo Canevacci  incita a olhar para o novo mundo das tecnologias digitais com novas lentes. 
Para dar conta dessa realidade emergente, o antropólogo italiano propõe novos conceitos — entre eles o de "ubiquidade","multivíduo" e "autorrepresentação" .

""Antes, na antropologia, "o outro" era a cultura indígena. Mas, hoje, falo com índios Bororo ou Xavante [povos indígenas estudados por Canevacci], que estão no Mato Grosso, pelo Skype ou pelo site Aldeia Digital. Eles conversam em português, às vezes em espanhol, mas continuam a falar bororo ou xavante, e utilizam a mesma tecnologia digital que eu...
Na metrópole comunicacional, cada pessoa configura um "outro", não na forma de uma alteridade radical, mas de pequenas diferenças. Se, no passado, prevalecia o conceito de homologação, no qual todo mundo seguia um padrão determinado pela estrutura econômica e política, atualmente o grande desafio da comunicação e da etnografia é penetrar em cada uma dessas diferenças — diferenças que configuram tipos específicos de alteridade e, juntas, formam um patchwork, uma dimensão sincrética glocal que varia no espaço e no tempo."" 


Segundo Cavacci, ""A cultura digital modifica a "divisão comunicacional do trabalho" (expressão inspirada no conceito de divisão social do trabalho, proposto por Marx) entre quem narra e quem é narrado. Surge, daí, a ideia de autorrepresentação: as pessoas querem se representar, e não mais serem representadas. E, de qualquer lugar do mundo, elas tem os meios tecnológicos e as condições culturais para fazer isso, para nunca mais conceder a um terceiro o direito de representá-las. Isso vem do desejo de cada um exprimir, de narrar sua própria história. Entra em cena, assim, a crítica ao status de "quem tem o poder de representar quem"".



"A forma como o museu comunica , os meios que usa para comunicar e os conteúdos que escolhe, fazem parte da mensagem. São eles próprios a mensagem. Não é credível falar de sustentabilidade ambiental e de valores sociais altruístas, quando se usam meios poluentes e/ou sofisticados equipamentos fabricados com mão-de-obra escrava.
“O meio é a mensagem” conhecida expressão do sociólogo canadense,  Marshall Macluhan, lembra-nos que qualquer transformação no meio é mais determinante do que uma alteração no conteúdo."



Os brinquedos caros, a panóplia de instrumentos e equipamentos, a espectacularidade da tecnologia a que alguns museus ( do lado rico do mundo ) recorrem são, muitas vezes, a armadura  high tech contra aproximações, uma forma de fetichizar o património. Ao invés, uma deliberada atitude de proximidade, com tudo o que isso comporta de uso parcimonioso  e bem dimensionado de meios, criados a partir dos patrimónios e raízes culturais, incentiva  a criatividade e a procura de soluções sustentadas que se distinguem pela qualidade e proporcionalidade. Os museus têm aqui um papel fundamental. Operam com a matéria mais sofisticada e sensível - o corpo, a sensorialidade e as suas multiplas vontades. Nada mais sofisticado e poderoso do que esta trilogia que emana do facto de termos um corpo (sermos um corpo) com necessidades e desejos.


A área que opera com o imaterial, com o campo da construção das identidades e da produção de sentidos, partilha pontos fortes e fracos a pressupostos da Economia do Intangível e/ou Economia da Criatividade, terá que contribuir para o aperfeiçoamento das ferramentas (dos instrumentos de revelação ) que consigam pôr em valor os construtores do património imaterial e as multiplas formas em que ele se manifesta.
Qualquer bem , material ou imaterial, para se tornar recurso , activo, precisa de estar visível, identificado e precisa de tecnologia que o transforme e comunique.A bibliografia que consultámos, artigos e livros, recentemente editados, apregoam as virtudes das novas tecnologias , falam até dos óculos 4D que ampliam o olhar e lhe conferem novas dimensões, mas ressaltam a falta de uma métrica especifica que consiga cartografar os bens culturais imateriais em presença, a capacidade instalada desses bens na Economia local, no bem-estar das comunidades. Uma métrica que mostre o seu modus operandi e a sua cadeia de valor. Algo que revele a caixa negra da navegação de uma poderosa área de criação de riqueza que, por falta desses instrumentos de medida, fica relegado para um estigmatizado lugar de “ Economia alternativa “ , periférica em ralação a uma Economia convencional que reclama a centralidade.  O eterno domínio do financeiro que, no caso dos museus, tende para uma simples contabilidade de públicos em detrimento de uma exigente análise de resultados e medição de impactos.

A bibliografia consultada distingue entre Economias Criativas e industrias Criativas ; distingue entre produtos e resultados ; realça os fluxos e a inesgotável capacidade de reprodução dos bens intangíveis. Põe o enfoque na confiança, na atmosfera colaborativa ( nas redes ) e na sustentabilidade, no bem-estar e nos índices da felicidade.  O relatório da Economia Criativa , produzido pela ONU , em 2010, põe em evidência o Património ( as expressões culturais tradicionais – artesanato, festivais e celebrações e os locais culturais - sítios arqueológicos, museus , exposições, bibliotecas, etc. ) como a primeira das quatro categorias na cadeia de valor das industrias criativas. As restantes são as artes ( artes visuais, artes plásticas, artes cénicas e outras disciplinas artísticas - música, dança , etc) , os mídia ( editoras, imprensa, rádio, televisão, novos mídia de conteúdo digital criativo ) e as criações funcionais ( serviços criativos – arquitectura, design ) .

O advento das industrias culturais, está hoje na base de uma profunda  revolução económica e social e de uma nova divisão internacional do trabalho. Cabe à Economia Criativa , a redundância de criar alternativas para que não se reproduzam nas novas fábricas do séc. XXI os velhos vícios.
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Ora , temos aqui um nó cego nesta rede de aspirações.
O futuro anuncia felicidade , o paraíso do património pleno , mas os indicadores apontam pobreza e desigualdade.

 “ Desejável mundo novo “  é o titulo da mais recente obra de Lala Deheinzelin  , especialista mundial em Economia Criativa e Desenvolvimento Sustentável.

“POR QUE NÃO?” É a  frase geradora de todas as inquietações que, na perspectiva da autora, deveria orientar a forma de pensar futuros, para que “possamos nos libertar do conhecido e plausível e mergulhar no desejável “. Esta obra disponível para consulta online, formula perguntas tais como :
Por que não criar outra economia em que "valor" seja mais do que o financeiro? Por que não criar um modelo de governo regido pelo mérito e pela participação directa da população? Ter cidades feitas para o desfrute do tempo e não para a ocupação do espaço? Ou ter o "cuidar" norteando todo tipo de actividade no século XXI? Por que não ter uma educação que nos ensine a escolher bem e a compreender as consequências de cada escolha?Por que não construir relações, empreendimentos e territórios ?
A partir destas e outras perguntas foram criados os capítulos, organizados em temas da vida quotidiana que reinventam a economia, política, a cidade, os cuidados, a educação, as relações, a cultura.





Estas insustentáveis inquietações não têm resposta pronta, nem é isso que se procura, elas são apenas o despertar, a ignição de processos. O sem fim que conduz à acção. Não temos respostas mas podemos identificar alguns tópicos  que cruzam as duas áreas disciplinares e formulam hipóteses de trabalho e reflexão o sobre os processos-chave que, em nosso entender,  são basilares numa Museologia socialmente responsável, necessariamente criativa, livre de preconceitos e sempre experimental (o museu em si mesmo deve assumir-se como laboratório, um lugar aberto ao conhecimento e à criatividade. Um espaço de gestos largos. Amplo e arejado de ideias. Com poder para poder mudar o que aflige as pessoas e lhe tolhe o pensamento. Um museu persistente, socialmente responsável e imaginativo, que não se furta aos Trabalhos da Memória, aos Trabalhos do Tempo, aos Trabalhos de Medir e Comparar, aos Trabalhos de procurar Trabalho , criando ______________________ conta.minando. Magicando. 












_______________________________ Notas


MAROEVIČ, Ivo. O papel da musealidade na preservação da memória. In:SIMPÓSIO ANUAL MUSEOLOGIA E MEMÓRIA. ICOFOM. ComitêInternacional de museologia/ICOFOM. Paris, Conselho Internacional deMuseus/ICOM, 1997.











CULTURA E TRANSFORMAÇÃO URBANA, Organização: Ana Carla Fonseca Reis
Edição: SESC/SP
Livro resultante do seminário internacional realizado no SESC Belenzinho, com curadoria de Ana Carla Fonseca, nos dias 22 e 23/11/11. A obra traz oito experiências emblemáticas acerca do impacto de festivais e equipamentos culturais no espaço urbano: Parques-Bibliotecas de Medellín, SESC São Paulo, Tate Modern, Museu Guggenheim Bilbao, TOHU Montreal, Nantes, Festivais de Edimburgo e FLIP. Disponível também em inglês.Ano de publicação: 2012

http://garimpodesolucoes.com.br/livro/cultura-e-transformacao-urbana/

http://garimpodesolucoes.com.br/garimpamos/servicos/livros/


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Museu do Amanhã, Porto Maravilha. Rio de janeiro

Como uma das âncoras do Porto Maravilha, o Museu do Amanhã será erguido no Píer Mauá, em meio a uma grande área verde. Serão cerca de 30 mil m², com jardins, espelhos d'água, ciclovia e área de lazer. O prédio terá 15 mil m² e arquitetura sustentável. O projeto arquitetônico, concebido por Calatrava, prevê a utilização de recursos naturais do local - como, por exemplo, a água da Baía de Guanabara, que será utilizada na climatização do interior do Museu e reutilizada no espelho d´água. No telhado da construção, grandes estruturas de aço, que se movimentam como asas, servirão de base para placas de captação de energia solar. Com isso, o Museu do Amanhã vai buscar a certificação Leed (Liderança em Energia e Projeto Ambiental), concedida pelo Green Building Council (USGBC).

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Organização: Ana Carla Fonseca Reis

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Os Museus e a Qualidade ( Estudo exploratório sobre a aplicação das ferramentas da Gestão da Qualidade nos museus)
Museus com qualidades vs Qualidade em museus
Cadernos de Sociomuseologia, nº23, 2005, edições Lusófonas , ULHT.


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Isabel Victor 

Socióloga / Mestre em Museologia ( A Qualidade em Museus )

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Integra a equipa do Museu de Setúbal / Convento de Jesus. 
Exerceu funções de Chefe de Divisão de Museus da Camara Municipal de Setúbal e de directora do Museu do Trabalho Michel Giacometti , até Setembro de 2009 , data em que passou a coordenar a Rede Portuguesa de Museus, enquanto Directora do Departamento de Museus do IMC .


18.11.13

Autorrepresentação e multiprotagonismo / Antropologia Visual








http://www.youtube.com/watch?v=tlTxBiV9_gA

Entrevista com o antropólogo Massimo Canevacci



(Isto interessa à Museologia, ao potencial narrativo dos museus e aos seus multiplos narradores )



http://info-etudiants.com/videos/?v=ahqXmZidmB4






6.2.12

16.6.11

28.3.11

Museu e Comunidade . António Salvado (texto de enorme actualidade, escrito há 35 anos )

http://pt.scribd.com/doc/51685265/Museu-e-Comunidade

O presente texto constitui sumário de palestra pronunciada em 1976 para um público formado, essencialmente, por estudantes do ensino secundário.



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in separata da revista " Estudos de Castelo Branco ", nº1 , Nova série












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22.3.11

 Pierre Mayrand

 

 

 


Pierre MayrandProfesseur retraité depuis mai 1997, Pierre Mayrand est décédé le 19 mars dernier, des suites d'une longue maladie. Il était l'un des membres fondateurs du Département d'histoire de l'art de l'UQAM. Entré à l'UQAM le 1er septembre 1969, Pierre Mayrand a été directeur du Module d'histoire de l'art, de juin 1987 à mai 1990, et directeur du Département d'histoire de l'art, de juin 1996 à mai 1997. Pionnier de l'enseignement de la muséologie et du patrimoine au Québec, il a été de toutes les tribunes pour faire progresser les principes et les valeurs de la nouvelle muséologie. Le professeur Mayrand a participé à la Déclaration de Santiago du Chili en 1972, moment important dans l'histoire de la muséologie internationale. Il fut l'un des premiers grands ambassadeurs de la muséologie québécoise au sein du Conseil international des musées et a été président-fondateur du Mouvement international pour une nouvelle muséologie (MINOM, Conseil international des musées/Unesco). Il a été concepteur-idéateur et coordonnateur pendant 20 ans de l'Écomusée de la Haute-Beauce, fondé en 1978, à Saint-Hilaire-de-Dorset.
Pierre Mayrand a été associé également à l'Écomusée du fier monde de Montréal, de 1980 à 1990. Au fil du temps, il a fait de la recherche, de la formation et a contribué au développement du concept de l'Écomusée du fier monde, le mettant en contact avec des praticiens et des théoriciens de l'écomuséologie d'ici et d'ailleurs, et en faisant la promotion de l'Écomusée dans ses écrits et ses conférences.
Le 14 octobre dernier, il a reçu le Prix Carrière de la Société des musées québécois (SMQ) pour son «engagement profond et soutenu au développement et au rayonnement de la muséologie au Québec». Ce prix est la plus haute distinction accordée par la SMQ, qui souligne les réalisations des membres ayant contribué de façon significative à l'avancement de la muséologie québécoise.
Se disant «altermuséologue», Pierre Mayrand a toujours défendu les valeurs sociales. Pour lui, le musée est un acteur social de premier plan qui peut contribuer au changement.







http://www.nouvelles.uqam.ca/uqamca/item/1629-deces-du-professeur-retraite-pierre-mayrand.html
Les parents et amis sont conviés au salon Alfred-Dallaire Memoria, au 1111 rue Laurier ouest, le samedi 26 mars, de 14 h à 17 h et de 19 h à 22 h.

24.11.10

LE CONTEXTE D’UNE MUSÉOLOGIE EXPANSIBLE À L’ INFINI.








Il n’ est pas inutile de rappeler, pour mieux situer notre propos, de même que celui qui est soumis à notre réflexion, que patrimoines et muséologies ont acquis une telle signification de représentation et d’ interprétation qu’ ils recouvrent la totalité de l’ environnement humain et physique qui lui servent de cadre. La question devient comment aborder, par les moyens médiatiques à notre disposition, y compris la mémoire rapportée, une explication valable de la globalité de chaque phénomène faisant l’objet de l’ intérêt que nous souhaitons susciter (Davallon, Claquemurer ) ?



Les disciplines et les médias mis à la disposition de l’ interprète, ce mage de la lecture interrelationnelle, utilisant les approches tantôt inductives, tantôt déductives, pour se rendre au coeur de l’ explication sous forme de propositions, devient la clef du processus de connaissance- sensibilisation , puisant, selon les besoins dans la recherche scientifique et les méthodes d’ approche disciplinaires, qui, à leur tour, ont perdu de leur étanchéité ( Anthropologie, ethnologie, géographie … ).



Il en va de même des professions mises à contribution compte-tenu de la substitution du conservateur par des équipes pluridisciplinaires coordonnées par le chargé de projet ( gestionnaire chargé de maintenir la ligne de conduite du projet ).



La distinction que nous pourrions établir ,pour le besoin présent, des formes de muséologie, est, d’ une part, la muséologie industrielle ( industries culturelles ) et entreprenariale ( mondialisée ) abordant en surface les grands thèmes susceptibles d’ attirer les foules, d’ autre part, la muséologie d’ ancrage enracinée dans la réalité d’ un milieu. Cette dernière, qu’ elle fusse communautaire, locale, régionale, est celle qui nous intéresse le plus, mettant en relation directe un visiteur avec un hôte ( la population et son territoire d’ appartenance ), stimulant les mécanismes d’ appréhension sensible et partagée de ce que le colloque nomme si bien le < désir du territoire >. On pourrait decrire cette muséographie

ouverte comme comme une scénographie amoureuse, utilisant des approches progressives de la séduction. Le développement prend, dans ce cas, une signification très différente que celle que l’ on prête aux grands déploiements de l’ autre catégorie dominante de musées.



 
Pierre Mayrand (Québec, Canadá)
Professeur-chercheur, expert en muséologie communautaire
 
 
 
 
 
 
 
_____________________________________________________ Reflexões sobre Museologia